Luxo e mercado: o que é e para quem é feito

Textos escritos por Michelli Angeli e Pedro Permuy para a disciplina de Webjornalismo, ministrada pela professora Marilene Mattos.

Existe um mundo melhor, mas ele é (muito!) mais caro. O mercado enxerga os potenciais consumidores do luxo, e, para isso, produz o que essas pessoas querem comprar. Como? Pesquisa. Além disso, décadas de atuação na área em que trabalham também ajuda a conhecer o próprio perfil de clientes.

Clientes esses que são os responsáveis por alimentar a indústria que mais vende no mundo: a do luxo. Mas você já parou para pensar como ele aparece? Não vá pensar que esse glamour é acessível para todo mundo — por que não é. Por trás das prateleiras há um cofre que guarda essas belezas. A reportagem foi atrás dessas maravilhas e encontrou a resposta que dá conta de parte desse universo chique.

Procedimentos mais caros que um carro para turbinar o visual

Afinal, o que é um carro popular perto do corpo dos sonhos, não é mesmo?

Já diz o ditado: tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Aliás, quando a conta bancária não é pequena. Isso porque procedimentos estéticos, que passeiam entre seringas de botox e até lipoesculturas, podem ultrapassar o valor médio de um carro popular, comercializado por mais ou menos R$ 37 mil. A ideia é remontar à juventude por meio dos bisturis, e os adeptos à prática pagam sem dó o preço que estiver à venda a jovialidade.

Há 25 anos o cirurgião plástico Humberto Pinto faz verdadeiros milagres nos corpos de quem o procura. Ele avalia que o preço dos procedimentos pode mudar de acordo com a região do país em que se está e também crê que o status e o reconhecimento do profissional influenciam diretamente no preço das operações.

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Humberto Pinto é cirurgião plástico há 25 anos (Foto: Michelli Angeli)

Para ele, a mesma plástica pode custar R$ 12 mil, em um estado, e R$ 40 mil, em outro local. Isso porque o cirurgião defende a tese de que a internação ainda é cara. “Além disso tem a questão da singularidade do profissional, que encarece à altura do reconhecimento que essa pessoa tem no mercado”, pondera.

Há limites para a mudança? O médico explica que os cirurgiões precisam ter bom senso de fazer a pessoa entender que nem sempre tudo é possível da forma como o paciente pensa. “O que é mais importante é aprender a falar não”, ressalta.

Ouça parte da entrevista com o médico Humberto Pinto:

15 anos mais jovem

A pregoeira Maria Suzel Tedoldi Menegheli, de 60 anos, já fez três procedimentos cirúrgicos. Para isso, ela desembolsou cerca de R$ 50 mil, e ainda pensa em fazer mais. “Eu fiz plástica no rosto, seio e bumbum para aumentar minha autoestima. Todo mundo diz que tenho no máximo 45 anos”, declara.

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Suzel Tedoldi Menegheli já pagou cerca de R$ 50 mil em cirurgias (Foto: Arquivo pessoal)

Suzel afirma que o gasto que tem ainda é alto, mas avalia que os anos a menos valem cada centavo. “Além das cirurgias eu faço aplicação de toxina botulínica (conhecido como botox), peelings, preenchimentos e gasto por ano mais ou menos R$ 5 mil com essas intervenções. O gasto não é pouco, por mais que mais gente hoje esteja fazendo plástica, é preciso ter uma condição social para manter”, pontua.

As 4 joias que os investidores mais gostam de comprar

Antes só parte do look, anéis, colares e braceletes agora servem
como forma de capitalização segura

Enquanto ela valoriza, você ainda pode usá-la. Se antes, as joias eram meros objetos de desejo que protagonizavam nas vitrines mais luxuosas do mundo, agora são compradas de forma planejada e guardadas em um cofre — a sete chaves. É que os investidores passaram a enxergar nos colares, braceletes e anéis uma forma de capitalizar o dinheiro e fazer agregar valor ao preço real do produto.

O designer capixaba Dorion Soares é dos poucos no país que lida com o mercado da statement jewellry, como é chamada essa joia pensada como forma de investimento. Ele garante que embora essas peças comecem na faixa dos R$ 45 mil, o céu é o limite — dos sonhos — e do preço delas. E, pasme: há quem pague sem dó o valor de um apartamento em uma dessas criações exclusivas.

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Dorion Soares recebeu a reportagem e avaliou o que as joias de investimento precisam ter; designer tem peças que são produzidas especialmente para essa finalidade (Foto: Pedro Permuy)

Para ele, o perfil desse investidor é variável, mas há uma condicionante que sempre calha na característica do comprador: em sua maioria, homens. “E nem sempre são peças masculinas. Às vezes eles compram uma joia para a esposa, e ela usufrui dela durante o período de valorização da peça”, explica.

A reportagem separou as quatro características que essas joias têm que ter:

Exclusividade

De que adianta ter uma “joia de departamento”? Por ter sido fabricada em massa, muitas pessoas têm uma igual à sua. Exclusividade é a palavra de ordem nesse caso.

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Pulseira, com 998 diamantes cravejados, foi feita sob medida para cliente (Foto: Pedro Permuy)

Raridade

Os investidores também ficam de olho na raridade das gemas. É que há pedras mais difíceis de encontrar do que outras, como é o caso da Turmalina Paraíba. Brasileira, essa preciosidade está com os dias contados. Mas, enquanto isso, seu valor de mercado só aumenta.

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Colar de diamantes com turmalina paraíba; pedra rara, a gema é considerada (super) valiosa— e só tem no Brasil (Foto: Pedro Permuy)

Qualidade

Assim como a raridade, a qualidade das gemas também é fator determinante para dizer se aquela peça é rentável no mercado do investimento. A pureza das pedras e a lapidação são dois itens embutidos nessa qualidade, que, logicamente, é cresce proporcionalmente ao preço.

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Pureza das gemas é levada em conta na hora da precificação (Foto: Pedro Permuy)

História

Cada peça tem uma história por trás da fabricação. A título de exemplo: é muito mais valioso um colar feito por um grande designer do que um outro que não tenha sequer assinatura. Uma peça atemporal, nesses casos, tem um bônus na precificação.

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Como foi feita e que história a peça carrega também são itens levados em conta na hora de calcular o valor (Foto: Pedro Permuy)

Veja vídeo com entrevista exclusiva de Dorion Soares:

 

 

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