Vitória: Cidade Sol

O título da matéria é bem explicativo, certo? Vitória carrega, até em um de seus hinos, – escrito pelo músico Pedro Caetano – a fama de Cidade Sol. Também apelidada de “vix”, ilha do mel, cidade presépio, cidade ilha e Vitorinha, é a capital do Espírito Santo. “Cidade Sol, com o céu sempre azul”, aqui o verão é o ano inteiro!

 

História

Vitória é uma das três capitais de Estado localizadas em uma ilha. Sua população é de cerca de 363.140 habitantes, segundo o último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além da ilha principal, Vitória conta com mais 34 ilhas e uma porção continental – que antigamente eram 50 ilhas, mas ao decorrer do tempo foram agregadas à porção continental por meio de aterros.

 

A capital capixaba conta com o 2º melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, ficando atrás apenas de Florianópolis (SC), de acordo com as pesquisas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é a 2ª melhor cidade para se viver no Brasil segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), além de ser eleita, pela Revista Exame, a cidade com o melhor capital humano do Brasil.

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A região, em sua origem, era disputada por três grupos de indígenas: os goitacás (procedentes do sul), os aimorés (procedentes do interior) e os tupiniquins (procedentes do norte). Inicialmente a capital do Espírito Santo era a atual Vila Velha, fundada em 1535, mas em 1551 a capital foi transferida para a Vila Nova do Espírito Santo – chamada atualmente de Vitória.

 

A partir de 1894, a cidade de Vitória começou sua produção de café em diversos aterros, localizadas nas partes baixas da capital, e teve como consequência a modernização da cidade. Em 1927 foi inaugurada a ponte que ligou a ilha ao continente e, em 1941 surgiu o primeiro cais na capital. Em 1949, foram feitos mais aterros e foram construídas amplas avenidas. Depois dessas várias mudanças, a cidade tornou-se o maior centro do Espírito Santo. Em 1970, o Porto de Vitória se tornou um dos mais importantes do país, e a capital começou a se industrializar.

Meu relato

Sou capixaba de nascimento. Há um tempo, eu detestava morar em Vitória. Eu não conseguia ver nada de bom, sempre criticando por não ter festas legais, shows, pessoas interessantes e comida boa. Fui amadurecendo e consegui enxergar Vitória sob novos olhos. Ainda acho que Vitória possui poucas opções de entretenimento, mas percebi que as pessoas são incríveis – pelo menos a maioria delas – e que há programas caseiros até mais interessantes que saídas para boates ou shows.

 

Cresci em um bairro muito pequeno, com menos de 20 ruas, onde todo mundo se conhece. Vitória é pequena, então eu saio do meu bairro, onde conheço todo mundo, e vou para outros lugares, também encontro vários amigos. É algo bem confortável para mim. No meu bairro, Eurico Salles, construí muitas amizades nos bancos da pracinha, desci com papelão na bunda o barranco da pracinha, participei do coral e já li a Bíblia na igreja católica do meu bairro, dancei na chuva e também tomei banho de mangueira na rua, além das ovadas que dei e levei nos aniversários. Mas será que todos têm a mesma visão que eu?

Relato de pessoas de outros Estados

Conversei com cinco amigos, todos que já moraram em outros lugares e voltaram para Vitória ou que nasceram em outros lugares e vieram para essa cidade maravilhosa.

Sabrina Heilbuth

Pedi para ela descrever Vitória em uma palavra e ela disse “litoral”.A Sabrina Heilbuth tem 18 anos, é capixaba, mas morou em Belo Horizonte/ Minas Gerais, por um período, e me contou que o capixaba é mais fácil de fazer amizade, “como aqui tem mais grupos, nós fazemos amizade com todos do grupo, lá não é assim”. Disse também que, por ser litoral, as pessoas andam com roupas mais simples, de verão, “enquanto lá [em Belo Horizonte] as pessoas vão mais arrumadas para o shopping [por exemplo]. Por fazer mais frio, eles usam mais calça, enquanto aqui é short”, além disso, ela disse que, em Vitória “dá para ver o céu, já que aqui os prédios não são tão altos” e que gosta das praias.

Isabella Arruda

A Isabella Arruda tem 26 anos, é natural de Recife/ Pernambuco, e morou também em São Paulo capital. O que ela mais gosta em Vitória é o fato dela ser pequena, consequentemente “oferece uma qualidade de vida muito boa, que na maioria das grandes cidades a gente não tem”. O ponto positivo disso é que tudo fica muito perto, “a gente consegue pegar no fim de semana e ir para as montanhas em 40 minutos, ou ir para a praia em Guarapari também em 40 minutos, então acabamos tendo mais acesso e dinamismo”. Os capixabas reclamam muito sobre o trânsito de Vitória, e Isabella comparou com os trânsitos de Recife e São Paulo, e disse que, apesar do fluxo realmente ter aumentado, ainda é menor que estas cidades, “menos trânsito, apesar de ter piorado, ainda é menor que em grandes cidades como Recife e São Paulo”. Entretanto, alguns pontos negativos foram expostos por ela “[sinto falta de] entretenimento, cultura, coisas que poderiam ser mais bem investidas e não são. São Paulo tinha opção o tempo inteiro, todos os dias da semana, shows internacionais, exposições, teatros. Vêm pouquíssimas coisas para cá. Vitória, mesmo sendo no sudeste, ainda é um pouco esquecida”.

A palavra que ela descreveu a capital capixaba foi “pequena”.

Matheus Metzker

Matheus Metzker tem 18 anos e é capixaba de nascimento, mas cresceu em Teófilo Otoni/ Minas Gerais. Ele disse que as praias são seus lugares preferidos, “apesar de algumas serem poluídas, a maioria delas são bons lugares para ficar, passar o fim de semana, curtir o descanso”. O que ele mais sente falta é a tranquilidade, “Teófilo Otoni, por ser uma cidade de interior, ela se baseava na tranquilidade, calmaria” e a palavra que ele usou para descrever Vitória foi “fantástica”.

Fernanda Prado

Fernanda Prado tem 21 anos, natural de Teixeira de Freitas, interior da Bahia, e veio para o Espírito Santo para estudar Odontologia na Faesa. Ela me contou que gosta da diversidade de cultura de Vitória, “o que eu mais gosto aqui em Vitoria é a mistura de gente. Têm pessoas de tantos lugares, todas buscando algo melhor. As oportunidades que a gente tem aqui, os lugares, além de a cidade ser linda”, e apesar de sentir falta da sua família e dos seus animais, ela gosta muito de morar aqui.

Ela usou a palavra “futuro” para descrever Vitória.

Isabella Faustini

Isabella Faustini tem 18 anos, capixaba, mas já morou em Curitiba/ Paraná, Brasília/ Distrito Federal e Aracaju/ Sergipe. Ela destacou a praticidade da cidade, “uma das minhas coisas favoritas em Vitória é praticidade. Podemos nos deslocar facilmente de uma cidade para outra em menos de uma hora sem precisar pegar estrada”. Perguntei qual foi o melhor lugar que ela morou, e ela disse Curitiba, porque “é uma cidade grande, você sempre via movimento, estabelecimento 24 horas, pessoas alternativas, e isso sempre me encantou”, mas também falou de Aracaju “é uma cidade litorânea. Parece que lá é verão o ano inteiro, tem ótimas praias e as pessoas são muito simpáticas”.

Ela descreveu Vitória com “praticidade”.

Pessoas que vieram de outros países

Com o auxílio do Caio, um dos proprietários do Guanaaní Hostel, localizado no Centro de Vitória, fizemos uma entrevista com duas francesas, Mathilde Choquet e Alice Caire, ambas com 26 anos, que vieram para o estado a passeio. Elas disseram que as maiores diferenças que elas sentiram em relação ao país natal delas com o Brasil, mais especificamente com o estado do Espírito Santo, foram a comida e os capixabas, “as pessoas são muito mais sorridentes e prestativas. A comida é muito diferente”. Contaram que elas vão para a Bahia e resolveram passar aqui no estado para conhecer a capital capixaba. O que elas mais gostaram daqui foi a tranquilidade e o que menos gostaram foi o odor das ruas.

Pedi para elas descreverem Vitória em uma palavra, e elas escolheram “pacífico” – ou paisible, em francês.

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Calçadão da Praia de Camburi, Vitória. Fonte: Ingrid Nerys

Mas, o que é Vitória afinal?

Analisando todos os relatos e juntando com os meus, percebi que Vitória vai além de uma ilha. Escolhi a Praia de Camburi para ilustrar todas as visões, já que é uma praia muito popular e visitada pelos turistas.

 

Apesar de não ter muitas opções de entretenimento, estabelecimentos 24 horas, esteja começando a ter um trânsito conturbado, aqui tem uma mistura de povos e de culturas. Olhares diferentes, mas todos apontam para uma mesma conclusão: Vitória é linda, Vitória é só amor, e tem um potencial enorme de crescimento. No fim, acho que a capital capixaba é tudo isso que me descreveram: litoral + pequena + fantástica + futurista + prática. Sol na maior parte do ano, aconchegante, linda, que está em desenvolvimento e tudo pertinho. Tudo acaba em “rock” e em sorrisos.

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