Você já parou para escutar jazz?

Começo essa matéria com uma simples pergunta: você já parou para escutar jazz? Não o jazz relaxante que escutamos nos elevadores, mas aquele tradicional dos anos 20. Se não, segue aqui uma breve história.

Voltando ao início do século XVII, em New Orleans, o jazz surgiu com o encontro do ritmo e canções africanas e musicas dos americanos de origem européia. No início as casas de show americanas fechavam as portas a meia noite, e depois desse horário os músicos ficavam compondo novas canções, com ritmos e sonoridades distintos, sem nenhuma lógica em sua composição. Esse fato ficou conhecido como após meia noite (just at midnight). E foi por meio de uma mistura de etnias que foi surgindo essa manifestação musical.

O que desmistifica a falsa sensação de que jazz é um gênero musical relaxante, pois se você prestar atenção em cada instrumento, percebe-se que cada um tem a sua função na composição da musica. Um verdadeiro espetáculo, na qual é impossível não aplaudir.

La la land, 2016

Alguns fatores foram importantes para essa manifestação cultural ser aceita pelos americanos brancos: os soldados voltaram da Primeira Guerra Mundial com a intenção de rebelião contra a velha moralidade e assim começam a valorizar os shows, cinema e espetáculos. E os negros passam a migrar para as cidades levando a sua cultura. O jazz foi visto como o centro das mudanças da sociedade americana e por isso os anos 20 ficou conhecido como “a era do jazz“.

Outro fato que contribuiu para a popularização do jazz foi a lei seca, que proibia a venda e o consumo de bebidas alcoólicas. Ainda que a maioria dos americanos só eram contra a essa lei pela simples vontade de beber, os intelectuais a viam como resíduo da Era Vitoriana, inteiramente contra os ideais liberais dos novos tempos. Isso ajuda a surgir um enorme interesse pelos negros e pelos seus espetáculos, pois eles tocavam principalmente em cabarés, onde as bebidas ilegais eram vendidas, um local que ficou sendo bastante frequentado na época.

Louis Armstrong

A partir dos anos 20, o Jazz foi viajando e se espalhando pelo mundo. A banda King Oliver tirou Loius Armstrong de New Orkeans e o levou para Nova York. Ele se destacava muito na banda por causa dos seus dons de showman, cantando e tocando.

Evolução do Jazz

Bix Beiderbecke, um dos maiores trompetistas e ícones do jazz,  foi integrante da banda de Paul Whiteman, um tipo de orquestra. Essa banda foi muito importante porque ajudou a popularizar o Jazz com mais de 3.500.000 discos vendidos nos EUA. Lembrando que nesse período uma das únicas formas de se ouvir música em casa era por meio de uma vitrola.

Count Basie, Tommy Dorsey, Duke Ellington e Glenn Miller foram outras orquestras importantes da época. A de Glenn Miller e de Tommy Dorsey foram as mais populares do período, pois tocavam músicas da época em bailes, porem com um ritmo mais jazzistica, e suas musicas acabou virando os hits mais populares do jazz. A partir dos anos 30 o Jazz já possui uma plateia muito significante, os maestros tinham a mesma fama dos astros de cinema e até participaram de filmes.

Escala Bebop

O Bebop representa uma das correntes mais influentes do Jazz. Seu nome provém da onomatopéia feita ao imitar o som das centenas de martelos que batiam no metal na construção das ferrovias americanas, gerando uma “melodia” cheia de notas de curta duração.

Outro período do jazz foi bebop, que se desenvolveu depois da Segunda Guerra Mundial e teve seu auge nos anos 50. O bebop é um estilo mais rápido de tocar jazz, com improvisos em escalas mais altas dos instrumentos e tem, entre os seus criadores, dois dos maiores músicos de jazz de todos os tempos: Charlie Parker e Dizzy Gillespie.

Portanto, o Jazz foi e ainda é uma manifestação cultural que permitiu diferentes tipos de músicos tocarem em uma mesma jam session. Foi a junção de vários ritmos e afinações. Um verdadeiro espetáculo. Te garanto que se você parar pra pesquisar só um pouquinho, irá se encantar.

O aluno de Jornalismo da FAESA, Lorenzo Mariani nos diz uma definição perfeita para o jazz: ele é um amante do estilo e relata que frequenta restaurantes, cafeterias e que já foi em estúdios de tatuagens que tocam esse gênero.

“O jazz é um sentimento. É um estilo de música que me traz muitas emoções e dispersa em mim muita criatividade. É um lugar onde eu posso sentir energia, curiosidade, um lugar onde eu posso ter paciência para a divulgação da próxima nota.”

O jazz no ES

Mesmo sendo pouco conhecido, aqui em terras capixabas nos temos festivais e locais que tocam Jazz. Veja abaixo:

Spirito Jazz

O Spirito Jazz fica no bairro Praia do Canto, em Vitória. É um bar temático onde toca jazz, Bossa Nova, MPB e Blues.  Em alguns dias tem a apresentação de artistas locais e nacionais, dependendo da programação. Perfeito para os amantes desses gêneros.

Spirito-Jazz

Foto de divulgação

Santa Jazz

Todo ano, no mês de Junho, ocorre um festival de Jazz e Bossa Nova no município de Santa Teresa, o Santa Jazz. Com clima e paisagem das montanhas capixabas e gastronomia local, muito vinho e cerveja artesanal, para a apresentação de artistas nacionais e internacionais tocando Jazz, Bossa Nova e Blues. Vale a pena conferir.

19733

Foto de divulgação

FAMES JazzBand

A FAMES JazzBand é uma Big Band da Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES). Eles se apresentam em concertos didáticos, normalmente no Teatro Carlos Gomes e Sesc Glória – Centro de Vitória, eventos culturais e em vários festivais do estado (e fora dele), como por exemplo o Santa Jazz.

18402559_1090488527718559_6710507994629621051_n

Foto de divulgação

Vila Velha Jazz & Blues Festival

Esse ano foi o primeiro do Vila Velha Jazz & Blues Festival, no Parque da Prainha, Vila Velha. O festival apresenta bandas e artistas locais e nacionais. Possui a intenção de apresentar um repertório jazzístico.

18057006_294001107703347_1890986582288947759_n

Foto de divulgação