As mulheres do futebol brasileiro

O ano é de Copa do Mundo e o Brasil respira a sua paixão nacional. No entanto, do lado das Marias que chutam, pouco se fala, pouco se vê. O fato é que a bola no pé também move mulheres brasileiras.

Da história do futebol feminino neste país, tem-se que desde o início do século passado existe a prática esportiva, apesar de ter faltado o caráter eminentemente competitivo, já que os jogos eram vistos como meros eventos isolados. Há quem diga que a primeira partida realizada ocorreu em 1921 entre tremembenses e catarinenses e que o primeiro time tenha sido o Araguari Atlético Clube, em Minas Gerais.

A primeira grande conquista do futebol feminino brasileiro, modalidade que nos Estados Unidos é amplamente difundida para o gênero, foi o quarto lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta. Em seguida, mantiveram o feito em Sidney e obtiveram a prata em Atenas e Pequim.  Já no Pan-americano de Santo Domingo, em 2003, e do Rio de Janeiro, em 2007, a equipe recebeu o tão sonhado ouro.

Também dentre as conquistas da seleção brasileira, as meninas são heptacampeãs da Copa América, tendo vencido pela sétima vez no Chile, em abril, comandadas pelo técnico Vadão. Assim, as craques têm vaga garantida na Copa do Mundo da França, em 2019.

Marta: a deusa do futebol

Como maior destaque nacional, a jogadora alagoana de Dois Riachos, Marta Vieira da Silva, 32, que já jogou na Suécia e obteve excelentes resultados, foi cinco vezes seguidas eleita a melhor jogadora do mundo segundo a FIFA (2006 a 2010).

marta

O início de sua carreira profissional, depois de ter jogado informalmente e se sobressaído entre homens, deu-se no Vasco da Gama. Depois, foi para Minas jogar pelo Santa Cruz. Em seguida, jogou pelo clube sueco Umeå IK. Chegou a jogar também nos Estados Unidos e voltou para a Europa.

De acordo com o ranking divulgado pela revista americana ESPN, que nomeou os 20 atletas mais dominantes do planeta, Marta aparece em 9° lugar, à frente de nomes como Messi (11°) e Cristiano Ronaldo (14°).

Cristiane: outro nome a ser lembrado

Também aos seus 32 anos, Cristiane Rozeira de Souza Silva iniciou sua história com o futebol informalmente, jogando bola com meninos. Seu primeiro clube foi o Juventus, de São Paulo e foi a partir daí convocada para a seleção sub-19.

Depois de jogar em seu estado, Cristiane partiu para a Alemanha, onde jogou pelos times FFC Turbine Potsdam e VfL Wolfsburg. Em 2007 e 2008 foi eleita a terceira melhor jogadora do mundo, representando muito bem o Brasil. Ela também jogou pelo Corinthians, pelo Red Stars, dos Estados Unidos, pelo Santos e pelo francês de Neymar, o PSG.

A história de uma apaixonada

Ana Claudia Mendes Pontes Silva é uma pernambucana da cidade de São Caetano, cuja grande paixão e habilidade sempre foram o futebol. Esta história real certamente se assemelha a tantas outras pelo Brasil afora, em que a disparidade de expectativas entre os gêneros acaba por retirar da rota sonhos pessoais importantes e o futuro do esporte feminino.

concentração do time

Ana, camisa 17, no Central Sport Clube

Para ela, futebol é tudo. Hoje, com o filho Fernando de 4 anos, Ana se vê afastada da modalidade, mas ainda assim não esquece os bons momentos. “Ainda é tudo pra mim. É quando me sinto livre, sinto paz e felicidade. Infelizmente o que faltou foi o apoio da minha família, porque tive várias oportunidades para sair e jogar fora mas eles não permitiam”, lamentou a jovem.