A história por trás de grandes clássicos da música

Ninguém pode discordar daquele velho ditado que diz que música é vida. A música não serve apenas como um breve passatempo, mas como um bom refúgio, gradativo aperfeiçoamento de sentimentos e alicerce que a alma precisa para se livrar de estresse, preocupações e problemas. Sim, até problemas. Ao escutar uma boa canção, é como se tudo se configurasse momentaneamente em outro mundo, e toda a negatividade se tornasse em fluxos de serenas e positivas vibrações.

O lugar e o momento que se escuta são variados. Vale tudo: casa, trabalho, pausa do almoço, percurso até a faculdade. Em todos casos, é liberado a dopamina, substância neurotransmissora responsável por proporcionar motivação e alegria ao corpo. Nada melhor, né?

Mas mesmos com todas essas qualidades que os estilos musicais variados pode propiciar, muitas vezes não sabemos qual a história por trás de grandes clássicos do mundo musical. Por isso, o Faesa Digital compilou alguns exemplos para entendermos mais as motivações dos autores e o que envolveu o processo criativo.

A garota de ipanema

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Helô Pinheiro e Tom Jobim na década de 60

Sucesso desde de 1962, a composição feita por Vinicius de Moraes e Tom Jobim, chama atenção por sua particular história. Isso porque “a menina mais linda e mais cheia de graça” é dedicado a Helô Pinheiro, mulher que na época da criação desse verdadeiro hino da Bossa Nova tinha 17 anos e passava sempre pela orla da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. Moraes e Jobim, amigos de longa data, se divertiam sempre no Bar Veloso desse mesma praia e viam a carioca passar. Daí a verdadeira inspiração: já que ela chamava atenção pela exuberância e beleza, decidiram dedicar toda a letra poetizada que ao longo dos anos levou a MPB para o mundo.

Fix you

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Gwyneth Paltrow e Chris Martin

Single de Coldplay, criado há 12 anos, representa em sua letra todas as impossibilidades que ocorrem no cotidiano da vida. O que queremos e não conseguimos, aquele cansaço depois de várias tentativas, quando fazemos o melhor e não recebemos a devida recompensa, enfim, os momentos mais desconcertantes que enfrentamos. Mas, Fix you (Consertar você) apesar de ter um tom melancólico e triste, ressalva que há uma luz no fim, onde tudo vai melhorar. Essa letra não tem um ensinamento a toa, Chris Martin, um dos vocalistas da banda fez essa música em 2005 com intuito de ajudar sua esposa, Gwyneth Paltrow, à superar a morte do seu pai, o cineasta Bruce Paltrow. Ele chegou até a usar na gravação no estúdio, um órgão que pertencia ao Bruce, para completar a homenagem e o apoio. Hoje em dia os dois estão separados, mas claro que essa dedicatória ela nunca esquecerá.

Anna Júlia

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Anna Júlia Werneck, a jornalista que inspirou o hit de Los Hermanos

“Quem te ver passar assim por mim, não sabe o que é sofrer”. Esse é um dos trechos da música Anna Júlia, popularizada em 1999 no Brasil e em várias partes do mundo. A história por trás desse clássico é que assim como Garota de Ipanema, existiu uma Anna Julia de verdade. Ela foi uma paixão da faculdade de jornalismo na PUC-Rio do vocalista da banda, Marcelo Camelo, e logo se tornou inspiração para esse hit que tocou a exaustão em todas as rádios. Representou uma verdadeira ruptura no estilo da banda, já que era um tipo de balada que eles não estavam acostumados a tocar e cantar, mas todos sabemos que deu super certo.

Tears in heaven

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Eric Clapton com seu filho Conor

Tears in heaven (Lágrimas no Paraíso) é um verdadeiro clássico feito pelo cantor britânico, um dos melhores guitarristas da história do rock, Eric Clapton (com ajuda de Will Jennings) em 1991. O motivo da canção enobrece ainda mais as qualidades desse grande artista. Clapton tinha problemas sérios com a cocaína e o álcool, o que acarretou em noites mal dormidas. Por consequência disso e dos compromissos profissionais, não via com frequência o seu filho Conor, que vivia na Itália com a mãe. Só o via quando estava sóbrio e acompanhado da ex-mulher. Um dia, foi liberado que pai e filho saíssem juntos, foram em um circo em Nova York. Por achar esse momento divertido para ambos, Clapton exigiu a sua ex-mulher mais momentos como aqueles. Mas, mal sabia que infelizmente seria o último. No dia seguinte, Conor de apenas 4 anos caiu da janela do quinquagésimo terceiro andar do prédio que estava com a mãe. Uma tragédia que fez o cantor britânico repensar seus atos e vícios e, além de tudo, homenagear grandiosamente o seu filho.

O mundo é um moinho

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Cartola, 1977

Cartola compôs esse marcante samba brasileiro em 1974. Além disso, foi regravada por outros grandes nomes da música, como Cazuza, Ney Matogrosso e Beth Carvalho. O mundo é um moinho conta sobre preocupações em relação a uma jovem que foi lançada ao mundo. No caso, essa é a Creuza Francisca dos Santos, que era afilhada da sua primeira esposa Deolinda, e se tornou filha do Cartola após a morte de Rosa do Espírito Santo, mãe de Creuza. Assim, a canção condensa as preocupações do pai com sua filha adotiva e suas opções de vida amorosas, já que no alto de seus 16 anos, como toda adolescente, começava se interessar pelos rapazes.

Hey Jude

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Paul segurando Julian Lennon

Beatles, banda britânica formada em 1960 por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, fez uma grande e aplaudível história no universo da música, especialmente por terem números astronômicos, como a venda de quase 1 bilhão de discos.  A canção Hey Jude (Ei Jude), foi um dos seus maiores sucessos, sendo composta por McCartney. E estourou mesmo com duração longa de 7 minutos, fato incomum na época. O que poucos sabem é que a motivação por trás do clássico envolve um ensinamento de amizade. Paul consolidou essa música em forma de apoio ao Julian,  filho de John Lennon com Cynthia Lennon, após a separação do casal, por uma traição do primeiro. O cantor britânico sempre foi próximo de Julian, que na época tinha apenas 5 anos e como ficou preocupado com o futuro do garoto, resolveu transmitir essa consideração em forma de melodias. Ah, e a mudança de Julian para Jude só aconteceu por efeitos sonoros.

Faroeste caboclo

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Renato Russo com Fê e Flávio Lemos, integrantes da sua primeira banda

Quase dez minutos de música, motivada por um único sentimento: ciúmes. É isso mesmo. Renato Russo criou essa música em 1979, mas só foi lançada em 1988 por seu grupo Legião Urbana. O ciúmes se deu por causa de uma garota… e o culpado? Um amigo seu da sua antiga banda, o Flavio Lemos, atual baixista do Capital Inicial. Renato era apaixonado platonicamente por uma prima, chamada Mariana, e Flavio sabia disso. Mas, o amigo do compositor não respeitou esse sentimento e em uma viagem para Búzios, que Russo não estava presente,  teve um romance com a garota. A prima voltou antes da tal viagem e contou para todos, para desagrado de Renato, que até acordou seu amigo no outro dia após escrever Faroeste Caboclo em apenas uma noite, o chamando de Jeremias, maconheiro e sem-vergonha, e se auto intitulando de Santo Cristo. Essa declaração foi do baixista em 2004, mas Renato, na década de 90, afirmou que não havia uma história de motivação para a criação da música. Até hoje não se sabe quem mentiu ou ocultou alguma coisa nessa história.

 

 

 

 

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