Sorria! Hoje é dia de samba

Considerado o gênero musical tipicamente brasileiro, o samba tem suas raízes nos batuques dos africanos trazidos para o Brasil na colonização. Por conta de sua origem, o samba foi marginalizado por muito tempo e visto de forma preconceituosa. Atualmente, o samba é bem aceito pela maioria, mas ainda há rejeição por parte de alguns brasileiros.

Classificações do samba

Existem seis tipos de samba: samba de roda, associado à capoeira e ao culto aos orixás; samba-enredo, tema das escolas de samba; samba-canção, estilo mais romântico, de músicas lentas, popularizada nos anos 50 e 60; samba-exaltação, estilo patriótico e ufanista; samba de gafieira, dança de salão, comum nos anos 40, derivado do maxixe e pagode, ritmo repetitivo com instrumentos de percussão e sons eletrônicos, criado na década de 70.

Ícones do samba

Zeca Pagodinho e o samba de roda

Samba-enredo da Imperatriz 

Dolores Duran e o samba-canção

Cantando samba-exaltação, Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Samba de gafieira representado por Geraldo Pereira

Pagode sendo tocado pela Turma do Pagode

Espírito Santo

A terra capixaba é fértil para o samba, especialmente para o samba-enredo. Nomes como Marcelino Monte Negro, mestre de Bateria da Novo Império, Sidney Moraes Junior da Penha, mestre de Bateria da MUG e Genivaldo Monteiro, mestre de Bateria da Unidos de Jucutuquara, além da Velha Guarda do Samba, escola de samba de Cachoeiro de Itapemirim, foram homenageados pela Prefeitura de Vitória em 2014.

Isso mostra que este gênero musical vem se popularizando ainda mais no cenário estadual. Entretanto, recentemente o cantor de sertanejo, César Menotti, deu uma declaração no programa “Altas Horas” dizendo que “samba é coisa de bandido” e causou bastante desconforto para os sambistas capixabas.

O cantor de pagode, Derlan Alves, explicou que o samba veio de raízes mais humildes, de favela, por isso a fala do sertanejo.

César Menotti foi infeliz, pois o samba é a expressão social das desigualdades encontradas no nosso meio, é expressão poética, é o retrato do povo. Foi uma baita de uma bola fora”, disse Alves.

Questionado sobre o que falta para a cultura sambista se expandir no estado, Derlan  relatou que falta união dos músicos capixabas. “Falta união para que não continuemos reféns de contratantes de algumas casas de shows. A união partiria de um piso de valor, no qual nenhum grupo poderia cobrar menos do que aquele valor, para que recebamos um valor justo para melhorar o nosso mercado de trabalho. A partir dessa valorização, o pagode capixaba irá dar uma guinada no estado”, expôs o pagodeiro.

Tamires Perozini, amante do samba, falou que durante sua infância não gostava muito de samba, mas com o tempo se apaixonou, ademais, ela disse que sente falta de bandas de samba. “Desde nova minha família escutava samba, não gostava muito de início, mas quando fui ficando mais velha fui me apaixonando. Hoje em dia há muitos grupos de pagode que às vezes tocam samba nos shows que fazem em boates, mas grupo de samba aqui no estado quase não tem visibilidade”, declarou Tamires.

Sambista carioca vem para o Espírito Santo continuar sua carreira

O sambista Tunico da Vila, nascido no Rio de Janeiro em 1973, se mudou há dois anos para o estado para dar continuação à sua carreira. Lançou, na Casa de Bamba – casa de shows localizada no Centro de Vitória, onde toca gêneros musicais brasileiros, como samba e MPB –, o seu álbum musical “O Velho de Oiá”, com cinco músicas, que homenageiam o Candomblé, sua religião.

Seu pai, Martinho da Vila, se apaixonou pela Barra do Jucu, Vila Velha, quando pesquisava sobre o folclore brasileiro, e encontrou no bairro o congo capixaba. Após isso, o cantor participou do encontro das bandas de Congo da Barra e adaptou a cantiga do congo “Madalena”. Há 25 anos, Tunico começou sua carreira em Guriri, se apresentando junto com seu pai. Por isso, o estado tem um significado especial para ele.

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Tunico da Vila. Fonte: arquivo pessoal

Questionado sobre a escolha dele de morar em Vitória, o músico disse que guarda memórias, já que passou parte de sua infância aqui, e que gosta muito da cultura do congo espírito-santense. “O Espírito Santo faz parte da memória afetiva da minha família. Venho para cá desde a minha infância. O estado é muito rico culturalmente, não à toa o congo chamou atenção do meu pai na década de 80”, declarou Tunico da Vila.

Spirito Samba

O sambista desenvolve o projeto cultural “Spirito Samba”, que traz mensalmente artistas nacionais para Vitória. A proposta do projeto é realizar o intercâmbio entre os artista convidados e os músicos capixabas oriundos da Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames), banda da Polícia Militar do Espírito Santo e de escolas de samba.

O samba nasceu com os africanos, e além do preconceito racial que está embutido, também há o preconceito social e religioso que muitos brasileiros ainda têm contra o gênero musical. Tunico da Vila explicou que esse preconceito vem contra tudo que é negro.

Historicamente o samba foi marginalizado e nasceu no morro. Na minha visão, a discriminação cultural se dá por critérios sociais e raciais. O racismo velado é o que predomina no Brasil.  O preconceito existe contra tudo que é negro, o samba, o candomblé, o congo capixaba, a umbanda, a folia de reis, o ticumbi, jongo. O processo é lento pois o racismo no Brasil parte da negação”, expôs o cantor.