Aproveitando a semana do Dia Nacional do Surdo, vamos falar dos alunos com deficiência auditiva que estão na FAESA e como é feito o acolhimento e a inclusão desses alunos na instituição com as aulas em Libras. Apesar de existir uma lei que obriga a presença de intérpretes em repartições públicas, muitas instituições não possuem essa opção para atender os que precisam.

Na FAESA, existem as aulas de Libras que são obrigatórias para os cursos de licenciatura e optativas para os outros cursos. Durante a manhã, temos na instituição dois alunos surdos e a noite outros dois, além da professora Elisângela que também é surda. Mesmo como uma matéria optativa para cursos que não tem licenciatura, as intérpretes contam que muitos alunos se interessam e participam das aulas.

A professora Elisângela fala da importância das aulas de Língua de Sinaias.

É importante a sociedade conhecer a comunidade surda e ter essa inclusão de interagir com o surdo. No inglês, a maioria das pessoas falam inglês como uma língua a mais. E a Libras é mais uma forma de linguagem para se comunicar”, explica.

Durante a entrevista, com a presença das intérpretes Camila e Amábele, o aluno Felipe Vital, do curso de Arquitetura e Urbanismo e que é possui uma deficiência auditiva, conta que a maior dificuldade para ele está em consultórios e hospitais.

O surdo quer ir ao médico e precisa de um interprete especializado na área para ir com ele. Por exemplo, o médico escreve a receita e mostra para eu ler, mas eu não entendo. Ele não sabe se tenho alergia a algum medicamento porque não há a comunicação. Sozinho não dá para ir”, relata.

A aluna Leticia, também de Arquitetura e Urbanismo, encontrou dificuldades para tirar sua carteira de motorista por falta de intérpretes no DETRAN, que é um órgão público. “Não tem pessoas para fazer o som entre o surdo e o ouvinte. Reprovei na primeira vez que fiz a prova de motorista. É difícil, de primeira eles não me aceitaram e não aceitaram o intérprete. Muito difícil ler e entender as placas, o que me ajudou foi o visual”, conta.

Inclusão

É muito importante a presença de intérpretes de Libras nas instituições, mas vale ressaltar que o preconceito por parte dos ouvintes também precisa ser trabalhado. Cláudia Gonçalves é gestora do Núcleo de Acessibilidade que faz parte do CODE e conta que os ouvintes não entendem a importância do Dia do Surdo.

Certa vez eu ouvi que o Dia do Surdo não deveria ser comemorado porque é a falta de algo. Mas na verdade, essa ideia não tem sentido, a comunidade surda se enxerga como uma cultura e uma outra forma de ser e estar no mundo que precisa ser respeitado. Nós, que somos ditos como “normais”, temos essa dificuldade no nosso tempo de olhar para o outro e ter empatia”.

A comunidade surda, como se identificam, se reúne para tentar buscar seu espaço  e o respeito por parte das outras pessoas, para que nós possamos olhar o diferente como algo normal e que ele compõem a nossa sociedade. Vivemos em uma sociedade que tenta o tempo inteiro mostrar nossas fraquezas e o Dia do Surdo é uma forma de luta e protesto por inclusão e acessibilidade.

Publicado por:Karol Paresqui

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