Rio Aribiri tenta sobreviver em meio à poluição

Textos escritos pelos alunos Ygor Cássio, Taynara Nascimento, Michel Lisboa e Natan Silvério para a disciplina de Webjornalismo, ministrada pela professa Marilene Mattos

rio Aribiri nasce na região da Lagoa Encantada, em Vila Velha. A origem do rio, que está em uma área verde localizada no meio urbano, permanece preservada, mas a situação da nascente não reflete a realidade dos trechos que passam em meio às casas.

Assim que o rio se aproxima do perímetro urbano, a situação se torna bem diferente. O descarte de lixo, resíduos e esgoto não tratado das casas deixa o rio com aspecto sujo, levando muitos moradores a confundi-lo com um valão. O curso d’água, praticamente assoreado, tenta sobreviver em meio a tantas impurezas.

“Quando eu cheguei aqui, o rio já estava um pouco poluído, mas as crianças ainda tomavam banho, as pessoas pescavam, tinha muito siri, caranguejo e, quando a maré começava a encher, a gente via as tainhas pulando. E agora acabou”, disse João Manuel Ribeiro dos Santos, o Seu João, que mora na região do rio Aribiri desde a década de 1970.

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Rio Aribiri

biólogo Yuri Cardoso participa do Projeto Caiman, que monitora a biodiversidade presente no rio, especialmente dos jacarés que habitam na região. Cardoso ressalta a importância do rio. “Ao longo do rio, temos o problema da poluição, que é muito grave. A natureza não precisa das pessoas, nós que precisamos da natureza. Então, cada vez mais degradar o meio ambiente é degradar a saúde da população”, disse Cardoso.

Para Seu João, a solução para a poluição do rio é a conscientização da população. “Depende muito da colaboração das pessoas, a consciência de cada um. Eu acho que a gente tem que trabalhar muito as escolas, as famílias, para as crianças que estão começando. Acho que já tem costume de jogar lixo na rua, para ter uma consciência e retornar para o que era antes é muito difícil”, disse.

A gente sonha um dia poder ver os peixes nadando novamente no rio Aribiri”, disse Seu João.

 

Lagoa Encantada é esperança para o Rio Aribiri

É difícil transitar por Vila Velha sem se deparar com um córrego ou rio poluído. A cidade está evoluindo cada vez mais e todo esse avanço faz com que as paisagens de área ver fiquem somente na memória. Preocupados com esta mudança, moradores da região buscam salvar e preservar a nascente do Rio Aribiri.

A origem do rio tem uma área total de 1.194.804,85 m² e é abrigo de diversos animais silvestres. A Lagoa Encantada como é chamada, conta com manguezais, Mata Atlântica e corpos hídricos alagados. Atualmente, é uma Área de Preservação Permanente (APP) mantida pela Prefeitura Municipal de Vila Velha, mas protetores da região lutam para que ela se transforme em um parque natural.

A nascente é a única região do Rio Aribiri que ainda está viva. Quem passa pelo local se depara com um cenário verde, com natureza viva, não é difícil encontrar animais nativos e árvores antigas. Porém, quem segue o percurso do rio enfrenta um desmatamento provocado pela urbanização e uma enorme poluição, por isso a população preza pela conservação da nascente, para que o rio não morra completamente.

Wilerman Silva faz parte do Fórum de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental da Grande Vale Encatado (Fórum Desea) e está sempre monitorando e registrando as espécies com fotografias e vídeos. Além de trabalhar diariamente em prol da nascente, ele, juntamente com sua esposa, promovem trabalhos com escolas, alunos e pesquisadores para tentar divulgar as riquezas da região e conscientizar mais pessoas da importância da Lagoa Encantada para a cidade de Vila Velha.

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Tudo começou em 2012 e 2013, logo quando a Rodovia Leste-Oeste estava começando a ser construída em Vila Velha, surgiu uma preocupação por parte de Wilerman em preservar uma região que foi cenário de sua infância. Unindo-se a outros moradores, nasceu o Fórum Desea, que ainda hoje luta pela preservação e pela criação de um Parque Natural na Lagoa Encantada.

A gente vem realizando palestras, trazendo estudantes, plantando árvores divulgando fotos, vídeos, tudo com o intuito de trazer cada vez mais pessoas para esta causa e também chamar a atenção das autoridades”, disse Wilerman.

Com quase 6 anos de trabalho tentando salvar a região, Wilerman conta como quer ver a região um dia. “Para a gente, esta região é muito importante, quase todos os dias a gente ‘tá’ aqui trazendo pessoas. Eu amo mesmo este lugar de coração e cuido como se fosse um filho a gente quer que isto aqui cresça, floresça e que várias pessoas possam conhecer e sentir um pouquinho deste vento batendo nas costas do frescor das águas e da maravilha dos sons dos pássaros”, ressaltou.

Moradores trocam lixo doméstico por moeda verde em Vila Velha

O Fórum do Rio Aribiri, localizado em Ataíde, no município de Vila Velha, funciona como um Banco Verde em que os moradores e algumas empresas trocam materiais recicláveis que seriam jogados no lixo por moedas verdes.

As moedas podem ser trocadas por alimentos ou produtos de limpeza no próprio banco. Além disso, um açougue e uma mercearia da região aceitam a moeda. O principal objetivo do Fórum do Aribiri é reduzir os resíduos locais evitando o acúmulo de lixo no rio e estimular a geração de renda na região e de ações produtivas e empreendedoras.

Com o auxílio de apoiadores e alguns moradores da região, o Instituto Verde Vida também realiza palestras, festas e reuniões com a comunidade. Além de funcionários registrados que trabalham no banco, outros serviços são prestados por voluntários que geralmente são moradores, alunos ou profissionais formados que prestam apoio técnico para as atividades realizadas no local.

O Fórum conta também com um curso gratuito que ensina a fazer sabão, utilizando óleo usado e conta com o apoio do químico Mauro Cesar Dimas, que assume as responsabilidades dos agentes químicos utilizados durante a fabricação. O químico, que é um dos responsáveis pela produção de sabão e outros produtos de limpeza fabricados no local, explicou que o processo da fabricação tem como matéria-prima o óleo usado, que é trocado no próprio Instituto.

Rose Vale produz o sabão sustentável, que é vendido no banco no valor de R$1,50 e conta passo a passo sobre a fabricação. “Primeiro nós pegamos o óleo que estava em repouso, coamos em um pano, colocamos água e soda. Esperamos o efeito, depois colocamos na forma e depois de dois dias cortamos e embalamos”, explicou Rose.

 

Economia colaborativa

Adeilza Silva, 32, auxilia na administração do Banco Verde Vida e atende em média 50 famílias por mês de pelo menos 22 bairros da região. Ela ressalta a importância do projeto para os moradores e clientes da região. “Este trabalho ajuda primeiramente na questão do meio ambiente, porque os resíduos que os moradores acham que não tem utilidade, além de não estar nas ruas prejudicando a natureza agora podem ser trocados por alimento”, comentou Adeilza.

A economia colaborativa tem o objetivo de repensar o consumismo na sociedade e pode ser praticada de diversas formas, além de reciclar o lixo doméstico, é possível reduzir os resíduos, reutilizar, reciclar, reeducar as pessoas e replanejar atitudes diárias. O Instituto Verde Vida trabalha para que essa prática seja aplicada com pessoas capazes de mudar o mundo.

 

Voluntariado se mobiliza para salvar rio através de ações socioambientais

Ações socioambientais, preservação ambiental e sensibilização comunitária são objetivas de um grupo de voluntários, que procuram transformar a realidade no entorno da bacia Rio Aribiri. O Grupo Comunidade em Ação, através de lideranças comunitárias, realiza essas ações nos bairros de Paul, São Torquato, Ataíde e Aribiri. A proposta é englobar a comunidade e sensibilizar sobre a importância do rio.

O foco está na sustentabilidade e reciclagem, no reaproveitamento de resíduos, no incentivo ao cuidado da vida. O projeto conta com parceiros como o Instituto Verde Vida e o Banco Comunitário e as ações são coordenadas pela Fundação Otacílio Coser (FOCO). Além disso, o projeto trabalha nas escolas locais com atividades junto às crianças, a fim de incentivar uma mudança na cultura e, assim permitir visualizar um futuro sustentável.

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Os responsáveis pelos grupos de apoio que atuam na região desde 2002 salientam a importância do envolvimento da comunidade nas atividades de prevenção e combate a poluição e sustentabilidade do rio.

Geraldo Gomes, um dos responsáveis pelo grupo Comunidade em Ação, relata o momento atual do projeto e o que está sendo realizado pela comunidade. “Estamos encerrando o projeto Rio Conhecimento. Começamos em outubro do ano passado e a ideia é um reconhecimento real do Rio Aribiri e as necessidades reais da qualidade de vida das pessoas da região. Dentro desse projeto, realizamos algumas ações importantes, como expedições junto ao rio, o Cine Rede Ciências nas escolas, em que procuramos levar conscientização e reuniões com as lideranças para a viabilização de novas ideias sustentáveis”, disse.

Gomes pontua o aumento na preocupação da comunidade em manter o meio ambiente. Cita a participação do poder público e aborda os próximos passos a serem realizados. “A comunidade está preocupada em cuidar do meio ambiente e essa inclusão da sociedade faz com que o poder pública participe também. Movimentando a comunidade, o poder público se vê obrigado a agir. Agora queremos preservar a nascente do rio em Vale Encantando. Temos uma parceria com a SOS Mata Atlântica para realizar um monitoramento e ver como está essa preservação, mas nosso objetivo é aumentar as atividades a fim de trazer novas pessoas e consequentemente novas parcerias”, relatou.

Laryssa Alvarenga é estudante de Engenharia da FAESA e acompanha os trabalhos realizados no bairro. Ela acredita que uma possível solução é não despejar o esgoto no rio, porque causa um processo de entronização, a água se torna turva e acaba desencadeando uma série de problemas. “É necessária uma conscientização ambiental da comunidade. Não adianta parar de jogar esgoto, sendo que ainda se tem uma cultura de jogar lixo no rio ou na rua”, ressalta Larissa.