No batuque do folclore em Muqui

Folk e lore são palavras da língua inglesa e, respectivamente, significam povo e saber.  Unidas, são os conhecimentos tradicionais de um povo, que existem através dos costumes, tradições e superstições populares. O folclore é uma das expressões culturais do Brasil mas recebe influência de tantas outras culturas.

Os movimentos artísticos mantidos pelo folclore brasileiro espalharam-se pelo país em uma tentativa de manter viva essa herança cultural, de modo que ela não se perca pela história. As folias folclóricas ganharam força no Brasil no século XIX. E já em terras brasileiras, as regiões onde a cafeicultura era próspera como Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo, tornaram-se pontos principais de difusão cultural do movimento.

Em 1950 um pequeno município capixaba tornou-se grandioso ao sediar pela primeira vez o então Torneio de Folias de Muqui, que deu origem ao agora Encontro Nacional de Folias de Muqui. Passados mais de 60 anos de celebração, aconteceu em 12 de agosto o 67ª Encontro.

A folia de Reis é tradicionalmente uma manifestação cultural europeia que acontecia com um caráter de diversão. No Brasil essa festividade aborda temas religiosos. A representação folclórica acontece quase como uma peça de teatro a céu aberto, na qual os Reis Magos, em conjunto com os outros personagens, encenam a adoração ao sagrado. Participam do evento, adultos, idosos e crianças, a maioria da comunidade de Muqui e arredores. Como sempre cabe mais um na comemoração, pessoas de todo o país vão ao município e se juntam ao time de foliões. Todos em conjunto, sem distinção, para a perpetuação da tradição folclórica entre as gerações.

Muitos atores se reúnem para dar vida a Folia de Reis, cada qual com seu papel. Conheça os personagens principais.

Mestre de Folia em Muqui

Mestre de Folia em Muqui / Foto: Zanete Dadalto

O mestre: É o mais velho e principal integrante do grupo. Tem carta branca na administração do evento, sendo responsável pelos bastidores e também pela encenação nas ruas. O mestre pode ainda ser o elo entre as ideologias católicas e as de outras religiões.

Apresentação dos palhaços

Apresentação dos palhaços durante a Folia de Reis / Foto: Leandro Fidélis

O palhaço: Em um papel cômico e dissimulado o palhaço atua ora como soldado de Herodes, ora como o próprio Diabo. Muitas vezes com habilidades para saltos e acrobacias, os atores que o encenam, representam o lúdico e o profano. Apresentam-se com máscaras confeccionadas com pele de animais, penas, tecido, papelão e outros.

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Foliões em Muqui / Foto: Daniel Masaroni

Os foliões: Encenado por pessoas simples e geralmente de origem rural, representam a maioria dos participantes da festa, entre roupas coloridas e instrumentos de percussão. A tradição se mantém por duas vertentes, por um lado há a vontade de manter viva uma expressão cultural brasileira que existe de formas tão ricas. De outro, uma vontade pertinente de usar a música e outros instrumentos folclóricos como forma de enfrentar as intempéries sociais.

A indumentária: Não há uma regra sobre os trajes dos integrantes. Alguns atores vestem roupas coloridas, com chapéus enfeitados com flores e pequenos espelhos. Os bichos são quase sempre interpretados por crianças, que usam máscaras de coelhos, gambás, cutias e outros animais. 

Alguns alunos, junto com professores e funcionários da FAESA foram à Muqui acompanhar a Folia de Reis em sua 67ª edição.

Sobre o desafio do fotógrafo em registrar todos os elementos de um festival tão rico em detalhes, a professora de Fotojornalismo, Zanete Dadalto diz que a dificuldade é tentar registrar o máximo de informação possível. Sobre a organização da viagem, ela comentou o seguinte:

Através da página Rede de Memórias no Facebook, que é um projeto de extensão da FAESA, os alunos que se interessaram em participar do evento entraram em contato comigo e junto com a técnica de fotografia, Monica Oliveira, foi pensada toda a logística para realizar o projeto.”

Faesa Digital: Todos da equipe podiam participar da produção de fotos?
Zanete: Sim. Toda a equipe produziu material. Os equipamentos foram cedidos pela FAESA e cada integrante do grupo pode registrar seu olhar sobre o evento.

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O aluno de Jornalismo Alan Rodrigues em ação / Foto: Gabriela Zaupa

Havia um roteiro para as fotos ou era tema livre?
Não havia um roteiro. Foi pedido a cada um apenas para tentar registrar em cada foto o máximo de informação possível.

A técnica de fotografia da FAESA, Mônica de Oliveira, fala sobre o festival.

Faesa Digital: Apesar de laico, ainda há no Brasil muito preconceito em relação a outras religiões. Qual a influência de um festival que apesar de católico, reúne referências da Umbanda?
Monica: Quem frequenta as folias folclóricas, e especialmente a Folia de Reis, percebe a influência de outras religiões na concepção do evento. Mas, assim como o Brasil tem na sua própria cultura traços culturais variados, principalmente vindos da África, não é surpresa que alguns elementos sejam incorporados nas festividades. É muito claro o sincretismo cultural presente no nosso dia a dia, abordá-lo em uma festa que acolhe de forma tão rica, e agrega tanto no campo pessoal, quanto profissional, é fundamental para preservar uma cultura rica e sem preconceitos.

Perguntamos a Alan rodrigues (aluno de Jornalismo), qual a importância que ele vê na participação do aluno de Comunicação Social na cobertura da Folia de Reis.

É um festival que contribui muito para o aluno de Comunicação, mas todas as pessoas que participam do evento, ainda que de outra área, ganham uma bagagem cultual maneira. Muqui tem muita história e sentar na rua pra bater um papo com um Senhor, que vai te contar sobre a vida dele, é sem preço. É quase como voltar no tempo, você imagina tudo o que aconteceu ali no passado e depois, com a câmera, registra um pouco do que acontece agora.”

A Folia de Reis acontece anualmente no mês de Agosto, se você se interessou pelo festival, não perca tempo e já se programe para o ano que vem.