Protesto contra ataques raciais acaba se virando contra Donald Trump

O presidente norte-americano Donald Trump vem se envolvendo em polêmicas desde a posse do seu governo. Dessa vez, Trump direcionou respostas mal educadas aos atletas da NFL (Liga Nacional de Futebol Americano) que protestaram contra o racismo durante a execução do hino norte-americano que é cantado pelos jogadores e torcedores antes dos jogos. Segundo o presidente, os responsáveis pela liga deveriam demitir os atletas.

Diversos atletas, a maioria negros, ajoelharam-se durante o hino, como ficou marcado o protesto do quarterback Colin Kaepernick, do San Francisco 49ers, que se recusou a ficar de pé durante o hino nacional americano antes de uma partida amistosa em Santa Clara, na Califórnia. A atitude também foi registrada no jogo entre Jacksonville Jaguars e Baltimore Ravens, disputado no estádio Wembley, em Londres. O dono da franquia do time na Flórida, Shahid Khan, é do Paquistão e fez questão de se juntar aos protestos, ficando de braços dados com jogadores do time, outra forma de manifestação adotada.

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Jogadores se ajoelham antes de jogo NFL Jacksonville Jaguars vs Baltimore Raven.

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Shahid Khan, dono da franquia do time Jaguars, de mãos dadas com os jogadores.

O presidente norte-americano, óbvio, não ia deixar os protestos dos jogadores passarem em branco. Trump recorreu às redes sociais para expor o que pensa sobre a forma que os atletas estão se manifestando durante o momento do hino nacional norte-americano antes do jogo.

“Se ajoelhar não tem nada a ver com a raça. É sobre respeito pelo nosso país, pela nossa bandeira e pelo nosso hino. A NFL deveria respeitar isso”, Trump disse em seu Twitter.

Opinião

Os protestos contra Trump se inspiraram no protesto do jogador Colin Kaepernick, do San Francisco 49ers, que se recusou a ficar de pé durante o hino nacional americano antes de uma partida amistosa em Santa Clara, na Califórnia, em protesto aos ataques às minorias raciais. Um protesto que, por mim, é considerado legítimo por defender um povo que é ameaçado pelo próprio Estado e, pelo que Donald Trump vem expondo, só ofendeu ao hino do país. O grito deles é muito maior do que um pirraça de não cantar o hino, de não enaltecer ao país. É se sentir parte do lugar onde vive.

O que é o desrespeito ao hino nacional diante de um protesto civilizado contra a violência, os assassinatos, a miséria, a inferiorização e o preconceito a que os negros norte-americanos estão sujeitos a todo instante?

O protesto que começou contra os ataques raciais norte-americanos acabou virando-se contra Donald Trump por ele não entender a que se deve toda essa comoção nos gramados e expor suas respostas mal-criadas no Twitter.

Os atletas perceberam que era o momento de fazerem seus gritos contidos contra a violência racial do Estado serem ouvidos. E talvez o silêncio da irreverência tenha falado mais alto ao presidente que insiste em dizer que eles estavam errados e devem ser demitidos quando, na verdade, prefere fingir que o problema resume-se em não dar valor ao país onde vive por não cantar o hino.

Uma pena, querido presidente. O problema do racismo nos EUA (e no mundo) é muito maior do que desrespeito à pátria.

Repercussão

Em uma das maiores ondas de protestos que a NFL já viveu nos últimos tempos, os dirigentes dos times da liga procuram uma forma de decidir seus próximos passos. Eles estão procurando uma forma de medir o desejo dos jogadores de rebater às críticas diárias do presidente aos protestos.

A liga deverá se reunir para decidir mas o provável é que eles prefiram acabar com os protestos por questões pessoais e por risco de irritar ainda mais o presidente, mas ao mesmo tempo terão cuidado para que não tenham uma postura autoritária.