Vitória Moda encerra com protesto na passarela, moda praia e grafite

Hagaef (1)

Hagaef protestou contra tragédia da Samarco na passarela do Vitória Moda (Foto: Cloves Louzada)

“Isso que é moda”, disparou uma fashionista sentada na primeira fila do desfile de uma das marcas que encerrou o Vitória Moda deste ano. E não é para menos: a maison, especializada em estamparia 3D, mostrou indignação e protestou contra o desastre da Samarco após o rompimento da barragem em Mariana, em Minas Gerais, no dia 5 de novembro de 2015.

Além disso, o segundo bloco dos desfiles se dedicou à moda praia, que mostrou que a pegada náutica tradicional veio mais forte neste do que em todos os anos anteriores. A aposta é aquele estilo marinheiro.

Balãozinho abriu a passarela, mostrando looks com estampas florais, cores bastante vivas e conjuntinhos, que ficam em alta para a temporada. Algumas peças trataram a composição dando um leve brilho com tecidos acetinados e degradês de cores na mesma peça. A marca infantil também apostou no decote ciganinha para as meninas e deu mais um toque metalizado com acessórios.

No segundo pool dos desfiles, Verônica Santolini mostrou a volta das estampas étnicas à moda praia, com peças com transpassados, strappy no colo e na cintura, muita estampa e babados. A marca pegou conchas e estrelas do mar para desenhar nos tecidos, e o modelo ciganinha para o decote também apareceu muito na coleção. As cordas vêm como amarração, arrematando o ar náutico clássico das roupas.

Verônica Santolini

Verônica Santolini sobrepôs estampas e brincou com acessórios dourados (Foto: Cloves Louzada)

Maldivas entrou em seguida, ao som de Swish Swish – recente música de Katy Perry em que a rainha da internet (e do rebolado), Gretchen, protagoniza no clipe oficial – com a Miss Espírito Santo 2017, Stephany Pim, abrindo a passarela que mostrou tecidos acetinados, sobreposições e acessórios ornando de forma bastante imponente. A marca pegou parte da inspiração em grandes personalidades femininas da história, como Cleópatra. Brincos em forma de folha, prateados, chamaram a atenção e destacaram a delicadeza dos looks simétricos.

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Sol de Verão finalizou com o decote ciganinha em várias peças, tons terrosos na paleta de cores da coleção, além de looks bastante acinturados e com brilho. O degradê de cores na mesma peça também aparece, e faz contraste com outras composições da marca, que primaram pelo minimalismo. O cobre foi explorado, tanto em tecidos metalizados como em acessórios, e babados apareceram em algumas peças. As estampas reinaram em suas formas geométricas e simétricas.

Abrindo o segundo pool dos desfiles, Dua’s voltou com o brilho total à passarela, com renda e transparência em várias peças. Os tons terrosos também ficaram aparentes na coleção que é inteiramente justa ao corpo. Um ar futurista ficou no salão, depois de apresentadas as roupas sobrepostas, com muito uso do preto e branco e acessórios em acrílico moldados à mão.

Florest começou com conjuntos e muitas estampas em alto relevo, na mesma cor do fundo da peça. Os tons pastéis ganharam dessa vez e os acessórios em madeira e couro arremataram composições bem rústicas, já características da marca. A monocromia também foi uma tendência que a maison apresentou.

Tradicionalmente conhecida por suas estampas 3D, como são chamadas, a Hagaef foi quem ouriçou o público com um protesto à tragédia da Samarco, que aconteceu no dia 5 de novembro de 2015, após rompimento de uma barragem de rejeito de minério em Mariana, em Minas Gerais. Por isso, a primeira parte do desfile se ateve às cores da lama, com peças que pareciam “sujas” de terra. Em seguida, o brilho voltou à cena com looks justos ao corpo e influência da pop art na passarela, finalizando com a terceira parte, que primou a pegada militar – uma tendência para este ano.

O desfile, inteiramente considerado o ponto alto da noite, ainda teve uma grávida desfilando e um “marinheiro” e sua esposa se beijando ao final.

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Encerrando o Vitória Moda, Konyk trouxe Felipe Roque, ator da Rede Globo, para vibrar o público na passarela. O desfile foi ao som do rap de rua, e trazia à discussão o grafite e as interações do meio urbano com classes sociais menos favorecidas. O street style apareceu em vários momentos, e as peças ficaram com um visual como se tivessem sido grafitadas.

A marca também decidiu por modelos com maquiagem como se tivesse sido grafitada, ornando com a cor do look. As composições monocromáticas reinaram na passarela, e o degradê de cores foi uma opção para a fuga dessa tendência. As long shirts voltam para as prateleiras com tudo, repaginadas com cortes mais ousados e barra assimétrica. A moda do tênis branco continua, já que todos os looks foram dispostos dessa forma.