Como o mundo é visto pelos olhos de um daltônico?

A visão é um dos sentidos mais utilizados na sociedade contemporânea, se transformando numa importante ferramenta para a realização de atividades no nosso cotidiano. A sua importância é tão grande que chega a superar os outros sentidos. Além disso, quase tudo que observamos de informação (4/5) para o cérebro é através dos olhos. Mas, mesmo com toda essas atribuições, nem todos percebem da mesma forma o mundo a sua volta.

Um exemplo disso são os daltônicos. O daltonismo se caracteriza por ser uma deficiência visual, em que o indivíduo não é capaz de reconhecer algumas cores específicas. O distúrbio recebeu esse nome, em homenagem ao primeiro cientista a estudar o fenômeno, o químico inglês John Dalton.

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Os diferentes tipos de olhares de portadores do daltonismo

Há três tipos principais do daltonismo:  protanopia, deuteranopia e tritanopia. O primeiro é caracterizado pela diminuição ou ausência total do pigmento vermelho, em que o indivíduo pode substituí-lo por tons de marrom, verde ou cinza. O segundo ocorre com aqueles que enxergam tons marrons em vez de verde, como por exemplo, com uma árvore o daltônico tende enxergá-la, praticamente, com uma cor uniforme, ou seja, marrom. Já o terceiro se apresenta como o mais raro, esse interfere na percepção das cores azul e amarelo: o azul tende a virar um tom mais claro do mesmo e o amarelo se torna um rosa-claro, além de não enxergarem o laranja. Mas, em todos os casos o indivíduo tende a confundir também as cores que ele substitui determinado tom, por exemplo o verde na protanopia pode aparecer com um tom mais fraco que o normal.

A causa mais propensa para a pessoa ser daltônico se refere a problema genético, uma anomalia ligada diretamente ao cromossomo X, normalmente, o indivíduo herda dos pais. O daltonismo não evolui, porém ainda não apresenta cura ou tratamento específico para os portadores do distúrbio. Mas algumas medidas podem melhorar a vida do portador, como o uso de óculos e lentes especiais, ou algumas ferramentas feitas de filtros coloridos que, ao olhar através delas, mais cores poderão ser distinguidas. Para se ter um diagnóstico de daltonismo, testes são feitos por especialistas (oftalmologista, neurologista, clínico geral ou pediatra) para detectar o distúrbio e um dos mais usados é o Teste de Ishihara.

Teste de Ishihara

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Um exemplo do teste  de Ishihara: se o indivíduo não conseguir ver os números nas placas de pontos, ele pode apresentar algum grau de daltonismo (na ordem, da esquerda para a direita, 12, 2, 42, 74 e 6)

O Teste de Ishihara foi desenvolvido em 1917 pelo japonês Shinobu Ishihara, sendo que é um dos mais utilizados para detectar a deficiência. Esse teste consiste em um conjunto de 38 placas com pontos coloridos em intensidades diferentes. Ao meio dessas placas há um numeral com uma cor que quem possui daltonismo não pode identificar. O resultado:  se você enxergar o número no centro, não é daltônico. Se não enxergar, melhor procurar um especialista. As cores do teste variam para diagnosticar o grau e o tipo de daltonismo do paciente.

Para fazer o teste e ver se pode ter algum grau de daltonismo é só acessar aqui.

Complicações e problemas

Os daltônicos conseguem ter uma vida normal, mas alguns pequenos problemas e complicações são presentes no cotidiano dos portadores da distinção ocular.

Gráficos

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Os daltônicos têm dificuldade para interpretar gráficos coloridos

Em um gráfico colorido, o daltônico tem a consciência de que existem cores diferentes, mas não sabe distinguir as características de cada uma. Por isso fica perdido na interpretação dele.

Laser vermelho

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O laser vermelho deixa os daltônicos confusos

 

Em várias apresentações, é costume usar o laser vermelho para guiar todo o roteiro. Quando o palestrante aponta o mesmo para um determinado ponto da tela, o daltônico do tipo protanopia fica perdido e tem dificuldades em entender o que está sendo explicado.

 

Empregos

Algumas atividades são mais difíceis para quem possui daltonismo. Por apresentarem uma visão distorcida das cores, as profissões de eletricistas (fios codificados por cores), pintores, designers de moda (tecidos), cozinheiros (usando a cor da carne para dizer se ela está pronta) e pilotos de avião (visão perfeita) se tornam complicadas. Porém, mesmo assim eles podem se adaptar para estas situações.

A vivência

giphy.gifO professor de comunicação social da FAESA, Felipe Dallorto sofre com o daltonismo. A descoberta veio lá com seus 10 anos na 3ª série em meio a um trabalho de geografia que não sabia o porquê de ter tirado zero. “Eu tinha que fazer um trabalho de geografia, que o objetivo era pintar planície de verde e planalto de vermelho, e eu inverti. Quando a professora entregou o trabalho, vi que tinha tirado zero, e fui questionar. Então, a partir do momento que fui defender meu ponto de vista, ela viu que tinha um problema ali e por isso indicou para a minha família me levar para fazer o teste do daltonismo”, lembrou o docente.

Em uma família na qual os 4 irmãos apresentam essa deficiência da visão, Dallorto possui praticamente quase os 3 tipos de daltonismo, confundindo por isso as cores verde, marrom e vermelho, e dependendo da tonalidade, azul e rosa também.  Mas, mesmo assim ele conta que não sofre grandes problemas, apenas alguns empecilhos. “Já tive algumas dificuldades de errar por exemplo um trabalho de faculdade, de querer colocar uma luz roxa e colocar azul, ou o contrário. Mas, acredito que aprendi a me virar, desde da época da escola, em que os lápis de cor eram numerados, então decorando eu sabia qual estava usando. Hoje, no meu cotidiano, eu procuro perguntar a minha esposa sobre a minha roupa, para ver se está combinando. Mesmo assim, não vejo grandes problemas”, explica o professor.

A FAESA no olhar de um daltônico

Movido a demonstrar como o daltônico enxerga o mundo, nós do Faesa Digital resolvemos demarcar como seria o olhar de um indivíduo com daltonismo ao percorrer um pouco do campus da FAESA. Confira a diferença nessas fotos feitas por um simulador de daltonismo.

Protanopia

Área de entrada do bloco 4 ao ver do daltônico do tipo protanopia, em que o vermelho é o mais afetado, virando um tom escuro de verde 

O painel da Praça Verde da FAESA, aparece de forma mais amena e fraca a cor verde

Deuteranopia

Árvore do pátio de estacionamento da FAESA, em que o verde das folhas ficam com um tom mais amarronzado. Esse é o ver do daltônico do tipo deuteranopia 

As plantas em volta das lixeiras em frente ao biblioteca para o daltônico do tipo deuteranopia ficam com um tom abaixo do verde, apresentando-se apagadas 

Tritanopia

Escada do bloco 4 do ponto de vista de um daltônico do tipo tritanopia que afeta, nessa situação,  a cor laranja 

A cor azul nos indivíduos daltônicos do tipo tritanopia pode virar um tom similar ou dependendo da tonalidade verde