Centro de Vitória: Lugar bom de viver e morar

Quem, na correria do dia a dia, passa apressado pelo patrimônio histórico do Centro, ou mais conhecido como Centro de Vitória, talvez sequer imagine quanta história guarda essa senhora de 465 anos, capital do Espírito Santo. Talvez não saiba, por exemplo, que a movimentada Praça Costa Pereira já foi chamada de Prainha, Largo da Conceição e Praça da Independência, e que a clássica Praça Oito, por sua vez, já foi Cais Grande, Cais da Alfândega e Santos Dumont, recebendo a atual denominação apenas em 1911, durante o governo de Cirilo Tovar.

Talvez não desconfie que há quase 400 anos, uma certa jovem senhora muito corajosa, chamada Maria Ortiz, para defender a cidade jogou água fervendo em invasores holandeses. E por falar em invasões, além da holandesa, eram frequentes tentativas de franceses e ingleses de conquistar a cidade. Por isso, como forma de proteção, foi construído e posteriormente ampliado o Forte São João.

Um local cheio de histórias e riquezas, as pessoas que ali residem ou transitam diariamente podem ver as mudanças que o local passou. Principalmente na sua estrutura física: prédios novos, igrejas e construções de monumentos que mais parecem obras de arte. Nos últimos anos pode-se perceber a chegada da modernização com o grafitti decorando os muros do Centro. São tantas mudanças e tamanho é o crescimento que o Centro é um palco de histórias e arte a céu aberto.

Patrimônio Histórico

Muitos não sabem, mas o patrimônio histórico do Centro é mais antigo do que o das cidades de Ouro Preto (MG) e São Paulo (SP). Um bairro que carrega histórias em sua construção. Você sabia que o Centro já teve um bonde utilizado como transporte? Esta era a função da construção do Viaduto Caramuru, que nasceu em 1925, ligando as ruas Dom Fernando e Francisco Araújo para servir de passagem para o bonde, que então circulava pela Cidade Alta. Mas acredita que o bonde nunca passou pelo viaduto? O bonde nunca chegou a atravessá-lo. Alguns temiam que ele não aguentasse o peso ou porque o bonde não era capaz de fazer a curva que ligava as ruas ao viaduto.

Popularmente, há um espaço no Centro conhecido como corredor cultural, que fica entre a Casa Porto das Artes Plásticas e a Praça Oito, avenida Jerônimo Monteiro, praças Costa Pereira e Ubaldo Ramalhete, a clássica Rua Sete de Setembro e o Parque Moscoso. No período de comemorações do aniversário da capital do Espírito Santo, este corredor vira um local de manifestações de arte, permitindo ao público interagir com diversas apresentações de arte, dança, música e muita cultura.

O Centro consegue manter vivas sua história e beleza por meio de sua estrutura. Os eventos que acontecem ali mantêm viva a chama da paixão de cidadãos em vivenciar, estar e conviver no bairro. O charme da noite bucólica atrai diversas pessoas para prestigiarem atrações e terem momentos de lazer. E, falando em lazer, uma região que não pode deixar de ser lembrada é da Rua Sete com a Gama Rosa. Nela, estão localizados diversos bares famosos como a Casa de Bamba, a Doca 183 e o Bimbo. Este último, talvez, seja um dos mais antigos de todos. Foi local de encontro de muito marinheiros, muitas histórias de amor nasceram, desenvolveram-se e terminaram nele.

Um desses cidadãos que não trocam o Centro por nada é Nirko Hunka, que há 40 anos vive no bairro. Para ele, a principal vantagem do local é a facilidade de deslocamento. “Eu gosto daqui. É tudo pertinho, farmácia, supermercado, Vila Rubim. Tem peixaria, tem feira”, conta Nirko. Definindo o lugar em que vive com poucas palavras, conclui: “bom de viver e morar”.

Certa vez, uma pesquisadora chamada Maria Alice Ferreira, disse que toda manifestação de arte de rua surgiu nos centros ou nas grandes metrópoles. Por isso, o Centro de Vitória apresenta tanta arte em sua construção visual e histórica. O local é um berço de cultura e arte. Instituições de artes estão localizadas dentro do Centro, como a Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames), Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música (Fafi), o Theatro Carlos Gomes, entre outros, para embelezar e enriquecer ainda mais a cidade, comprovando que a arte está presente neste local.

Deslocando-se um pouco mais pelas ruas encantadoras do Centro, na parte da Cidade Baixa, encontra-se o Parque Moscoso. Um lindo local cercado de árvores, flores, aves e animais. Exatamente no meio de um caos que surge proveniente da movimentação de carros, lojas e um grande comércio. O Centro, dentre todas as suas belezas, ainda permite que em meio a tanta correria, as pessoas possam desfrutar de encantos e belezas da natureza. Descansar caminhando pelo parque e aproveitar para fazer fotos maravilhosas. Porém, muitos não imaginam que o Parque no início era uma área conhecida como Campinho porque era cercada de terrenos alagados pelas marés da baía de Vitória. Durante o período da década de 30, a região do Parque Moscoso ficou famosa chamando a atenção de muitos cidadãos. Tornou-se um lugar da alta elite capixaba.

Projeto Visitar

Com certeza, são muitos locais e histórias que os capixabas têm para conhecer do patrimônio histórico de Vitória. E para também conhecer cada detalhe e riqueza, além de curiosidades. Os turistas que passarem por Vitória, e os próprios cidadãos capixabas têm a chance de conhecer o Centro por meio do Projeto Visitar.

O projeto nasceu em parceria entre a Secretaria Municipal de Turismo, Trabalho e Renda de Vitória e o Instituto Goia, sendo um conjunto de ações com o intuito de melhorar o turismo histórico-cultural da cidade.  O projeto possui a seguinte infraestrutura:

– Placas de Sinalização Turística Interpretativas;

– Mapa do Centro Histórico em material bilíngue;

– Folder sobre os Patrimônios de Vitória;

– Atendimento turístico realizado por monitores formados na arte de restauro.

Os monitores ficam presentes em cada ponto turístico que faz parte do projeto. Eles explicam a história e mostram os monumentos, permitindo ao visitante se apaixonar ainda mais pela cultura capixaba. Atualmente, sete monumentos englobam o Projeto Visitar, que são: Catedral Metropolitana de Vitória, Convento de São Francisco, Igreja do Carmo, Igreja do Rosário, Igreja de São Gonçalo, Capela de Santa Luzia e Theatro Carlos Gomes.

Confira um depoimento do nosso entrevistado Nirko Hunka:

Matéria desenvolvida para a disciplina de Laboratório de Comunicação em Rede por: Daniel Alencastre, Elvio Filho, Kelly Rangel, Keithyane Fernandes e Larissa Agnez.