1968: A utopia já acabou?

Em 1968, muitas foram as pessoas que saíram do conforto de suas casas para manifestar a favor de alguma transformação social e política em seus países. Nos Estados Unidos, França e no Brasil, onde os protestos foram mais fortes, os movimentos foram tão importantes para a história de cada nação que, atualmente, muitos são os indivíduos que têm participado de eventos que homenageiam aqueles que um dia já lutaram por mudanças.

Várias eram os fenômenos que estavam acontecendo ao redor do mundo há cinquenta anos. Nos Estados Unidos, por exemplo, membros de grupos militantes que participaram de marchas contra o sistema e outros motivos, foram inspirados a manifestar por movimentos negros anteriores a 1968. Alguns ainda estavam em busca de direitos civis e trabalhos voluntários que tivessem ligação direta com comunidades carentes.

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Movimento Black Power, Estados Unidos, 1968

Na França, por outro lado, os estudantes se mobilizaram contra a estrutura acadêmica conservadora e disciplina rígida exercidas no país e ocuparam a Universidade de Nanterre, a primeira de várias ocupadas. Os policiais, na época, foram muito agressivos na tentativa de contê-los e outras Universidades francesas vieram a ser ocupadas. A população nacional passou a conhecer os motivos do estudantes e se juntou a eles na luta contra um governo rígido e autoritário.

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Manifestações na França, 1968

Já no Brasil, os manifestantes se uniram ainda mais contra a Ditadura Militar quando o jovem estudante Edson Luís foi assassinado, sendo o estopim para as manifestações ao redor do país. A mais famosa, conhecida como “Passeata dos Cem Mil“, aconteceu com o objetivo de fazer o regime atuante no país recuar e foi o maior protesto já visto contra a ditadura militar naquela época.

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Passeata dos Cem Mil, Rio de Janeiro, Brasil, 1968

Mas o que se sabe sobre a sociedade em 1968?

Alguns livros de literatura (como o livro 1968 – O ano que não terminou de Zuenir Ventura, lançado em 1988) e até mesmo quem viveu aquela época conta que os movimentos contra o poder e o sistema trouxeram pensamentos sobre família, valores sociais e religiosos e regras que não tinham sido discutidos antes. O autor entrevista pessoas que viveram aquela época e comenta sobre a violência, as drogas e os movimentos gays, relembrando outros movimentos que mexeram com a sociedade.

Como o movimento feminista, quando teve sua explosão, o que as mulheres não queriam era atuar como simples esposas submissas aos maridos; elas queriam mostrar que ser mulher não a impede de fazer “trabalho de homem”. O fator biológico não as priva de algum emprego, pois não existe essa história de que a mulher é o sexo mais frágil. #girlpower

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Movimento feminista, Estados Unidos, 1968

Em 1968, outro movimento que teve um grande destaque foi o hippie. Com o musical Hair, que se tornou filme pouco tempo depois, a Broadway apresentou ao mundo cenas de nudez, uso excessivo e explícito de drogas, além de lançar ao público um estilo de “paz e amor” que nem todos conheciam ou foram a favor. Em movimentos como esse, o rock, a nudez, o sexo livre e o uso “liberado” de drogas eram muito comuns.

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Musical Hair, da Broadway, Estados Unidos, 1968

Foi a partir de movimentos como os citados acima que pensamentos e hábitos começaram a mudar no Ocidente. Um lado do mundo que era tão fiel e vinculado ao Cristianismo logo foi conquistado por novas religiões trazidas do Oriente. O budismo foi uma delas e abriu a mente dos ocidentais, iniciando um processo de desconstrução moral e social do indivíduo. Desde aquela época, religiões vindas do Oriente são vistas como místicas.

Esse foi só o começo de um turbilhão de construções e desconstruções pelos quais o homem passou desde 1968 até hoje, cinquenta anos depois. Poucas são as pessoas em 2018 que sabem quem foi Jimi Hendrix, grande nome da música estadunidense e famoso por ser violento com sua guitarra e todo charme e sensualidade que ele tinha, se tivermos que citar um nome.

Cazuza, um ídolo do Brasil, relatou experiências que teve com o astro do rock’n’roll dos Estados Unidos e confirmou que ele era muito mais que os jovens daquela época já conheciam e esperavam do movimento do rock. O som, que foi apresentado para o mundo inteiro, mostrou que não eram apenas os jovens estadunidenses que tinham mais a saber sobre o rock; o planeta Terra tinha muito o que descobrir ainda.

Jimi Hendrix em um de seus shows

Apesar de ter sido um ano muito complicado, o Brasil teve um de seus melhores períodos de produção artística em 1968 ao mesmo tempo em que passou por tempos conturbados na política. Cinquenta anos atrás, surgiam movimentos no país como a Tropicália, que mexeu com os eixos de equilíbrio brasileiros entre 1967 e 1968.

A Tropicália foi um dos eventos que balançou o Brasil quando se fala em tradição, pois misturava em suas músicas o rock, que veio dos Estados Unidos, e estilos musicais próprias da nação, como o samba e a bossa nova. Naquela época, era comum que as músicas brasileiras fossem influenciadas por ritmos estrangeiros, mas nenhuma que fosse, sem tirar nem pôr, exatamente o ritmo do exterior. Infelizmente, o regime militar atuante no país encerrou as atividades da Tropicália, mas alguns cantores da época, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, prosseguiram carreira solo.

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Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil, membros do movimento Tropicália

Vale lembrar que, naquela época, quem saiu às ruas para protestar contra o sistema de cada país eram, em sua maioria, estudantes, jovens que queriam apenas o melhor para a sua nação. Existem pessoas que estudaram sobre 1968 e afirmam que as utopias, ou seja, os sonhos criados em busca de um país melhor, persistem na alma de cada cidadão que passou por aquela época e ainda tem história para contar.

 

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