Como as cooperativas vão tirar a economia do atoleiro?

Reportagem especial do Faesa Digital responde essa e outras questões trazendo histórias de cooperados que comprovam: cultivando uma prática antiga, as cooperativas são a grande saída para salvar a economia. Investimento por meio de crédito compartilhado, por exemplo, é solução
para aposentadoria tranquila

 

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Especialista revela que a prática cooperativista é a grande sacada do mundo atual, e dados apontam para crescimento no setor ainda que em cenário de recessão

Desde que entrou em recessão, o País não consegue encontrar um mercado promissor. Com uma gama ampla de atuações, as cooperativas, então, voltaram à cena nacional e apresentam resultados animadores: crescimentos que vão contra a maré de azar que avassala as contas do Brasil nos últimos anos. A ideia de cooperar, para especialista em cooperativa de crédito, nos remete a uma prática que é promissora para o século em que vivemos.

Segundo o diretor-executivo do Sicoob Espírito Santo, Nailson Dalla Bernadina, a ideia de uma cooperativa de crédito também é pautada na reciclagem do dinheiro. Isso porque, para ele, o dinheiro é aplicado na própria região em que é gasto. “Isso é a base do cooperativismo, também. E essa relação é a grande sacada do século em que vivemos, estamos voltando a entender o valor dessa relação”, comemora.

Nailson Dalla

Nailson Dalla é diretor-executivo do Sicoob Espírito Santo e avalia que apostar em cooperativas é uma forma de alavancar as finanças em tempos de crise

O diretor-executivo aponta que o trabalho da cooperativa de crédito é todo desenvolvido com base em prestar serviços de consultoria de negócios. Nailson detalha que, dessa forma, se o cooperado estiver satisfeito, além de sua permanência na cooperativa ele poderá indicar novas pessoas e, assim, prospectar novos empreendedores. “Nós temos muita gente do mármore e do granito, por exemplo. E, desse ramo, a maior parte das empresas é de pequeno e médio portes”, revela.

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Nailson fala sobre a interferência da seca nos investimentos na agricultura; comenta a perspectiva de projeção de crescimento e novas aplicações; e explica como funcionam os fundos da cooperativa de crédito e quais as vantagens desse modelo.

 

MERCADO

Para o vice-presidente da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi), Denilson Potratz, o cooperativismo é um jeito diferente para fazer negócios. Nele, a cooperativa e o cooperado crescem juntos. “O produtor rural é o dono. A cooperativa é sinônimo de segurança tanto para os produtores quanto para quem é cooperado”, pondera.

“A cooperativa é sinônimo de segurança tanto para os produtores quanto para quem é cooperado” – Denilson Potratz, vice-presidente da Coopeavi

Segundo ele, é por meio da cooperativa que os cooperados têm acesso a insumos agrícolas com melhores preços, assistência técnica, armazém para produção e até um Condomínio Avícola para Postura Comercial, que é, inclusive, o primeiro do País. “São investimentos que a Coopeavi vem fazendo em prol do associado, oferecendo a oportunidade de ele diversificar as suas atividades rurais”, diz.

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Vice-presidente da Coopeavi, Denilson Protatz aponta vantagens da diversificação de produção entre os cooperados

Dessa forma, o vice-presidente crê que o cooperado investe em sua propriedade e acaba girando capital também fora dela. “Hoje não dá pra abrir mão disso, é um fato super importante”, finaliza.

 

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Após decidir fazer parte de uma cooperativa, um produtor rural de Itarana passou a ganhar mais na mesma quantidade e qualidade de café

O produtor rural pomerano Silvanius Kutz, de 37 anos, planta café desde novo. A prática nasceu de um costume familiar. No entanto, só há dois anos ele decidiu fazer parte de uma cooperativa agropecuária, em Itarana, região Noroeste do Espírito Santo, cidade em que mora e produz os grãos especiais que fazem a bebida mais popular do Brasil.

 

Ele é quem tem o melhor café do Espírito Santo, segundo o Concurso Single Origin, que aconteceu no ano passado, com a qualidade Arábica do grão. Ele tirou nota 90,25, na ocasião, e conta que ficou emocionado. “Eu passei a caprichar ainda mais, e fiquei muito feliz com a conquista. Depois, fui premiado novamente em um outro concurso que aconteceu em Santa Teresa”, comemora.

“A grande e maior vantagem é que eles (da cooperativa) incentivam a venda e a gente a tomar todo o cuidado do mundo com as nossas produções, caprichar mesmo com o café. Assim, sempre vamos estar à frente” – Silvanius Kutz, produtor rural

Ele conta que passou a estocar café na Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi). “A grande e maior vantagem é que eles incentivam a venda e a gente a tomar todo o cuidado do mundo com as nossas produções, caprichar mesmo com o café. Assim, sempre vamos estar à frente”, diz.

Silvanius ficou feliz também com os ganhos extras gerados pelo ingresso à cooperativa. É que, após ter o café inspecionado e com qualidade certificada, de ser produtor de grãos especiais, o que ele vendia antes por até R$ 470 chegou a comercializar por R$ 705 – um aumento de 150%. “Quem não gostaria, não é verdade? Não tenho como reclamar”, brinca.

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Silvanius tem cerca de seis mil pés do grão, mas, após os ganhos que recebeu com o ingresso à cooperativa, ele quer aumentar a produção o quanto antes

Após esse reconhecimento e o aumento no lucro com sua produção, o pomerano quer ter um aumento proporcional no tamanho e extensão de seus pés de café. “Atualmente eu tenho cerca de seis mil pés do grão, e quero aumentar o quanto antes. Ainda não sei quanto a mais e tampouco tenho data definida, mas é meta – e ela será cumprida”, pondera determinado. “Também comecei a plantar eucalipto em algumas áreas, e estou fazendo análises dessas culturas e das interações da matéria-prima da celulose com o café”, revela.

 

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Ao contrário do que pode parecer, foi em época de crise que cooperativa capixaba investiu no primeiro Condomínio Avícola do País e comemora aumento no faturamento da empresa

O presidente da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi), Arno Potratz, comemora um novo ciclo de crescimento no pós-crise. Ele quer continuar na lista das 400 maiores empresas do agronegócio brasileiro. Para isso, incentiva os cooperados ao desenvolvimento de novos negócios, e explica que a cooperativa fortaleceu, ainda que em cenário de recessão, as operações que envolvem a avicultura e cafeicultura.

“No próximo mês, comemoramos um ano da inauguração do primeiro Condomínio Avícola para produção de ovos do País. Lá, temos mais de 100 mil poedeiras alojadas, e o segundo galpão já funcionará desde este mês com mais 100 mil aves”, aponta. Para o presidente, esse condomínio consegue modernizar o setor agrícola, priorizando principalmente os pequenos avicultores, que não teriam condições de construir uma estrutura automatizada.

Mais ganhos

Quarto maior varejista do Espírito Santo – de acordo com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) – a Coopeavi teve um aumento de 8,07% no faturamento bruto desde 2015 na venda de produtos agropecuários. Em 2016, segundo o presidente, somente as 20 lojas da cooperativa foram responsáveis por um faturamento de R$ 211,4 milhões.

uma das lojas da Coopeavi

Outro dado destacado por Arno é o aumento em 6,06% do número de cooperados. “Com a chegada de 651 novos produtores, a família Coopeavi passa a ter em seu quadro social 11.380 associados. Graças aos cooperados, o capital social da Coopeavi cresceu 8,1% desde 2014 e já soma R$ 21,2 milhões”, explica.

Para o ano em curso, o presidente prevê investimentos na ordem de mais de R$ 2 milhões, entre eles reformas nas duas fábricas de ração, climatização do armazém de café de Vila Valério, obras no segundo galpão do Condomínio Avícola e melhorias em tecnologia para melhorar os processos internos e agilizar o atendimento ao cooperado.

 

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Preocupados com as reformas e instabilidade política pelas quais passa o Brasil, empreendedores buscam novas formas de aposentadoria para assegurar tranquilidade na velhice

Você ficou preocupado quando soube das novas regras para aposentadoria por meio do Instituto Nacional de Seguridade Social (Inss)? E pasme: você não é o único. Esse comportamento fez com que empreendedores buscassem formas alternativas de investimento em uma cooperativa de crédito capixaba, para que na velhice possam ficar tranquilos.

Nailson Dalla Bernadina, diretor-executivo do Sicoob Espírito Santo, diz que um aumento considerável na busca por esse atendimento foi registrado. “Após a Reforma da Previdência, estamos observando um aumento notável de pessoas que chegam a nós buscando formas de aposentadoria”, diz o diretor-executivo da companhia. Para ele, a instabilidade em que o País se encontra é que faz com que muitas pessoas busquem alternativas às metodologias convencionais de aposentadoria, por exemplo.

Nailson esclarece que há possibilidades, também, para esse público. “As alternativas são inúmeras, mas está sendo mais buscado investimentos de longo prazo, por conta das expectativas de rendimentos”, diz.

O diretor-executivo aponta que, por mês, no Estado, são conquistados três mil novos cooperados, que fazem todo o sistema da cooperativa de crédito prosperar, de forma a produzir mais resultados e aumentar sua performance.

 

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Médico, que já usou recursos de cooperativa de crédito para construir todos seus empreendimentos, conta como é a experiência com o novo modelo de banco; ele terá, sim, uma aposentadoria tranquila

O médico Paulo Henrique Cardoso é um dos mais de 200 mil cooperados do Sicoob – mais famosa cooperativa de crédito do País. Ele, desde seu primeiro empreendimento, faz o uso do crédito da empresa para a qual colabora. Além disso, acredita que a experiência positiva estimula novos projetos, que majoritariamente são patrocinados com dinheiro que pede ao novo molde de banco.

Tudo começou com um empreendimento em Linhares. “Na época foram cerca de R$ 300 mil, e o bom relacionamento que criamos com o gerente fez com que eu e meus sócios só tivéssemos elogios para detalhar a experiência”, diz. “Eu resolvia tudo por telefone, e não tive a menor dor de cabeça com burocracia”, comemora.

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Médico relembra primeira estrutura financiada com recursos de uma cooperativa de crédito

De acordo com o médico, agora, há cerca de dois anos, ele decidiu abrir uma clínica popular em Guriri. “Eu e meus novos sócios pegamos financiamento de R$ 160 mil para efetuar a compra do lote em que construiríamos o prédio. Parte do dinheiro para a construção e compra de parte dos equipamentos nós já tínhamos juntado”, justifica. Ainda assim, o médico pediu mais R$ 100 mil ao Sicoob para finalizar a compra de materiais e máquinas.

“[…] muitas vezes você também precisa que alguém acredite no que você escreveu em um papel e tem o sonho de tirar dele” – Paulo Henrique Cardoso, médico cooperado do Sicoob

A experiência com o gerente, para Paulo Henrique, cria uma confiança nos investimentos da cooperativa de crédito que não acontecem quando as mesmas transações são executadas em um banco convencional. “Eles compram o seu projeto com você. Para quem é empreendedor, não há coisa melhor e mais gratificante. É que muitas vezes você também precisa que alguém acredite no que você escreveu em um papel e tem o sonho de tirar dele”, explica.

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Paulo Henrique revela que, por também ser médico concursado em um órgão público, possui contas em outros bancos, por isso, frequentemente se pega fazendo comparações. “A diferença é, sempre, em todos os quesitos, impressionantemente gritante. Tanto no relacionamento quando nas condições mesmo, a facilidade de crédito é muito satisfatória”, comenta.

O médico crê que se o cooperado cria uma relação de reciprocidade com a cooperativa de crédito, nesses casos, não há o porquê de não ser proveitoso para os dois lados. Paulo Henrique aponta que a partir do momento em que honrou com compromissos, tem a certeza de que foi melhor avaliado entre os clientes. “Eu acho que isso conta, não é? Eu não me sinto mais um, como me sinto em outros bancos. Sou o Paulo Henrique, próximo do meu gerente”, exemplifica.

 

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Acompanhar as tendências do mundo é preciso, e quem não consegue realizar essa proeza acaba ficando para trás; depósito de cheque por meio de aplicativo já é uma realidade

“A burocracia que a maior parte dos bancos tem é um reflexo do Brasil atrasado”, dispara o médico Paulo Henrique Cardoso, cooperado do Sicoob Espírito Santo. Ele conta que teve uma experiência negativa com um banco do País ao solicitar um empréstimo para realizar o financiamento de um empreendimento. Em tom irônico, ele garante que sequer vale a pena enfrentar a papelada e o relacionamento duro de bancos convencionais.

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Paulo Henrique comemora a experiência tecnológica que tem com o Sicoob e garante que as facilidades são forma de fidelizar

Ele conta sua experiência com o aplicativo da cooperativa de crédito, e a dá como exemplo de modernidade. “Você resolve tudo por lá. Uso o aplicativo de outros bancos, mas também não há comparações. O investimento que o Sicoob faz em tecnologia acaba espelhando para os cooperados em facilidade nas transações. Se você precisa aumentar limites, realizar operações que em outras instituições são travadas, no aplicativo da cooperativa não tem isso”, afirma. “Nesse mundo corrido a gente precisa ser dinâmico, e as companhias têm que acompanhar isso, senão ficam para trás”, alerta.

Melhor app

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O Sicoob tem o aplicativo mais bem avaliado da atualidade

O aplicativo SicoobNet celular, da instituição financeira cooperativa, é atualmente o melhor avaliado na Google Play Store e na Apple Store, em relação aos programas de grandes bancos de varejo. Outro dado que mostra a satisfação dos usuários com a aplicação é o crescimento do uso deste canal que, na última medição (maio/2017), representava 40% de todas as operações do Sicoob.

Entre algumas funções do aplicativo do Sicoob, estão o acesso por meio de biometria, localização geográfica das agências e depósito de cheques. “Algumas opções ainda são desconhecidas dos associados, por isso é importante discutir maneiras de proporcionar facilidade“, destaca Nailson Dalla Bernadina, diretor-executivo do Sicoob Espírito Santo.

Ele também comemora conquistas provenientes de investimentos em novas áreas. “Nós investimos muito em tecnologia e, inclusive, somos premiados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) como melhor software de automação para cooperativas do País, e sempre tendemos a investir mais e mais nessa área”, comenta.