Cidade em Jogo: seja o prefeito por um dia

O game lançado há pouco, intitulado Cidade em Jogo, foi criado com a intenção de auxiliar os professores do ensino médio a abordarem temas como cidadania e política. A divertida ferramenta é gratuita e funciona parecida como o famoso Sim City, caracterizando-se por ser um jogo de estratégia.

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O jogo online é dividido em quatro etapas. Inicialmente o jogador seleciona um tipo de cidade para governar, dentre as opções de cidade pequena, cidade litorânea média ou metrópole. Em seguida, deverá escolher as prioridades do governo, como “promover competitividade”, “combater a corrupção” e “tornar a cidade sustentável”.

Posteriormente, Cidade em Jogo solicita a análise de políticas públicas disponíveis para consequente aplicação. Destaca-se que durante a trama, surgem imprevistos que obrigam o jogador a tomar atitudes, exemplo disso é a ocorrência de fluxo emigratório de jovens por falta de oportunidades de emprego.

Ao final de dez turnos o jogador é levado a avaliar os resultados e impactos de suas escolhas nos mais variados âmbitos, sejam eles: saúde, cultura, educação, arrecadação, urbanismo e transporte, saneamento e gestão ambiental.

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Para compreender na prática no que consiste o jogo virtual, estagiários do Faesa Digital decidiram entrar na onda e encarar o desafio. Contamos aqui quais foram as nossas impressões!

Administrando uma metrópole

Para conhecer o funcionamento do game, Isabella Arruda, do segundo período de Jornalismo, escolheu atuar como prefeita de uma metrópole global de aproximadamente seis milhões de habitantes, definindo como prioridades a redução de impostos, a redução de desigualdades e o investimento no futuro.

Os resultados apresentados ao final demonstraram preponderância de aspectos positivos, com o alcance de “redução das desigualdades” e do “investimento no futuro” no nível máximo admitido, recebendo três estrelas cada quesito. Ao contrário, no campo da redução de impostos, o resultado foi lastimável, chegando a zero estrelas.

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Isabella decidiu encarar o jogo com seriedade/Foto: Mylena Valim

A dificuldade central do desafio foi a de conciliar políticas de redução de desigualdades, por meio de implementações de políticas públicas na educação e no acesso à cultura, além dos investimentos no futuro com a redução dos impostos. Como era de se esperar, promover desenvolvimento demanda altos gastos, os quais são incompatíveis com a menor arrecadação tributária, ainda mais no mundo real em que infelizmente há desvios e corrupção.

Outro problema relatado, desta vez no sentido operacional, foi a nomenclatura técnica atribuída a algumas políticas públicas, sendo que um estudante de ensino médio comum poderia encontrar algumas dificuldades para desempenhar tarefas exigidas. Um exemplo é a necessidade apresentada de noção prévia sobre temas como tributação.

Apesar da crítica, a ideia que embasa o jogo é bastante inteligente, exigindo do jogador a tomada de decisões conscientes. De modo geral a ferramenta esclarece os participantes sobre qualquer atitude a ser tomada, sendo capaz de inserir num contexto semelhante ao que vivemos.

Cidade média, cidade sustentável?

A escolha da estudante Nina Wyatt, também do segundo período de Jornalismo, foi pela “Cidade Média e Litorânea”, em decorrência da similaridade com Vitória. O objetivo dela como prefeita era o de desenvolver uma cidade moderna e com um IDH alto, tal como ela gostaria de viver. Para isso, selecionou como prioridades uma Cidade Sustentável, Inovação e Tecnologia e Garantir Mobilidade.

A principal dificuldade durante o jogo foi a de controlar os gastos públicos. Ela conta que começou investindo em melhorias na educação, saúde, mobilidade, urbanismo e saneamento básico para alcançar o objetivo de cidade do futuro, mas quando percebeu já estava com as finanças no negativo. Tentou melhorar esse quadro buscando investir em políticas públicas mais baratas. No final, conseguiu reduzir gastos, mas permaneceu no negativo.

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Nina empenhada em garantir inovação/Foto: Isabella Arruda

Além de ter quebrado a cidade, o desempenho dela como prefeita não foi favorável. Apesar dos investimentos em infraestrutura e de ter alcançando as três estrelas possíveis em “Cidade Sustentável” e em “Garantir Mobilidade” e duas em “Inovação e Tecnologia”, a satisfação da população foi baixa e houveram muitos problemas de gestão.

A aspirante a jornalista acredita que esse resultado se deu por conta da falta de conhecimento e de informação, principalmente em relação ao aspecto econômico. Ela define que governar uma cidade não é apenas investir em qualquer tipo de política pública e em desenvolvimento urbano. É necessário também escolher com cautela o que será feito, priorizando aquilo que for de maior importância e sempre prestando atenção nos gastos.

Mesmo com os desafios encontrados e com o resultado negativo, a estagiária considerou o jogo interessante e muito esclarecedor. No geral, ele é bem inteligente e bem elaborado e com toda certeza muito útil na conscientização de seus jogadores sobre o papel do prefeito em uma cidade.

Paralelo com o mundo real

A partir das experiências relatadas, observamos que o jogo permite uma ideia, ainda que muito simplificada, do que seja desempenhar gestão pública e definir metas e prioridades que atendam às necessidades dos cidadãos.

Diante disso, uma jogada frustrada compromete o resultado da estratégia. No entanto, na vida real, pode comprometer a demanda de pessoas que esperam ações e investimentos significativos. Ser prefeito, como fica evidente no jogo, deve ser mais do que uma ambição pessoal, deve ser uma vocação e uma busca constante por conhecimento em diversas esferas.

Saber governar é então, no mínimo, ter organização, planejamento, transparência e seriedade. Uma pena que os resultados da realidade tenham se mostrado ainda menos esperançosos do que os observados em um jogo virtual com duração aproximada de meia hora.

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