Um novo olhar sobre mim

Amor próprio, em uma rápida pesquisa no Google, tem como definição o sentimento de respeito, admiração, estima ou orgulho que cada pessoa tem por si. Outra definição para amor próprio é a ligação entre o ser e sua alma, espirito. Por isso, ter amor por si mesmo é extremamente fundamental, pois o amor próprio é aquele escudeiro fiel responsável por ser a alavanca que faz uma pessoa cuidar do físico e do emocional. Outro aspecto importante é que a falta desse sentimento pode abalar a autoestima de uma pessoa de forma devastadora.

Uma pessoa com a autoestima baixa consequentemente não se contenta com seu modo de ser, com sua imagem, com sua estética. Algo tão serio, que pode levar ao suicídio, em muitos casos. Portanto, a função do amor próprio e de uma autoestima saudável que decidirá a imagem que uma pessoa passará para o mundo.

Mas há uma pergunta que precisa se feita: Como uma pessoa que sofre da falta de amor próprio e da baixa autoestima vive? Responderei.

O meu amor próprio e autoestima foi duramente danificado ainda na infância, quando ouvi de pessoas próximas que eu era tão feia que nunca seria amada por ninguém. A complexidade disso trouxe consequências severas para mim com o tempo

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Foto tirada antes da Consultoria de Imagem / Fotógrafo: Walter Closs

Pensei uma vez “Eu não sou a princesa. Eu sou a bruxa do conto” enquanto assistia a Branca de Neve. Mas eu sempre quis ser a princesa, pois nos contos de fadas, a princesa é digna do príncipe e do castelo. É digna do amor e da admiração dos outros.  Era o que eu queria. Ser amada e admirada. Por isso, esperei o dia em que acordaria bonita como uma princesa deve ser, e que me olharia no espelho e teria orgulho da pessoa no reflexo, mas esse dia não chegou.

Comecei então a olhar para os outros e ver beleza em todos, menos em mim. É claro que eu enxergava os “defeitos” estéticos também, mas quando eu me colocava em comparação, eu percebia que tudo em mim era um defeito. Nada valia a pena. Então parei de me preocupar com a minha imagem pessoal. Acredite que cheguei ao ponto de ir de chinelo e roupas velhas para o trabalho. Recebi do meu chefe uma chamada, mas não dei importância, pois não importasse a roupa que eu vestia, eu acreditava que continuava feia por dentro e por fora.

Quando me olhava no espelho, eu abominava tudo aquilo que estava sendo refletido. O cabelo, no geral, era o que eu mais odiava e por isso eu parei de cuidar dele. Somente lavava com xampu e penteava às vezes. Cheguei ao ponto de pensar em raspar, mas apenas cortei curtinho após a desaprovação da minha mãe.

Sempre odiei meus braços, barriga, as minhas pernas e sobretudo o meu rosto. Cada pedaço de mim incomodava. E ser gorda, só piorava as coisas.  Já que eu não era o que o padrão de beleza pedia, logo eu não merecia amor e afetividade de ninguém. Graça ao meu aspecto físico, eu era a bruxa. Eu era o mal.

Eu só descobrir a cura para a minha falta de amor próprio graças à oportunidade de participar da consultoria de imagem, proposta que foi recebida por mim da pior forma possível. A primeira coisa que me lembro de te pensado é “Eu não mereço” e segundo “Eu vou decepcionar” e foi com essa mentalidade que apareci para a primeira consulta. Vanessa Rosário, a consultora de imagem que abriu espaço para mim, não foi a primeira pessoa a perceber que faltava amor.

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Vanessa Rosário e eu, depois de uma tarde de consultoria.

Mas esse sentimento foi criando espaço dentro de mim a cada encontro. No ramo do jornalismo, curso no qual estou me graduando, a imagem pessoal é muito observada e exigida, porque o profissional será lembrando pela imagem que transmitir. E a cada encontro, fui entendendo mais sobre a minha imagem, de como eu podia e devia passar meus conceitos, sentimentos através das roupas, da maquiagem e isso fez um bem não apenas ao meu físico, mas ao meu psicológico.

Minhas camisetas e calças, que normalmente eram maiores do que eu, perderam espaço para peça bonitas e adequadas para o meu físico. Também aprendi a usar acessórios e se por outro lado eu odiava o meu cabelo antes, fui pegando amor por ele a cada encontro, graça a perseverança da Vanessa em dizer “Ele precisa de amor”.

A ida a salão de beleza causou uma antecipada ansiedade. Contudo, o dia tão esperado foi fantástico e muito divertido.  Mas tudo isso só foi possível porque eu a tive para dar às instruções e mostrar que havia beleza em tudo aquilo que eu sempre odiei ser.”

Admito que ainda estou pegando o ritmo da coisa, não gosto muito de usar maquiagem, mas uma vez ou duas na semana uso batom e não saio de casa sem os acessórios básicos (brinco e colar).  Entretanto, dentro de mim está se construindo, eu sinto, a cada dia, um amor próprio munido de sentimentos bons por quem eu sou.

WhatsApp Image 2017-11-07 at 15Se por um lado a falta de amor e baixa autoestima podem quebrar uma pessoa em um piscar de olhos, por outro, é difícil ser recuperar.  É um processo lento, trabalho de formiguinha, que todos os dias se tem a necessidade de cumprir uma meta. Eu, por exemplo, prometi a Vanessa que lavaria os fios duas vezes por semana, e Deus sabe que estou a todo custo cumprindo a minha promessa.

Sempre repito o mantra que se tornou sagrado para mim “Ele só precisa de amor” enquanto lavo as madeixas. E às vezes, quando começo a ficar deprimida com quem sou, repito o mantra “Eu só preciso de amor” e tudo termina bem.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um comentário em “Um novo olhar sobre mim

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  1. Já fui muito complexada comigo. Ainda mais na adolescência onde tive muitas espinhas, comecei engordar, fiquei muito triste. Olhava as meninas da escola lindas e eu um monstro. Depois que sai da escola fui no dermatologista tratar minha pele, emagreci bastante e até entrei num curso de maquiagem, pois não gostava muito de me maquiar. Eis que aprendi gostar de me arrumar e me sinto bonita. Mas o peso é uma coisa que ainda me incomoda. Quando começo engordar fico encabulada achando que ficarei feia de novo.

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