O feminismo, a escritora e os brinquedos

Um tema que vem ganhando destaque no cotidiano da sociedade contemporânea é o feminismo. A cada ano que passa é possível perceber as discussões, as reflexões e os embates em torno do assunto.

Em março, considerado o mês das mulheres por conta do dia 08, data de celebração do Dia Internacional da Mulher, percebe-se uma forte mobilização da sociedade com campanhas contra a violência sofrida pelas mulheres, protestos por igualdade no mercado de trabalho, discussões na mídia, etc.

Um exemplo disso é a discussão em torno dos padrões de gêneros envolvendo a infância e a juventude. Uma reportagem do Nexo Jornal (Nem de menino, nem de menina. Apenas brinquedos) fala justamente sobre como mães e pais estão repensando os brinquedos dos seus filhos.

Ao longo deste texto vamos discutir o histórico do movimento feminista, abordando algumas figuras intelectuais que ajudaram a teorizar o movimento e quebrar certos paradigmas. Além disso apresentamos estatísticas que demonstram que ainda temos muito a fazer para conseguir uma sociedade mais igualitária.

feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens. Segundo um dos intelectuais mais respeitados do Brasil, Mario Sergio Cortella, algumas pessoas ainda consideram que “o feminismo é o oposto do machismo“.

Machismo significa a concepção de que mulheres são subordinadas aos homens. O feminismo, por sua vez, não é o contrário de machismo. O feminismo não supõe que homens são subordinados às mulheres, mas que homens e mulheres são iguais.”

Feminismo, Revolução Francesa e Movimentos Grevistas

O advento do movimento feminista remonta à Revolução Francesa, o lema “Igualdade, Liberdade e Fraternidade” influenciou mulheres a lutarem por mais direitos na sociedade. Elas queriam fazer parte das mudanças sociais que a revolução trazia.

No entanto, o feminismo só começou a se popularizar no mundo ocidental nos primórdios do século XX, quando as mulheres começaram a questionar mais incisivamente o poder social, político e econômico monopolizado pelos homens.

O dia do trabalho é uma homenagem a manifestação operária de Chicago, realizada no dia 1º de maio de 1886, na qual uma bomba vitimou fatalmente oito policiais, resultando na prisão e na condenação de oito líderes do movimento grevista (4 foram enforcados e os outros condenados a prisão perpétua).

Na Inglaterra, o movimento sufragista (o filme As Sufragistas, 2015, resgata a luta dessas mulheres) teve um significado importante na luta feminista. O direito ao voto era uma reivindicação comum a todas as mulheres.

No Brasil, a primeira greve geral foi organizada por mulheres em junho de 1917. Cerca de 400 operários, em sua maioria mulheres, paralisaram suas atividades na fábrica têxtil Cotonifício Crespi, na Mooca, em São Paulo, exigindo o aumento de salários e a redução das jornadas de trabalho. Em algumas semanas a greve se espalharia por outros setores da economia, chegando até mesmo a outras regiões, como as cidades do Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Simone Beauvoir e o Segundo Sexo

Um dos símbolos que impulsionou o feminismo na década de 1960 foi o livro O Segundo Sexo, da escritora feminista francesa Simone de Beauvoir. Na obra ela desconstrói a imagem de que a hierarquização dos sexos seria uma questão biológica, ao invés disso, esse conceito é fruto de uma construção social.

Em 2015, uma questão do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)  foi tema de amparável discussão nacional. Veja a questão abaixo.

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A pergunta traz um trecho escrito pela autora, que fala da influência de determinados fatores que a mulher sofre, ao longo de sua vida na sociedade, que acabam definindo o gênero feminino. Por isso a afirmação Ninguém nasce mulher, torna-se mulher“.

A representação da mulher na sociedade atual

Apesar de toda essa luta, grande parte da nossa sociedade ainda trata os homens e as mulheres de maneira desigual. Segundo dados da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), as disparidades salariais entre gêneros ainda persistem como um obstáculo para o empoderamento das mulheres. A pesquisa indica que as mulheres podem ganhar até 25,6% do que seus colegas masculinos em posição semelhante.

De menino e de menina

Além disso, outros pontos tem sido levantados a respeito das diferenças existentes entre os gêneros. Um deles diz respeito aos brinquedos que lotam as prateleiras das lojas e contribuem para a reprodução de estereótipos e a manutenção entre os gêneros. A jornalista Marília Lamas, especialista em Sociologia Política e Cultura, desenvolveu um livro que fala sobre essa construção social.  “De menina e de menino: gênero e infância”, disponível na Amazon.

Panelinhas para meninas, carrinhos para meninos. Quer ver um exemplo disso?  Dificilmente você encontraria bonecos da Viuva Negra (Os Vingadores) ou da Kylo Ren (Star Wars: o despertar da força) nas prateleiras. A polêmica foi tanta que Mark Ruffalo (ator que interpreta o Hulk nos filmes) pediu a Marvel que produzisse mais produtos da personagem feminina.

No caso da Disney, isso já era esperado por muita gente, pois a empresa quase nunca aposta em personagens femininas em seus brinquedos. A personagem Gamora, de Guardiões da Galáxia, foi esquecida no merchandising do filme.

Repare que a desigualdade de gêneros continua em diferentes aspectos, desde a remuneração recebida pelas mulheres, até mesmo na representação em produtos desenvolvidos sobre as produções culturais. A representação do gênero age como um operador de diferenças a partir dos referenciais estabelecidos pela cultura. Devemos sempre estar vigilantes para mudar esse cenário, nem sempre um brinquedo é coisa de criança.

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