Folha de SP orienta jornalistas a não expressaram opiniões políticas nas redes sociais

O jornal Folha de São Paulo criou um comunicado orientando os jornalistas a não expressarem opiniões políticas em suas redes sociais. De acordo com o portal de notícias Fórum, o comunicado foi enviado após a polêmica demissão do repórter Diego Bargas que fez uma entrevista crítica com Danilo Gentili sobre o novo filme do comediante, com perguntas consideradas “inconvenientes”.

A proibição trata-se, na verdade, de um manual de conduta na redação com orientações sobre opiniões de matérias nas redes sociais. Os profissionais do Folha são conduzidos através desse manual a não publicarem opiniões sobre as matérias do jornal, mesmo que ela seja de sua própria autoria.

A atenção é voltada, principalmente, para a proibição de opiniões político-partidárias porque isso colocaria em risco a credibilidade do jornal, mesmo deixando claro que a opinião é pessoal. Jornalistas e colunistas da Folha de S. Paulo não poderão expressar opiniões políticas. Dentro da redação da Folha, as orientações estão sendo tratadas como um AI-5 profissional.

O jornalista e professor Fabiano Mazzini, avalia a medida como um contrassenso. “É o mesmo que determinar que, para a categoria dos jornalistas profissionais, não existe o elementar e constitucional direito à liberdade de expressão e de manifestação de pensamento”, explica. Mais do que profissional, o jornalista é um cidadão com direito a exercer sua liberdade na sua rede social. O professor acredita que “a cidadania plena depende da liberdade, do contrário é alguém submetido a um tipo de cárcere”.

O cárcere do pensar e do expressar é o que mais preocupa Fabiano.

E não há tutela patronal alguma que fará com que o jornalista deixe de se responsabilizar pelos seus atos no âmbito do privado. Contudo, se o posicionamento do jornalista suscita uma interpretação errônea do público sobre a credibilidade e a imparcialidade do jornal, o problema está no público, na ausência de uma formação e orientação para que a utilização da rede social se dê dentro do critério da razoabilidade”.

A medida promete causar polêmicas, principalmente entre os colunistas . O afastamento da posição do jornalista, considerado um intelectual em seu fazer, apenas vai tornar as redes sociais mais áridas, mais grosseiras, sem o saudável debate de ideias.

Entenda o caso

O jornalista Diego Bargas, da Folha de S. Paulo, foi demitido no dia 14 de outubro, após entrevista com o humorista Danilo Gentili sobre seu novo filme Como se Tornar o Pior Aluno da Escola. Além de Danilo, o diretor Fabrício Bittar também foi entrevistado. A entrevista durou cerca de oito minutos e o jornalista fez questionamentos sobre a presença de um personagem que seria pedófilo e psicopata em um filme que é direcionado a crianças.

Após a publicação da matéria sobre o filme “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola” e do vídeo de entrevista com Danilo Gentili e o diretor Fabrício Bittar, o jornalista  foi demitido do jornal. De acordo com postagens de Diego no Facebook, Gentili o teria perseguido utilizando postagens antigas nas redes sociais do jornalista com frases em que defendia Lula, Dilma e Haddad, para fazer uma série de acusações.

Vídeo postado por Danilo Gentilli em seu Facebook:

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