Grupos do Whatsapp aliados até ao mundo empresarial

O Whatsapp, pelo tamanho da sua potencialidade, vem ultrapassando a cada dia as barreiras da comunicação individual, sendo presente e usado agora por empresas de diferentes ramos.

Não é de se espantar que funcionários da Uber, caminhoneiros ou empresas administrativas se agrupem e compartilhem assuntos em comuns relacionados as suas funções. No caso dos dois primeiros, temas como trânsito, congestionamentos são frequentes para evitar complicações ao exercer seu trabalho, já no último, reuniões, notícias que envolvem a profissão, são comuns.

Segundo dados de uma pesquisa promovida pela Embratel, ficou constatado que mais de 55% das organizações já utilizam o Whatsapp. E isso acontece por ser um serviço gratuito, ágil, móvel, necessitando apenas de um celular e Wi-fi para funcionar.

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Exemplo do uso do WhatsApp por empresas / Foto: Fretebras

Pensando nessa elevada utilização, o aplicativo já vem formulando e testando versões especiais para empresas que em breve serão disponibilizadas. Uma dessas versões seria voltada para empresas pequenas, chamado WhatsApp Business e outra para companhias maiores, como companhias áreas, sites de e-commerce, identificado como Enterprise. Essas novas versões possibilitariam notificar clientes em relação a horários de voo, confirmações de entrega, dentre outros. Além disso, outras funcionalidades facilitarão a vida e rotina empresarial. É um perfil empresarial diferentes dos demais perfis de usuários do aplicativo, em que endereço, horário de atendimento e uma descrição da empresa estarão presentes.

Notando esse avanço de relação de empresas com seus funcionários pelo WhatsApp, conversamos com o professor de psicologia  Ronaldo Pazini Marangoni, que esclareceu os cuidados que os últimos devem ter na utilização e em impor próprios limites, além da tendência para os próximos anos do aplicativo de conversação.

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Foto ilustrativa: Expressa Design

Entrevista

Faesa Digital: Em relação ao meio empresarial, como o WhatsApp pode ser bom para as empresas e seus profissionais?
Ronaldo Maragoni: Como tudo na vida, ele pode ter uma boa aplicabilidade ou uma má aplicabilidade. A boa é a agilidade, em que você pode se comunicar com muito mais rapidez e eficiência que o próprio e-mail, facilitando muito a comunicação dentro do contexto organizacional. E agilidade no processo comunicacional é fundamental: já que se não informar de forma clara, os boatos surgem com muita rapidez. Então, se bem utilizado, evita a construção de boatos, fornece informações em tempo real do que está acontecendo no meio organizacional, permitindo até que as pessoas utilizem ele como forma de divulgar os valores, metas da organização.

E como pode ser ruim?
Por outro lado, isso também pode gerar no trabalhador um certo problema, porque ele não vai desligar nunca e pode até extrapolar o tempo de trabalho dele. Isso acontece no sentido que o trabalhador pode receber mensagem a qualquer momento, inclusive no horário de descanso, o sobrecarregando, fazendo que ele responda questões de trabalho fora do ambiente profissional. Existem possibilidades de gerar estresse e desgaste do indivíduo na relação do trabalho. Mas, se houver respeito da qualidade de vida do trabalhador, se torna uma ferramenta fantástica.

Como o profissional pode ferir a etiqueta naqueles grupos profissionais do aplicativo?
As pessoas não podem esquecer nunca é que posso ter relações mais íntimas com outras, o que permite uma linguagem mais coloquial, piadas, brincadeiras até uso de palavrões devido o grau de intimidade entre as mesmas. Mas, quando isso se mistura no contexto de trabalho pode ser algo perigoso. As pessoas se esquecem, pela informalidade que aparentemente o WhatsApp apresenta, que “posso” utilizar a ferramenta de uma forma sem se preocupar com o processo de etiqueta: não dando bom dia, esquecendo de agradecer, abreviando muito termos, usando linguajar não adequado. Pessoas já foram demitidas por e-mail mal interpretados ou mensagens descuidadas. Todos cuidados que se tem com outros processos comunicacionais, deve-se ter com o aplicativo também.

Qual o conselho que você pode dar nesse caso?
O conselho que se dá em linhas gerais é que se tem que entender a função do WhatsApp, não só com informalidade. O que não impede que o indivíduo tenha um grupo informal, sem ligação com o trabalho. Esse grupo tem todo o direito e liberdade possível, mas o ambiente de trabalho não.

Como evitar o uso do Whatsapp na hora de trabalho e estabelecer limites?
É muito difícil. Se você utiliza o Whatsapp como forma de comunicação dentro da organização, não posso questionar o trabalhador de estar com o celular na mão. Por isso, como a empresa vai avaliar se ele está usando as redes sociais como forma profissional ou de forma particular e de entretenimento? Às vezes algumas organizações colocam regras, em que você não pode acessar determinados sites. Mas, vai muito do bom senso do trabalhador. Logo, esse controle cabe ao próprio indivíduo e na medida do possível com a organização estabelecendo algumas medidas para isso.

Qual a tendência ao passar do tempo do uso do aplicativo no meio empresarial?
A internet veio pra ficar e obviamente a tendência é que ela vai ser cada vez mais utilizada. Acredito que a grande questão é mediação: como cada indivíduo vai lidar com esses instrumentos, já que podem arruinar a carreira de alguém ou alavancar a carreira de alguém. Então, as empresas precisam aprender sempre a lidar melhor com essas ferramentas, utilizando ela para reforçar seus objetivos e valores presentes na organização. E o profissional tem que saber utilizar também para facilitar o trabalho dele e criar uma boa imagem junto ao mercado.

Foto em destaque: Expressa Design

Já viu a primeira matéria dessa série especial de reportagens sobre o WhatsApp? Se não, veja agora. Conta várias curiosidades interessantes sobre o aplicativo!!