Surpresa croata

Para surpresa de muitos, a Croácia é a segunda finalista da final da Copa do Mundo, desbancando a favorita do jogo: Inglaterra. Os jogadores que defendem a terra da Rainha fizeram o primeiro gol com Trippier, mas os croatas empataram com Perišić e, durante a prorrogação, Mandzukic foi o autor do gol da vitória.

 

Apesar de ser a maior surpresa dessa edição da Copa do Mundo, poucos conhecem a Croácia e a cultura deles. Alguns nem sabem a localização do país! Hora de saber um pouco mais sobre essa nação pequena que mandou a Inglaterra para casa na última quarta-feira.

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Cercada pela Eslovênia, Hungria, Sérvia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro e pelo Mar Adriático (por onde faz fronteira marítima com a Itália), a República da Croácia tem pouco mais de 56 mil km², tendo o formato territorial semelhante a uma ferradura (ou, como outros pensam, um bumerangue). O país já foi dominado por famílias reais e fazia parte da Iugoslávia, de quem se desmembrou em 1991. Oficialmente independente desde 1992, a Croácia faz parte da OTAN e da União Europeia, tendo entrado no bloco econômico europeu apenas em 2013.

Após a saída da Iugoslávia, a nação croata é a segunda maior economia da região dos Balcãs, ficando atrás apenas da Grécia, e possui um crescimento econômico impressionante, sendo uma das mais fortes das ex-repúblicas da Iugoslávia. Continua modernizando a infraestrutura do país e tem passado por transformações no sistema jurídico em favor da democracia. A entrada na União Europeia e na OTAN tem influenciado esse processo.

Culinária croata

Por grande parte do território da Croácia ser banhado pelo Mar Adriático, a gastronomia croata é repleta de pratos com frutos do mar e vinho. Entre as refeições típicas da população, estão o risoto negro de lula (chamado de Crni rižot) e o cozido de bois ou porcos (conhecido Čobanac, é ótimo para enfrentar dias de frio na Croácia).

Existe um molho muito tradicional produzido em terras croatas: feito com alho, cravos, cenouras e bacon, esse tipo de molho é usado para outro prato típico, chamado de Dalmatinska Pašticada. Além deles, o queijo de ovelha, aromatizado com ervas, produzido na Ilha Pag, e o licor conseguido da destilação da cereja marasca, desenvolvida na cidade de Zadar, são muito conhecidos mundialmente pelo sabor indiscutível.

 

 

Em ordem: Čobanac, Crni rižot, licor Maraschino, Queijo Pag e Dalmatinska Pašticada

Economia croata

Apesar de ser membro da União Europeia, a moeda croata é a kuna croata e, com cerca de 4 milhões de habitantes, a economia da Croácia é voltada para o turismo. As ilhas do país recebem vários cruzeiros e turistas ao longo de todo o ano e a nação croata possui uma indústria própria para o setor naval, assim como para o químico e o metal-mecânico. Mesmo tendo uma economia que só cresce e orgulha o país, a Croácia ainda tem uma taxa alta de desemprego: quase 11% da população não possui emprego.

Turismo da Croácia

Pode ser pequeno, mas o território croata é cheio de ilhas e cidades turísticas. Cerca de 50 ilhas do país são povoadas e todas são preparadas para a chegada de turistas, principalmente os estrangeiros. Zagreb, cidade capital da Croácia, possui pouco mais de 800 mil habitantes, sendo o centro financeiro e universitário mais importante do país. Enquanto isso, a cidade de Dubrovnik é considerada um museu vivo e é Patrimônio Mundial da UNESCO.

Cidade de Dubrovnik

Além de ser considerada um museu vivo, a cidade de Dubrovnik, assim como a cidade croata Split, foi cenário para cenas gravadas da série Game of Thrones. Split é a região mais quente da costa Adriática, abrigando outro Patrimônio Mundial da UNESCO: o Palácio Diocleciano.

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Palácio Diocleciano, em Split

Cultura croata

Além das belas ilhas e cidades que a Croácia oferece, a cultura que o país possui é bem antiga, características que são preservadas ao longo dos anos. Ossos de um homem neandertal e escavações do período neolítico ainda podem ser encontradas em visitas a cidades croatas, como Krapina e Zagreb.

Construções do período que o Império Romano dominou as terras croatas também podem ser encontradas. O Palácio Diocleciano é uma construção daquela época, assim como o Aqueduto de Salona, na costa da Dalmácia (território composto pela Croácia, Bósnia e Herzegovina e Montenegro).

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Aqueduto de Salona

Entre construções antigas está a Igreja de São Marcos, que possui brasões no telhado: o da Croácia e o de Zagreb, feitos no século XIX. Por ter sido construída no século XIII, precisou ser reformada e, atualmente, só uma janela e a torre sineira resistiram ao tempo.

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Igreja de São Marcos, em Zagreb.

No que diz respeito à arte da Croácia, o principal nome é o de Ivam Mestrovic, escultor que viveu de 1883 a 1962. As esculturas criadas por ele são encontradas em várias praças das cidades croatas e Ivam também foi responsável por algumas construções importantes da cultura da Croácia, como o Museu de História Croata. O estúdio de criação, em Zagreb, e a casa de praia de Ivam, em Split, hoje são galerias de arte da Croácia. Também na capital croata, tem o Teatro Nacional de Zagreb, que vale a visita.

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Nazi-fascismo

Atualmente na Copa do Mundo, o jogador Vida esteve sob os holofotes da imprensa por ter feito a declaração “Glória à Ucrânia!” em um vídeo após a vitória croata sobre a Rússia. Pela visão política, indica que o jogador é apenas um cidadão, entre tantos da Croácia, que apoiam a nação ucraniana contra a nação russa, desde que a Rússia anexou a Crimeia ao território deles. Esse é um sentimento que tem crescido e é uma marca do país croata, que ainda mantêm presente características e ideais nazi-fascistas.

Isso porque, em 1941, a Croácia foi invadida pela Alemanha nazistas e os sérvios, vizinhos dos croatas, foram grande maioria entre aqueles brutalmente assassinados e levados para campos de concentração por serem contra o nazismo imposto pelos arianos na época. Poucos sabem, mas até hoje parte da população sérvia mantém rancor dos croatas por causa da história.

Além de Vida, outro jogador que também evidenciou aspectos da extrema direita da Croácia, em que os ideais nazi-fascistas se mostram cada vez mais claros para o mundo todo, foi o zagueiro Lovren. Em um vídeo que ele postou nas suas redes sociais, o jogador entoava uma canção que possui letra claramente em apoio à extrema direita croata. A música Bojna Cavoglave possui frases que remetem à pátria-mãe, nome associado ao Ustase (Movimento Revolucionário Croata), organização terrorista fascista responsável por assassinar cerca de 500 mil sérvios entre 1941 e 1945, período da Segunda Guerra Mundial.