Festival Sérgio Sampaio – 1° dia

Na última sexta- feira, o Festival Sérgio Sampaio trouxe para a sua 12° edição a ilustre presença de Jards Macalé, músico carioca contemporâneo a Sampaio, para um bate-papo sobre a vida e a obra do artista. A conversa aconteceu no Teatro Sesc Glória e também contou com a participação de João Sampaio, filho de Sérgio Sampaio, e Mônica Vermes, professora da UFES e pesquisadora de música brasileira.

Durante o debate, Jards comentou sobre o rótulo de “maldito”, que foi atribuído a ele, a Sampaio e outros nomes da MPB nos anos 1970. O título foi usado pela mídia da época para definir uma geração de músicos diferenciados e subversivos e que não se encaixava em nenhum estilo da época. Eram considerados antipopulares, difíceis de ouvir e de rotular. “Não eramos nem samba, nem rock, nem blues…Como não sabiam onde nos encaixar fomos chamados de malditos”, relata o compositor.

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Jards Macalé e Sérgio Sampaio

Uma característica marcante da turma de “malditos” era a postura de inconformismo e de indignação com o sistema. Além de terem protestado contra a ditadura militar eles também se rebelaram contra a indústria musical. Sérgio Sampaio, por exemplo, recusava-se a fechar contrato com as grandes gravadoras pois não queria associar a sua imagem a algo comercial e midiático.

Em vários momentos do descontraído bate-bapo Jards Macalé cantou alguns sucessos de Sérgio Sampaio como “Velho bandido” e “Eu quero é botar meu bloco na rua“. Jards deu uma nova roupagem as canções encantando e animando o público.

João Sampaio relembrou em muitos momentos a memória de seu pai, comentou também sobre a atemporalidade contida na obra e como ela descreve perfeitamente o tempo em que estamos vivendo. Para encerrar a conversa, o filho do compositor comentou sobre o cenário político atual do Brasil e destacou a morte de Marielle Franco. A homenagem a vereadora emocionou e causou comoção na plateia.

O evento foi transmitido ao vivo pelo facebook da TV FAESA. Confira!