Suicídio: a divulgação incentiva?

A mídia não divulga casos de suicídio para não incentivá-los, mas tratar o assunto como tabu pode tirar a chance de ajudar uma pessoa

Falar sobre mortes em um jornal já é complicado, ainda mais quando o tema em questão é o suicídio. O assunto gera um grande tabu, seja pela obscuridade ou pela estigmatização. Existem muitas motivações, mas na maioria dos casos, uma situação desesperadora pode levar ao suicídio.

A imprensa se mantém calada sobre o assunto por temer que a divulgação incentive o suicídio ou por entender que é um ato com motivações pessoais. Mas deixar de tocar nesse assunto não causa diminuição nos casos, só traz desinformação aos leitores e tira a chance de se discutir a respeito disso. Os jornais têm o desafio de falar sobre o assunto sem causar problemas, mas como tratar o suicídio sem incentivá-lo?

O jornalista Wing Costa, 26, produziu uma matéria sobre suicídio e conta que o tema é difícil de se tratar, pois dependendo da abordagem pode afetar vidas.

Trabalhar com suicídio no jornalismo é uma loucura, porque o tema é um tabu e vai continuar sendo, infelizmente. Temos cuidados profissionais com o material, porque estamos mexendo com vidas que foram afetadas por isso e podem continuar sendo afetadas se a reportagem acabar sendo mal sucedida ou irresponsável”, disse Wing.

O professor de psicologia, Adriano Pereira Jardim, 45, acredita que a divulgação de casos de suicídio em veículos de comunicação depende do tratamento dado ao fato. “Depende da divulgação e do tratamento dado ao suicídio, porque a imprensa pode tratar o caso com sensacionalismo. Mas não tenho dúvidas de que negar e ignorar essas ideias suicidas não é saudável, é preciso trabalhar isso como um dado de realidade”, disse Adriano.

O professor completa dizendo que não existe uma maneira simples de enfrentar esse assunto, mas os jornais devem se atentar à não sensacionalizar o ato.

Temos que ter um cuidado para não valorizarmos o suicídio. Não pode elogiar pois isso causa um impacto, alguém pode ler e pensar em cometer suicídio. Não há uma maneira simples de lidar com isso”, completou.

Nem o silêncio, nem o sensacionalismo, discutem a prevenção ao suicídio. Não se deve abordar o assunto como algo positivo. Mas é inegável a importância da divulgação correta, para que as pessoas possam se informar sobre o assunto e aliviar o sofrimento.

Setembro amarelo

No mês de setembro é realizado um período de conscientização e prevenção ao suicídio. A campanha consiste em iluminar e sinalizar prédios e monumentos públicos e promover ações ligadas ao suicídio. O objetivo da campanha é conscientizar a população sobre o assunto. A prevenção pode salvar vidas.

Serviço

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo gratuitamente todos que querem e precisam conversar, sob total sigilo 24 horas todos os dias pelo telefone 188.

Texto desenvolvido por Ygor Cássio do 6° período de Jornalismo para a disciplina de WebJornalismo ministrada pela professora Marilene Mattos.

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