Violência nos campos é abordado na Jornada Científica

A abertura da 16ª Jornada Científica e Cultural FAESA, do curso de Comunicação Social, que teve como tema a Violência: Os dilemas da Comunicação na Contemporaneidade, recebeu a presença de Valmir Noventa que retrata a realidade e a violência que os trabalhadores sofrem no campo.

12112243_997259526992038_6548806370267351572_n
Bandeira do Movimento dos Pequenos Agricultores / Foto: divulgação

Criado em 1996, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) é um movimento de origem camponesa, de caráter popular e nacional. Seu objetivo principal é de produção de comida saudável para as próprias famílias camponesas e também para todo o povo brasileiro, assim, garante que todo o Brasil se alimente, deixando a fome de lado. Além disso, busca o resgate da identidade e da cultura camponesa, respeitando as diversidades regionais.

Esse objetivo é trabalhado através de feiras de produtos orgânicos, procurando oferecer alimentos de qualidade para o trabalhador brasileiro. A proposta das feiras é trabalhada por meio de parcerias para que os produtos cheguem aos consumidores, ou seja, empresas acessíveis para os trabalhadores e que possuem respeito ao meio ambiente.

Palestra

Valmir Noventa, coordenador do movimento, mostrou a realidade dos trabalhadores rurais, os quais sofrem violência por parte do Estado, mídia e grandes empresários. Ele cita um exemplo de uma população quilombola do norte do estado, em que alguns participantes foram presos e são duramente criminalizados por apenas fazer parte desse movimento social.

Na palestra, ele apresentou aos alunos o objetivo do movimento, que é a produção de alimentos sem agrotóxico e o resgaste da cultura e da identidade do campo, como já dito anteriormente.

Valmir apresenta a pauta do movimento, dizendo que está de acordo com a lei da constituição brasileira, porém, isso não impede que o Estado interfere em tal organização. Logo, ele responsabiliza o sistema capitalista pela banalização desses movimentos, principalmente através da mídia.

Nós estamos enfrentando um momento muito crítico para esses movimentos de resistência no campo, em virtude de que o capitalismo não conseguiu dar resposta para a sociedade perante o modelo crítico de produção agropecuário. Assim, se intensifica a violência contra os movimentos que defendem a população rural”, diz Valmir.

Entrevista

O Faesa Digital fez uma entrevista com o coordenador do MPA para saber um pouco mais da sua história, confira:

Valmir_web
Valmir Noventa trabalhando no campo. Foto: divulgação

Faesa Digital: Nos fale sobre o seu histórico, onde nasceu e quando começou a engajar nos movimentos sociais.
Valmir José Noventa: sou camponês de origem e pequeno agricultor. Nasci no município de Colatina, vivi toda a minha infância e juventude no Rio Bananal, onde iniciei a militância nas comunidades eclesiais de base e, posteriormente, junto com a comissão pastoral da terra. A partir daí, fui me engajando no Movimento Sindical. Em 1991 me mudei para São Mateus e em 1996 surgiu o Movimento dos Pequenos Trabalhadores. Eu já tinha feito parte da fundação do movimento daqui do Espírito Santo, então estou até hoje na militância do movimento. E no movimento sou da coordenação nacional e contribuo para a coletiva de formação do movimento.

Qual a composição do movimento?
O movimento é composto por diversos coletivos, que são instâncias organizativas do movimento, na qual debatem os assuntos e levam para a coordenação decidir o que fazer.

O que te fez entrar para entrar nessa luta?
O que me faz entrar nessa luta é a causa camponesa, a defesa do direito do povo do campo, a soberania alimentar, o resgaste da identidade e da cultura do povo do campo e a defesa do território e do meio ambiente.

Qual a estratégia usada pela MPA para alcançar seus objetivos?
A grande estratégia é a produção de alimentos saudáveis com soberania alimentar para o povo brasileiro, porque não basta só produzir alimentos, é preciso que esses alimentos cheguem na mesa de quem consome, ou seja, empresas acessíveis para os trabalhadores e com respeito ao meio ambiente. Além de lutar pela produção de alimentos, a gente precisa lutar por um novo projeto de nação com o horizonte socialista, porque dentro do capitalismo a classe trabalhadora sempre vai ser marginalizada. Então, não basta somente produzir alimentos saudáveis e os trabalhadores permanecerem dessa forma, é preciso que a gente construa, junto com as organizações, uma visão da nova sociedade anti capitalista. Por isso, essas são as bandeiras e as principais plataformas de ampliar. E eu, enquanto militante da organização, tenho convicção que essa estratégia está correta, ela é afirmativa e precisa avançar.

Qual tipo de violência o MPA enfrenta? De que maneira isso ocorre?
A violência é mais aprofundada na questão dos movimentos sociais. A pauta geral dos trabalhadores do campo mostra que temos que negociar com o Estado e pressioná-los, pois sabemos que a pauta “negociada” só da lucro para o governo, os trabalhadores só tem resultado quando ocorre um confronto, jamais no diálogo ali na mesa, onde a gente só sai perdendo. Infelizmente enfrentamos essa realidade.

Como a mídia retrata isso?
A ideia criada na sociedade é que precisamos estar sempre em desenvolvimento econômico, então é possível desenvolver e produzir mais para melhorar a vida das pessoas, o que é uma ilusão. Assim, a visão da população para os movimentos ainda está muito conservadora, por causa da marginalização da própria mídia, que passa uma mensagem em que esses movimentos atrapalham a vida da sociedade e atrasa o desenvolvimento econômico. Tem que crescer, é claro, mas crescer com distribuição de renda, sem agredir o meio ambiente.

201013_MPA_ValmirNoventa_SyaFonseca_01
Valmir Noventa. Foto: Syã Fonseca/Agência Porã

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: