Aluno de jornalismo dará palestra no Fecin

Mais um estudante da Faesa vai mostrar seu documentário em um Festival. Dessa vez é o Dalton Duarte, de 21 anos que dará uma palestra e exibirá seu curta paralelamente  na programação do Festival de TV e Cinema do Interior (Fecin).

Dalton atualmente está no último período de jornalismo, e no ano passado fez o curta “Elas por Elas” como trabalho para a disciplina de Produções Especiais para Rádio e TV juntamente com seus colegas Caio Fassarela, Lucas Valadão e Michelle Aguiar, ministrado pelo professor Felipe Dall’orto, no 6° período. Esse curta é centrado na prostituição de travestis em Vitória na orla de Camburi, e busca, segundo o estudante, mudar aquela percepção  de alguns veículos midiáticos, que as colocam como vilãs ou demonstram esses indivíduos sempre num sentido pejorativo. “Foi a necessidade de contar a história daqueles que não são ouvidos. Os transgêneros querem ser compreendidos e mostrar as suas vivências, já que um dos motivos que leva a prostituição é que na adolescência a pessoa que vai se descobrindo como tal não tem alguém que a ouça”.

Para o graduando de jornalismo, esse documentário abriu o seu olhar verdadeiro do jornalista de vivenciar um fato. 

As vezes, nós como comunicadores nos privamos de ver o fato in loco. Uma coisa que aprendi com esse documentário é que um jornalista que quer passar a realidade, a verdade de um fato e ocorrido, ele tem que aprender a  ‘enfiar o pé na lama’, a viver de alguma forma a realidade que seus entrevistados estão vivendo.”

No começo da produção de Elas por Elas, houve resistência por parte das travestis como modo de defesa, já que tiveram experiências ruins anteriormente. “Quando chegamos pra gravar, a primeira reação delas era querer quebrar o equipamento. Toda ação é desenvolvida de uma reação. Algumas até queriam cobrar cachê, por muitas vezes já darem entrevistas e serem esquecidas em seguida. Sempre que passo na orla, vejo ainda se estão lá, porque acredito que quando fazemos um documentário e já obtivemos respostas das fontes, não precisamos esquecê-las”.

A escolha do nome se deu por elas trabalharem juntas, defenderem umas as outras suas questões sociais e pessoais. Além de servir como desconstrução de estereótipos e paradigmas, Elas por Elas apresenta as protagonistas bem a vontades contando suas histórias, com olhares individuais da realidade que vivenciam todo dia, colocando a prostituição como alternativa e modo de sobrevivência por as mesmas já sofrerem discriminação agindo em outras profissões. Dalton relatou também que sentiu medo de início e em seguida mudou seus pensamentos.

Uma das entrevistadas tirou um espelho pontudo da bolsa dela, e levei um susto com isso. Mas, depois fui compreender que elas precisavam andar armadas, pois a noite ali é fria, perigosa. É uma amargura estar ali a noite, pela falta de segurança. Muitas vezes passam pessoas para implicar com elas, nos carros, além dos moradores do prédio que falam que os filhos não são obrigados a verem essa aberração. Fui muito mais a princípio para valorizar minha nota do que pela experiência, só que depois foi totalmente o efeito contrário: além de ter obtido a nota, o que ganhei de experiência foi enorme.”

A felicidade do estudante é com o êxito que o documentário vem dando até hoje, já que foi exibido duas vezes pelo Sesc Glória, além desse ano ser veiculado no projeto Croesia. Agora eles receberam convite para exibi-lo no Fecin, em que Dalton, representará seu grupo, evidenciando o processo de criação e a realidade das travestis, carregando consigo o objetivo de fazer a diferença pra quem vai assistir, tentando que alguns pensamentos sejam transformados. “Uma coisa que eu quero perguntar sempre, é você como comunicador já fez a diferença hoje e o que fez pra mudar a realidade do mundo que vive hoje na sociedade ao seu redor? Nós temos que fazer a diferença. Isso que quero passar a todos.”

Fecin

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Foto de divulgação

O Festival de TV e Cinema do Interior (Fecin) é realizado desde de 2012, na cidade histórica de Muqui, localizada no sul do Espírito Santo.

Nesse ano, lança um olhar e oferece uma reflexão sobre o mundo paralelo, o transversal e invisível, os sonhos e todos os devaneios audiovisuais possíveis, que vai além desse plano, dos sentidos (tato, paladar, olfato, tato, audição e visão) e da inteligência humana. O tema será abordado em bate-papo com cineastas, além por esquetes teatrais durante todo o festival.

Na programação do Fecin, haverá também oficinas, palestras, ocupações culturais na cidade, mostras de cinema e shows musicais. Já na mostra competitiva, terá 14 obras competindo, escolhidas através de 200 inscrições feitas por produtores de 9 estados do Brasil, como Brasília, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

As produções serão avaliadas durante o festival por um júri oficial e júri popular concorrendo ao tradicional troféu “Catraca” de melhor filme (documentário, animação, ficção e júri popular).

Quando e onde?

O evento acontece nos dias 08 e 09 de setembro de 2017, na Antiga Estação Ferroviária, no centro histórico de Muqui.