Criatividade: alunos superam expectativa em apresentação de trabalho

Existem outras alternativas para aqueles conhecidos modelos de trabalhos, como produzir um artigo e apresentá-lo com um power point. Tanto alunos quanto professores estão buscando outras formas de avaliação e inovando com trabalhos criativos.

Um exemplo disso acontece com a disciplina de Redação Jornalística I, do terceiro período de Jornalismo. A professora Emília Manente propõe o trabalho Livro de Leitura do Semestre, no qual os alunos escolhem uma obra sobre jornalismo e o apresentam para a turma. Um do requisitos mais importantes para a nota é a forma como será realizada a apresentação, criatividade e inovação contam muito.

Essa história do professor ser o cara que detém o conhecimento e que tem que passar esse conhecimento para os alunos, eu acho que é um pouco ultrapassada. Paulo Freire já falava que ninguém educa ninguém, a gente se educa reciprocamente”, opinou Emília.

proudA professora de Jornalismo fica muito feliz com o esforço dos alunos para escapar da mesmice, como foi o caso de um grupo do período noturno, composto por Jéssica Rodrigues, Julyete Ferreira, Natan Miguel e Rizia Alvarenga. “Eu os via e ouvia apresentando o trabalho e ficava encantada, porque eles gravaram um vídeo e foram muito além do que foi solicitado. Então isso dá um estimulo muito grande para gente, enquanto professor, esse trabalho que vai além da sala de aula“, contou a professora Emília sobre o trabalho apresentado por essa galera.

presos que menstruam
Capa do livro escolhido por um grupo de alunos

O grupo escolheu trabalhar com o livro Presos que Menstruam, de Nana Queiroz. A obra dá voz as mulheres que vivem nas prisões do Brasil e são tratadas como homens e com muita brutalidade. O trabalho dos alunos foi muito além do livro, o que encantou imensamente a professora, eles buscaram outras histórias de mulheres que sofreram com o sistema carcerário brasileiro. “Nós pesquisamos histórias com fontes que conseguimos. A Jéssica entrevistou uma menina daqui que foi presa e passou uns dias na cadeia, o Natan conseguiu uma carta super interessante que uma presidiária escreveu de dentro da cadeia para a Carmem Lúcia contando sobre coisas que ocorrem dentro dos presídios. E apresentamos um vídeo sobre a história de uma menina de 15 anos que foi levada para um presídio masculino no Pará”, disse a aluna Rizia Alvarenga.

Trabalhos como esse motivam os alunos a participarem muito ativamente nas aulas e nas produções, como explicitado por Rizia.

O legal de trabalhos com esta dinâmica criativa é que acaba saindo do óbvio e aquela monotonia que normalmente são as aulas. Fora que atividades assim nos mantém mais interessados na matéria e é uma forma mais fácil e divertida de aprendizado“, comentou Rizia.

A ideia que o grupo teve de produzir um vídeo surgiu depois de frustrações com outras ideias, provando que desistir não é uma opção. “A ideia foi fazer uma representação. Buscamos na internet algumas histórias e encontramos uma bem legal. Pegamos todo o material que lemos e produzimos um texto a partir daquilo, contando o que tinha acontecido como se fosse a própria presidiaria”, acrescentou a estudante sobre a apresentação do grupo.

Após a apresentação o grupo conseguiu trazer para a sala de aula um sentimento de empatia e sororidade, iniciando também uma discussão na turma sobre um assunto que costuma ser ignorado.

 

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