Empoderamento negro no meio acadêmico

Unindo alunos e funcionários negros de todos os cursos, o Coletivo Abdias do Nascimento (CAN) surgiu de uma necessidade de espaço de fala que discutisse a temática e as ações voltadas para o movimento negro dentro da Faesa. É o primeiro coletivo negro na instituição.

Fundado pelas alunas Fernanda Samora, do décimo período de direito, e Isabelly Silva, do quarto período, o CAN é uma reunião de forças que já conta com 13 membros para compartilhar experiências e vivências em um ambiente que ainda é dominantemente branco. Fernanda destaca a importância do coletivo em uma instituição particular. “As aflições de um negro na universidade pública são diferentes das aflições do negro na privada, o que não significa que uma possa ser maior que a outra. Eu estou no décimo período de direito e durante todo esse tempo eu tive esse sentimento de que algo estava faltando e era alguém que falasse junto comigo sobre esses assuntos”, relata a aluna ao Faesa Digital.

Uma pessoa me perguntou o porquê de criar um coletivo e não entrar nos que já existem e eu respondi que há uma importância de deixar esse espaço aqui dentro, sabe? Os alunos e funcionários negros precisam saber que eles têm esse espaço aqui dentro, na Faesa, para que eles saibam que também é deles”.

O CAN foi feito por negro para negros, de quem sabe o que é sentir a dor do racismo, para quem também vive a mesma situação e pretende estar sempre em movimento, buscando ações de desconstrução diárias  que não se resumam só ao dia 20 de novembro (dia da morte de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra).

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As fundadoras do CAN Isabelly Silva e Fernanda Samora / Foto: Karolyne Pasresqui

Iniciativas

Uma das propostas principais é o grupo de estudos afrocentrado que propõe a discussão de questões raciais e o estudo de autores negros, começando pelo livro O Genocídio do Negro Brasileiro, de Abdias do Nascimento, quem deu nome ao coletivo. Os encontros acontecerão quinzenalmente, todas as quintas, a partir das 17h30 no Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ). O projeto foi apresentado e apoiado pela coordenação do curso de Direito. Além de ser aberto para todos os cursos, os alunos ganham certificado de horas complementares pela paticipação.

Isabelly fala sobre a participação de alunos de outros cursos e funcionários.

O bom é que não ficou algo restrito ao curso de direito, nosso receio era esse. O nosso curso precisa muito por ser majoritariamente racista mas não é uma exclusividade do direito. Sabemos que funcionários em uma escala hierárquica menor são negros e muitas vezes não tem instrução e trazer essas pessoas para o nosso meio é dar poder, é empoderar”.

Fernanda conta o porquê de Abdias do Nascimento nomear o coletivo.

Por onde ele (Abdias do Nascimento) andava ele levava muita gente junto. Ele buscava dividir o crescimento intelectual com os dele, a vitória era dele e da comunidade e esse era seu maior legado. O nosso objetivo enquanto coletivo é que nós alcançamos o ensino superior e pra quem servirá esse conhecimento que estamos buscando. Somos nós por nós”.

Lutar pela ideia de igualdade, questionar a meritocracia e a democracia racial e apresentar as obras de autores negros são os grandes propósitos do grupo.

Informações
Facebook do CAN
Arte foto destaque: João Paulo Rocetti – Publicitário, egresso da FAESA e membro do CAN