Segunda Semana da Consciência Negra FAESA

Idealizada pelo Professor Antônio Alves de Almeida em 2016, a Semana da Consciência Negra FAESA teve sua segunda edição neste ano, com o tema Cores da Cultura e da Raça. O evento aconteceu durante a noite no Auditório Central e teve duração de dois dias (7 e 8 de novembro). Contou com exposição de fotos, apresentações, palestras, penteados, desfile, sorteios e oficina de dança.

Eu acho importante o evento para mostrar a cultura dos negros, a cultura deles no estado, ajudar na questão do preconceito que ainda existe muito de um modo geral”, disse Ananda Correa do sexto período de Pedagogia.

 

A noite da última terça-feira, 7, começou despertando a curiosidade dos alunos que passavam no espaço em frente ao Auditório, onde as trançadeiras do Instituto Elis Gonçalves faziam penteados afro em quem se interessava. Havia também venda de artesanato afro, além da exposição O Negro na Cultura Popular Capixaba, que contava com fotografias e instrumentos musicais. O evento teve início às 19h e encerramento às 21h30.

A fim de conhecer melhor os participante do evento e ouvir o que tinham a dizer, conversamos com alguns deles.

Percepções sobre o evento

Elissângela Gonçalves já trança há mais de 20 anos no Espírito Santo. É o segundo ano que participa da Semana da Consciência Negra da FAESA. Acha muito importante uma instituição de ensino abordar este tema porque a diversidade é necessária, assim como as pessoas terem conhecimento. Isso porque muita gente, às vezes, tem preconceito por não conhecer a cultura e os costumes que forma a identidade de um grupo. E a valorização da beleza do negro e da sua cultura é muito importante para o respeito. E só pode ter opinião quem conhece.

É importante para mostrar o que realmente aconteceu no passado, e não o que falam pra gente; para valorizar e respeitar, porque ainda existe muito preconceito, não só no Brasil, mas no mundo todo”, complementou Adriana Lupi do sexto período de Pedagogia.

Para Daniela, do sexto período de Jornalismo, só do evento estar sendo realizado já é de extrema importância. Porque é dessa forma que podemos retratar a cultura negra, indígena, e uma cultura que os descendentes sofreram tanto, por séculos e séculos, e que hoje ainda há um certo preconceito pela maioria da sociedade. Ela acha que ainda são negados por muitos; ainda há desigualdades, além das sociais, econômicas e civis também. Então, esse evento vem como forma de mostrar o espaço deles, de eternizar esse espaço, que sempre existiu.

E a tendência é que ele ganhe cada vez mais força, porque o nosso país é democrático e, na sua democracia, ele deve ser igual para todos. É isso que nós queremos: igualdade”, declara Daniela.

Origens

Antônio ministra algumas disciplinas como História da Educação e Metodologias do Ensino de História e Geografia.

Começou a trabalhar na FAESA em 2016 e, para sua surpresa, ficou sabendo que não acontecia nada no dia 20 de novembro na Instituição. Então, teve a ideia de fazer a primeira semana de consciência negra FAESA, assim o professor se juntou com mais oito alunos monitores e teve o apoio da sua coordenadora na época, Mariana Fonseca de Mendonça Gomes. Naquele ano, intitulou a semana como Olhares e Saberes do Negro no ES. E foi tão bom, que as pessoas pediram a segunda.

Antigamente, as pessoas falavam assim ‘a questão do negro é do negro’, como se fala hoje ‘a questão do preconceito contra a mulher é questão da mulher’. Não, essas questões são de todos, porque nós somos a sociedade. E a questão do negro é mais ainda de toda a sociedade porque eles são a maioria, estão em todos os espaços”, ressaltou o professor.

A ideia é trazer à luz, refletir sobre a cultura afro no ES e no Brasil, sob a perspectiva da História, da Sociologia e da Antropologia, tentando com isso, não erradicar, mas pelo menos atenuar o preconceito e a discriminação. E fazendo com que o negro realmente se sinta parte da sociedade, porque ele é a sociedade. Foi nessa perspectiva que realizou-se a primeira semana. Agora a segunda semana foi intitulada de Cores da Cultura e da Raça porque eles não queriam focar muito no preconceito, no estigma, no negativo, mas sim trazer e dar visibilidade para os saberes dos negros, da religião, um pouco da cultura, dos seus símbolos, seus valores, da dança, do empoderamento; dar uma projeção que realmente eles têm e merecem ter na sociedade, que a elite branca sempre excluiu e exclui até hoje.

1416503653_Zumbi-dos-Palmares-480x300O professor explica, ainda, um pouco da importância da data. O 20 de novembro, que é o que foi comemorado, foi instituído com a lei 10639/03 como o Dia da Consciência Negra – sendo que é feriado em alguns estados da federação. Foi criado em homenagem à morte de Zumbi de Palmares em 1695, o grande líder negro.

E nessa perspectiva, essa data é muito forte porque ela dá voz, dá vez, e coloca os holofotes sobre os povos afro descendentes, que são quase 54% da população brasileira. Então ela é extremamente salutar. E tanto é importante esse evento aqui na FAESA, que é um Centro Universitário, que o ano passado teve como desdobramento da primeira semana da consciência negra, a criação de um coletivo no curso de Direito (Coletivo Abdias do Nascimento). Esse é um dos frutos que surgiram por conta de iniciativas como esta.

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