Violência: a pauta que não sai da agenda

Texto desenvolvido por Thais Rossi e Larissa Barcelos do 6° período de Jornalismo para a disciplina de WebJornalismo ministrada pela professora Marilene Mattos.

A violência é assunto na agenda das mídias. Mas qual a influência exercida pelo jornalismo na construção de políticas públicas para diminuir esses números? Qual papel deve ser exercido e quais os principais desafios do comunicador enquanto mediador da informação?

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A mídia influencia o aumento da violência?

O sociólogo Antônio Alves de Almeida diz que não se pode generalizar que a mídia incita a violência. A discussão gira em torno da globalização, que tende a aumentar a exclusão social. Já a exposição e repetição da mesma coisa todo o tempo faz com que a pessoa comece a aderir, mesmo que de forma inconsciente, a práticas violentas.

“Esse consumismo força a exclusão social. Parece contraditório, mas não é. Leva a essa violência. Vivemos em um sistema violento não porque as pessoas são, mas porque o modelo politico e econômico é violento. As boas práticas estão sendo sufocadas. E essas redes mostram isso com muita frequência”.

Almeida ressalta que as coisas boas não são divulgadas com a mesmo ênfase. Para ele, isso tem o propósito de vender, ganhar curtidas e comentários, em tempos de redes sociais. A sociedade quase não fala mais em solidariedade. Fala-se em liberdade e igualdade, mas são coisas que só ficam no papel. O individualismo prevalece, se manifesta nessa reprodução do negativo e vira uma bola de neve.

Estamos na época do pão e circo. E a mídia, em linhas gerais, tem papel fundamental nisso. Creio que as pessoas gostam do que é bom. Cachorro não gosta de osso. Gosta de file mignon. Mas você só do osso e acha que ele gosta. Os alunos não gostam só de musicas violentas, sobretudo os mais pobres. Gostam de Beethoven e Chopin, mas nós não damos isso a ele. Então eles vão consumir normalmente o que damos”.

Polícia

Para a repórter de polícia Simony Giubert, informar acerca da segurança pública não é tarefa fácil e pede atenção integral do repórter. É preciso ter cuidado com as matérias policiais, tanto ao preservar a identidade de uma vítima, como escrever sobre um acusado de roubo. Uma boa cobertura exige, acima de tudo, ética.

O bom jornalista sempre consegue a informação. Ele cativa as pessoas, comunidade, vítima, e assim, ganha a sua confiança e consegue escrever a sua história. Esse é um desafio”, afirma Simony Giubert.

Para o editor Rafael Moura, o repórter de polícia é o termômetro na rua, para avisar se a ocorrência é fraca ou quente. O papel dele é decidir o que tem mais relevância e determinar o que será publicado. De homicídios a crimes contra patrimônios, a grande quantidade de violência é desgastante, pesa, não é trabalho fácil e pede apuração. “Fazemos o que pudemos: questionamos, mostramos locais que têm ocorrido crimes, pedimos providências. Um jornalista e um cidadão serão sempre ativos enquanto mantiverem a indignação. No dia que isso for perdido, o jornalista pode deixar a profissão. Escrever sem pensar não vale nada”, afirmou.

Violência, se divulgar aumenta?

Entende-se que para tornar pública qualquer reportagem, é preciso ter por base uma série de mecanismos que tornem praticamente impossível a eventualidade se atingir injustamente a reputação de alguém ou alguma entidade. É preciso alertar, conscientizar e sensibilizar a respeito da gravidade do problema na sociedade, mas caso a cobertura da violência seja feita de forma errada, pode incentivar a população a cometer mais delitos.

O jornalista Gustavo Gouvêa diz que o intuito da cobertura da violência nunca foi estimular as pessoas, mas sempre retratar um fato, colocando a problemática em questão para que possa ser resolvida pelos órgãos competentes.

Ela não deveria estimular, mas nós temos alguns programas que utilizam da violência como espetáculo e nesses casos, quando é retratada de forma irresponsável eu acho que ela pode incitar a violência sim”, ressalta Gouvêa.

violência

Para o professor de jornalismo Fabiano Mazzini, existe um campo razoável de manobra para que se garanta o direito do público ser informado e a garantia de que essa informação seja transmitida dentro de normas de qualidade e respeito ao público.

Ainda segundo Mazzini, o problema é decorrente a forma que a divulgação é realizada. “Isso tem a ver com a maneira pela qual os veículos, sobretudo a televisão, passaram a tomar o noticiário da violência urbana nas cidades brasileiras como narrativas espetaculares, próximas ao ficcional, de forma a atrair a atenção do público”, afirma.

Já o psicólogo Marcelo Montanha diz que é preciso ter ética e bom senso na divulgação das notícias. Ele aponta que a qualidade do material é decorrente a forma que é passado para o público. “As pessoas precisam ser honestas e colocar nas matérias a verdade, mas também é preciso se colocar no lugar de quem está lendo. Será que é uma boa forma de receber? Será que eu gostaria de saber essa informação dessa maneira? É preciso pensar antes de qualquer atitude”, explica Montanha.

 

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