Entenda o que é relacionamento abusivo

Textos desenvolvidos pelas alunas Laís Magesky e Mirella Ebani,  para a disciplina de WebJornalismo ministrada pela professora Marilene Mattos.

O termo é explícito, mas muita gente não sabe o significado. O relacionamento abusivo é aquele marcado por excessos de abusos de ordem física, psicológica e verbal. Às vezes há uma dificuldade em perceber que se está numa relação assim, já que envolve uma gama de afetos ligados ao relacionamento que são conectados a ideia de amor e cuidado.

Ciúme obsessivo, culpabilização, chantagem e comportamento explosivo e controlador podem ser indícios de que o seu parceiro – ou parceira – é abusivo. Infelizmente, algumas pessoas encaram essas características como algo normal.

Muitas vezes o ato de bater em alguém pode ser considerado normal em determinado contexto e não em outros, mas se trata claramente de um abuso de poder se analisarmos a questão sob uma ótica do cuidado da vida”, esclarece a psicóloga Sara Casteluber.

Uma estudante que não quis se identificar disse que já vivenciou esse tipo de relacionamento e explicou a complexidade de superar. “Todas as minhas amigas me alertavam e eu não acreditava que aquilo estava me prejudicando. Eu excedi todos os meus limites, até que resolvi aceitar que estava vivendo um relacionamento abusivo”, conta, ouça parte do relato abaixo.

Depois de muitos meses depois do término, eu consegui voltar a minha rotina normal e à minha sanidade mental também. De vez em quando repenso no tempo que eu perdi acreditando naquele relacionamento”, conclui a estudante.

Saída

A psicóloga Sara também explica que o relacionamento normal passa a ser abusivo quando há uma invasão do limite do outro envolvendo variadas formas de desrespeito a vida e à integridade do parceiro. Ela fala que a saída para esse tipo de situação é a pessoa sempre se colocar em análise como sendo sempre o cerne principal da própria vida e que cabe a cada um de nós a responsabilidade pelo nosso próprio bem-estar.

“É bom ficar atento e procurar de imediato ajuda. Entra aqui o primeiro centro de ajuda que temos que são amigos e família. A ajuda profissional também é uma outra possibilidade de auxílio”, explica Sara

Relacionamentos abusivos também existem no trabalho

O relacionamento abusivo no trabalho, ou assédio moral, como é mais conhecido, é um problema recorrente e muito discutido nas organizações. Porém é algo que está longe de ser resolvido.

Quando se fala de abusos no local de trabalho, aborda-se basicamente situações em que um indivíduo é exposto por outra ou por um grupo de pessoas. Ele passa a sofrer humilhações, sofrer ameaças – principalmente de superiores, tomar broncas desproporcionais ou sem razões para tal. O assédio pode ser psicológico, emocional e físico.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo site Vagas.com e publicada com exclusividade pela BBC Brasil, dos 4.975 profissionais entrevistados de todas as regiões do país, 52% disseram ter sido vítimas de assédio sexual ou moral. E, entre quem não passou por uma situação de assédio, 34% disseram já terem presenciado algum episódio de abuso.

“Já tive vontade de faltar várias vezes”, relata a auxiliar de serviços administrativos, 32 anos, que preferiu não se identificar. Apesar da vontade de não comparecer a firma em que trabalha, ainda continua no emprego pois não tem condições de largar a vaga por enquanto. “Os abusos partem dos meus patrões, principalmente na questão de horários. Faço hora extra a pedido deles e não recebo o tempo que trabalhei a mais. Não tenho escolha, eles não aceitam ouvir um não”.

GRAFICO (1)

A auxiliar de serviços administrativos conta que já chegou a ficar doente por conta do estresse diário e a carga extrema de serviços que fica por responsabilidade dela. “Já passei por uma situação em que um dos meus chefes começou a gritar comigo na frente dos meus colegas por conta de algo que eu sequer havia feito”, diz. Segundo ela, por causa de acontecimentos assim acaba se sentindo muito desmotivada.

“Ainda não existe uma lei para lidar com o assédio moral no Brasil”, explica a advogada Isabela Carletto. Segundo Isabela, o assédio moral é uma prática reiterada. Ou seja, deve acontecer várias vezes vindo da mesma pessoa – especificamente um superior hierárquico do empregado, para que possa se tornar um objeto de denúncia.

A advogada sugere que se um funcionário está passando por momentos difíceis no trabalho, deve procurar na própria empresa um órgão que possa cuidar disso sem que ele se prejudique. “Em casos onde a empresa não possui um espaço para denúncias, fica a critério de o funcionário entrar com uma ação na Justiça do Trabalho. Nessas circunstâncias, tem respaldo a danos morais, mas ainda assim é baseado em práticas reiteradas”, complementa.

Papel da empresa

Na medida em que as organizações têm ampliado os debates sobre ações éticas e morais dentro de uma organização, o tema assédio se tornou bastante importante. Inclusive, influenciou na criação de órgãos internos pare resolver esses casos sem ter que recorrer a processos judiciais e mais exposições.

A gestora de Recursos Humanos Katia Vasconcelos explica que cada vez mais as empresas vêm apostando em ações internas de conscientização para que prevenir casos de assédio moral.

Elas colocam isso de forma clara no código de ética e conduta, e que é dado aos empregados no ato da admissão para que eles assinem, tendo conhecimento do código e o compromisso de praticar”.

 

 

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