Crise e desemprego: O que fazer?

Kennedy Cupertino, Joyce Patrocínio, Geisa Andrade e Marcela Cota para a disciplina de Webjornalismo, ministrada pela professora Marilene Mattos.

De acordo com o IBGE, 12, 9 milhões de brasileiros ainda estão sem uma ocupação. Apesar da queda de 3,9% em comparação ao segundo trimestre de 2017, o número ainda é alto e preocupa. Uma das saídas para fugir do desemprego e conseguir uma renda para o lar tem sido o trabalho informal, que teve um aumento.

Com as portas fechadas nas empresas, 22,9 milhões de brasileiros estão buscando no trabalho informal a principal renda. A elevação de 1,8% no número de trabalhadores informais reflete o atual quadro do Brasil diante da forte crise que afeta o país desde 2013.

Alexandre Amorim empreendedorismo

Alexandre Amorim, o Tio Xande

Alexandre Amorim, 24 anos, nunca teve a carteira assinada. O tio Xande, como é chamado, começou a trabalhar com transporte escolar em 2013. Atualmente, Alexandre cursa Direito e investe parte do lucro na faculdade. Além de trabalhar com transporte escolar, o jovem ainda trabalha com festa infantil nos finais de semana.

Optei pelo trabalho autônomo pela flexibilidade de horários e pela remuneração que é melhor do que é oferecido no mercado de trabalho formal”

Assim como Alexandre, muitos jovens estão fora do mercado formal. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o número já ultrapassa os 12,9 milhões. Em contra partida, o trabalho informal e/ou por conta própria aumentou.

Jovens que trabalham por conta própria.png

Espírito Santo

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no Espírito Santo, 1.841 postos de trabalho foram fechados em julho. Para o economista e Mestre em Política Social Raphael Rodrigues, o grande número de trabalhadores informais é reflexo do desemprego.

A elevação da informalidade não deve ser vista como algo “positivo”, pois até mesmo considerando o seu aumento, devido a suas especificidades, acaba por não substituir os ganhos econômicos e sociais advindos com o aumento da geração de postos de trabalho formais”, conclui o economista.

Para o motorista de transporte escolar, Alexandre Amorim, o mais enriquecedor é ver o próprio negócio crescer, ganhar forma e trazer lucro de maneira muito rápida. “Trabalhar por conta própria tem suas vantagens. O fato de poder flexibilizar seus horários, poder comandar e ver o seu negócio crescer não têm preço”, destacou Alexandre.

“Criative-se”

Mesmo com várias pessoas entrando no mercado informal, o serviço é interessante, mas para estar sempre em destaque é preciso inovar. Com tantas opções, atrair a clientela ficou mais difícil. Rafael Mello, 30 anos, tem uma loja de roupas masculinas em Vitória. Rafael se destaca pela valorização das belezas capixabas na produção dos produtos. Para o empresário, a principal aposta para atrair o clientela é a criatividade.

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“Com criatividade tudo se torna possível. Por isso criative-se”, destaca Rafael Mello (a direita na foto)

Segundo o economista e Mestre em Política Social Raphael Rodrigues, a área de atuação deve ser na área que a pessoa deseja iniciar uma atividade. Ele ainda relata que não é interessante investir num produto que não se identifica. “É sempre importante buscar identificar as qualidades, aquilo que a pessoa sabe, ou já ouviu falar que faz bem, e que assim possa acreditar que outras pessoas pagariam pelo que ela faz”, explica Rodrigues.

Uma volta pelo Centro de Vila Velha

É bem comum se deparar com diversos comércios informais quando se está pela cidade. O aumento de trabalhadores informais confirma como esse tipo de trabalho sempre foi um escape para muitos brasileiros, ainda mais em um ano que foi marco por crise econômica.

Os problemas que levam a essa situação começam na base do sistema do governo e no acesso a educação. Em algumas situações, crianças começam a trabalhar para ajudar a família. Os motivos são os mais variados e a necessidade de renda para ter melhores condições de vida fala mais alto. Para ter uma melhor noção da situação, fomos as ruas para ouvir o que esses trabalhadores tem a dizer sobre o ofício.

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O tempo de aposentar chegou, mas a vontade e, também, a necessidade de trabalhar permanecem. Essa é a realidade de muitas pessoas que são aposentadas e mesmo assim continuam no mercado de trabalho. O desejo de se sentir útil motiva muitas pessoas a não se acomodar. Por outro lado, há aqueles que precisam continuar a trabalhar para aumentar a renda, especialmente em tempos de crise econômica.

Segundo a assistente social Elly Laury Barbosa Carvalho a tendência no crescente número de aposentados que estão se inserindo no ambiente profissional é considerado positiva tanto no aspecto social do aposentado quanto benéfico para empresa. Elly destaca que enquanto umas empresas promovem a aposentadoria incentivada outras contratam essas pessoas pela experiência.

Lazer

O amor pelo trabalho e a paixão desde a adolescência pelo que faz não deixaram que a vendedora autônoma Enedina Araújo Castro abandonasse o trabalho. Dona Neda, como é carinhosamente conhecida, vende produtos de cama, mesa e banho. Ela bate de porta em porta oferecendo o seu material e disse que isso é uma terapia.

Eu não sei o que é ficar dentro de casa só lavando e cozinhando. Preciso ver gente, conversar, ver o mundo e me distrair. Meu trabalho é uma diversão”, conta com sorriso estampado no rosto.

Renda Extra

O comerciante Raimundo Gonçalo da Costa decidiu abrir o próprio negócio. Logo após a aposentadoria como fiscal em uma indústria ele percebeu que as despesas da casa ficaram acima do valor da aposentadoria, a partir daí decidiu abrir o próprio negócio. Hoje, ele tem um carrinho para vender churrasquinho junto com sua esposa e garante que é o maior sucesso. “Vem gente de longe pra comer aqui no meu carrinho. Preciso desse trabalho pra completar com a aposentadoria pra pagar as despesas da casa” afirmou.

Trabalho Informal

O talento em inovar e empreender pode ser passado de geração em geração.
Há explicações de que isso acontece pela busca da independência e o emprego formal deixa de ser um projeto de vida dessa nova geração. Com as dificuldades no mercado, os jovens enxergam o empreendedorismo como uma opção de carreira profissional.

O estudo Jovens Empresários Empreendedores, divulgado pela Federação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) apontou que se tornar empreendedor nos próximos anos está no planejamento de dois em cada três jovens brasileiros. Entre as motivações estão, realizações de um sonho (76,4%), qualidade de vida (75,6%), altos ganhos financeiros (70%), interesse em um mercado promissor (66,1%) e não ter um chefe (64,5%).

Para o economista Mário Vasconcelos, é muito importante a carreira desses jovens que estão muito antenados no empreendedorismo. Ele conta que os jovens devem colecionar experiências, com coragem e criatividade e gerar lucros, empregos e renda.

Quando alguém começa um empreendimento, na pior das hipóteses está gerando emprego e esse jovens estão inovando e de olho nas novas características de mercado’’, explica.

Mário Vasconcelos acredita que o empreendedorismo jovem está se tornando uma tendência. “Há um tempo os jovens sonhavam em fazer uma faculdade, ser um funcionário público, mas com as mudanças trabalhistas, reforma na previdência, os jovens estão mudando de ideia’’, ressalta.

Além disso, o economista explica que muitos estudos apontam o aumento no PIB brasileiro. Isso deve acontecer nos próximos anos pelo fortalecimento dos incentivos às empresas, microempresas e empreendimentos de pequeno porte.

Empreendedorismo de família Kelmer Henrique Silva, 41 anos, empresário, conta que o primeiro contato com o empreendedorismo foi aos 12 anos quando resolveu idealizar a vontade de obter conquistas e ter lucros. O empresário explica que incentiva os filhos a entenderem o empreendedorismo para eles terem a vontade de conquistar o mercado e dar valor às coisas. ‘’Só assim eles podem ver de perto o trabalho, ter vontade de conquistar e conseguir bons resultados, afirma.

O gestor considera importante o empreendedorismo ou o primeiro contato em
um trabalho informal nesse momento capitalista. “Se todas as pessoas entendessem o valor das mínimas coisas, poderíamos estar em um país melhor e evoluir por meio da conquista, pois o empreendedor é um conquistador e idealizador de sonhos’’, finaliza.

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Kelmer e a família

Kelmer já passa a experiência para os filhos. Estella Nice, 19, e Cecília Rute, 17, possuem uma loja no Instagram com peças do vestuário feminino. Para as estudantes, a importância é no amadurecimento e para a consciência dos fatores econômicos. “Meu pai tem uma história de vida que incentiva as pessoas a procurarem o amadurecimento e independência, e no caso dele não incentivou só a mim, mas também a meus irmãos’’, completa Estella.

Kelmer Henrique Filho, estudante, 12, é filho do gestor e já gosta de ter um trabalho informal. Nas férias, o estudante aproveita o tempo livre para vender picolé em casa para os amigos do condomínio. Ele conta que o pai foi o principal incentivador. Dessa forma, seguindo os passos do pai teve a ideia de começar um trabalho informal. “Eu vejo ele trabalhando e como administra a empresa e tento ganhar dinheiro como meu pai faz’’, ressalta.

Para o estudante é importante começar a se envolver no empreendedorismo
cedo, pois além de, poder juntar dinheiro e comandar o próprio negócio, não
precisa pedir dinheiro para os pais sempre.

Com o meu trabalho informal posso administrar meu próprio dinheiro, já vou economizando e não preciso depender dos outros sempre que quiser comprar algo’’ completa.