Texto desenvolvido pelos alunos Pedro Permuy e Daniela Aquino para a disciplina de WebJornalismo ministrada pela professora Marilene Mattos.

De janeiro a agosto deste ano foram registrados 1,4 mil denúncias; maior parte das vítimas é mulheres

O Espírito Santo teve 20% mais denúncias de crimes cibernéticos, em comparação ao mesmo período do ano passado. Além disso, desde o início do ano até o mês de agosto a Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos já contabilizava 1,4 mil ocorrências relacionadas a fraudes na internet e cyberbullying. O comportamento de atacar o outro nas redes sociais, por exemplo, traumatiza até mais do que um estupro, como revela pesquisa da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

De acordo com o especialista em crimes virtuais Eduardo Pinheiro, a evolução tecnológica e a facilidade de acesso às redes sociais faz com que o número de ocorrências negativas aumente.

No Brasil já são mais de 100 milhões de usuários. A falsa impressão do anonimato e a questão da comodidade também colaboram para essas atitudes que são, de fato, criminosas”, dispara.

Pinheiro garante que das ocorrências que são registradas no Estado, a maior parte delas se dá por crimes contra a honra, posto como injúria, calúnia e difamação. “Crimes contra o patrimônio também são frequentes, e acontecem quando envolvem transações financeiras e invasões de contas bancárias por meio da internet”, frisa.

O especialista pondera que os pais também precisam ficar atentos à pedofilia digital. “A criança não sabe como agir, muitas vezes é induzida, os responsáveis precisam colocar limites e não tirar o olho do que esses jovens estão vendo na internet”, finaliza.

gráfico proporçõesPara Pinheiro, as vítimas são mais mulheres, e o motivo para essa classificação é simples: pornografia de vingança. “Quando o ex-parceiro está insatisfeito com o término do relacionamento e deseja se vingar, ele expõe a intimidade da vítima e, em outros casos, simula uma paixão com uma terceira vítima para extorqui-la e cometer outros crimes”, detalha.

Cyberbullying traumatiza tanto quanto estupro, revela pesquisa

É melhor começarmos a pensar em deixar as trocas de farpas de lado nos tribunais das redes sociais. Isso porque, lá, considerada por muitos terra de ninguém, todos assumem a postura de juízes e emitem opiniões sem pensar no quanto essas agressões podem atingir quem as lê.

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Sara Casteluber explica como cyberbullying afeta psicológico (Foto: Pedro Permuy)

A psicóloga Sara Casteluber esclarece que, embora a pesquisa apresente dados reais e traga resultados verdadeiros, os tipos de trauma que o cyberbullying e o abuso sexual geram não podem ser comparados friamente. Assim como, de acordo com ela, a idade tem que ser levada em conta na hora da análise. “Um adulto tem muito mais maturidade para lidar com essas situações do que crianças, e o que isso vai gerar na cabeça de cada um é, respectivamente, diferente”, diz.

Para ela, o fato em si dificilmente poderá ser evitado, já que a tecnologia atualmente é algo inerente ao ser humano. No entanto, existem atitudes que podem educar o jovem a lidar com essa violência. “Os pais precisam estar atentos quanto ao que os filhos estão tendo acesso. E também porque se ninguém ficar sabendo, essa criança pode se retrair e sofrer sozinha, o que é pior ainda”, pondera.

Sara destaca que, inclusive, esse é um comportamento típico de quem sofre cyberbullying. “Qualquer agressão vai fazer o sujeito ficar mais quieto, calado, andando de cabeça baixa. Isso precisa ser observado para que seja feita uma intervenção”, justifica, alegando que esse é – também – um comportamento que pode anteceder um quadro de depressão.

Ouça trecho da entrevista com a psicóloga Sara Casteluber.

Serviço

Denúncias devem ser feitas na Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos, Santa Luzia, Vitória, por meio do telefone (27) 3137-2670.

 

Publicado por:Daniele Canholato

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