Centenário Ingmar Bergman – CineMetrópolis exibe mostra do diretor sueco

Dono de uma extensa filmografia recheada de obras que refletem os dramas e os conflitos existenciais humanos, Ingmar Bergman é considerado um dos diretores mais importantes de todos os tempos. E para comemorar o centenário do diretor sueco, o CineMetrópolis exibirá a partir dessa quinta-feira, dia 18/07, a mostra “Centenário Ingmar Bergman“, que contará com cinco produções do cineasta realizadas em diferentes fases de sua vida.

Vitória é uma das várias cidades brasileiras que exibirá a mostra. Por aqui, o público poderá assistir aos filmes “O Sétimo Selo” (1956), “Morangos Silvestres” (1957), “Persona” (1966), “Gritos e Sussuros” (1972) e “Sonata de Outono” (1978). O valor da entrada é R$5 (meia) e R$10 (inteira). A mostra vai até a próxima quarta-feira, dia 25/08.

Vida e obra

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Ingmar Bergman

Ingmar Bergman sempre buscou em seus filmes investigar as angústias e as dores da psiquê e da alma humana. O realizador fez história e se consolidou como um dos mais influentes do século ao retratar o psicológico em dramas complexos e profundos. Temas como a morte e a religião eram recorrentes em seus filmes. O Sétimo Selo, por exemplo, aborda o medo da morte, o temor de Deus e a insegurança em relação a vida.

O diretor nasceu na Suécia, em 14 de julho de 1918. Filho de um pastor luterano, Bergman passou a infância frequentando a igreja e cerimônias cristãs. O tédio sentido durante os cultos estimulou a criatividade do realizador, que começou  observar coisas simples como a iluminação da igreja, as imagens de santos e demônios e as expressões faciais dos fiéis. Futuramente, retratar as emoções através de close-ups crus e da aproximação viriam a ser uma das principais características de sua obra.

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Cena do filme “Vergonha”

Além de um grande cineasta, Bergman era também um apaixonado por cinema. Entre os seus diretores preferidos destacam-se o italiano Federico Fellini e o francês François Truffaut, ambos contemporâneos ao sueco e que assim como ele foram pioneiros no cinema autoral. O interesse pela sétima arte começou ainda na infância, quando a avó do realizador o levava para o cinema da cidade.

Bergman chegou a cursar Artes e Literatura na Stockholm University College, mas não se formou. Foi durante a universidade que o nórdico aprofundou sua paixão e o seu conhecimento por filmes e começou a desenvolver de forma profissional suas aspirações artísticas no cinema e no teatro, como roteirista e dramaturgo respectivamente. Ao longo de seus 89 anos, Bergman escreveu e dirigiu cerca de 60 de filmes e dirigiu mais de 170 peças.

A morte em “O Sétimo Selo”

Além dos temas existenciais, outra forte característica do cinema de Bergman é a força simbólica transmitida pelas imagens para explicar, ou questionar, estes temas. Por tratar de questões tão complexas e angustiantes os filmes do diretor são tidos como difíceis e incompreensíveis. Sim, o conteúdo dos filmes do sueco muitas vezes são inteligíveis, sendo inclusive objeto de estudo de psicanalistas e psiquiatras. Porém, é importante ressaltar que, assim como acontece com outros diretores, a obra de Bergman não existe para ser compreendida ou explicada e sim para ser sentida e pensada. Há múltiplas interpretações e significados que podem ser atribuídos aos seus filmes.

Assistir a um filme de Ingmar Bergman é uma experiência sensorial que leva o expectador a refletir sobre sua própria vida e a sua existência. Sentimentos comuns como a inferioridade, o medo da morte, o medo de Deus, a vergonha, a impotência e a repressão foram frequentemente retratados em seus longa-metragens. O que faz Bergman ser tão cultuado é a forma com que seus filmes tiram o expectador da zona de conforto e o coloca em um lugar sombrio e inóspito, o do confronto com ego e com todas as questões ligadas ao próprio eu interior.

Cena do terror psicológico “A Hora do Lobo”, com Liv Ulmann

Importante destacar também o legado deixado por Bergman. Além dos filmes, o diretor revelou muitos astros do cinema como Max von Sydow, Bibi Andersson e Liv Ullmann. Grandes diretores da atualidade confessam se inspirar na obra de Bergman para a realização de seus próprios filmes, sendo sempre citado como um dos maiores mestres do cinema de todos os tempos.

Filmes exibidos

Os cincos filmes que serão exibidos na mostra Centenário Ingmar Bergman são fundamenteis para entender a dimensão e a importância da obrar do diretor nórdico.

O Sétimo Selo
Det sjunde inseglet, 1956

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A vida sendo apostada em um jogo do xadrez. Um dos planos mais famosos do cinema

Após dez anos, um cavaleiro (Max von Sydow) retorna das Cruzadas e encontra o país devastado pela Peste Negra. Sua fé em Deus é sensivelmente abalada e, enquanto reflete sobre o significado da vida, a Morte (Bengt Ekerot) surge à sua frente querendo levá-lo, pois chegou sua hora. Objetivando ganhar tempo, convida-a para um jogo de xadrez que decidirá se ele parte com ela ou não. Tudo depende da sua vitória no jogo e a Morte concorda com o desafio, já que não perde nunca.

Uma das obras principais para entender a obra de Bergman, O Sétimo Selo é também um de seus filmes mais conhecidos. A produção de 1956 recebeu o Prêmio do Juri no Festival de Cannes e foi indicada a Palma de Ouro de Melhor Filme.

Morangos Silvestres
Smultronstället, 1957

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Cena de Morangos Silvestres

O rabugento médico aposentado Isak Borg (Victor Sjöström) viaja de Estocolmo para Lund, na Suécia, com sua nora grávida e infeliz, Marianne (Ingrid Thullin), para receber um diploma honorário da universidade onde estudou. Ao longo do caminho, eles cruzam com uma série de caroneiros, cada um deles fazendo com que o médico idoso reflita sobre os prazeres e as falhas de sua própria vida, incluindo a vivaz jovem Sara (Bibi Andersson), que se parece muito com o próprio primeiro amor do médico.

Em 1958, Morangos Silvestres ganhou o Urso de Ouro por Melhor Filme no Festival de Berlim. Além de ter sido indicado ao Oscar de Melhor Roteiro e ganho o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

Persona
Persona, 1966

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Persona retrata o duplo

Elisabeth Vogler (Liv Ullmann), uma atriz teatral de sucesso sofre uma crise emocional e para de falar. A enfermeira Alma (Bibi Andersson) é designada a cuidar dela em uma casa reclusa, perto da praia, onde as duas permanecem sozinhas. Para quebrar o silêncio, a enfermeira começa a falar incessantemente, narrando diversos episódios relevantes de sua vida, mas quando descobre que a atriz usa seus depoimentos como fonte de análise, a cumplicidade entre as duas se transforma em embate.

Provavelmente sua obra mais polêmica e prestigiada, Persona foi o primeiro dos muitos filmes com Liv Ullmann, sua amante, amiga e musa inspiradora, no elenco, e também marcou uma nova fase do diretor. É considerado por muitos como a obra máxima de Bergman sendo também uma das mais debatidas e estudadas.

Gritos e Sussuros
Viskningar och rop, 1972

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Os grandes e as cores saturadas fazem parte da trama de Gritos e Sussurros

Agnes (Harriet Andersson) lentamente morre de câncer, mas suas irmãs estão tão profundamente imersas em suas próprias dores psíquicas que não podem oferecer-lhe o apoio de que ela precisa. Maria (Liv Ullmann) está devastada com a culpa do suicídio do marido, causada pela descoberta de seu caso extraconjugal. A autodestrutiva e suicida Karin (Ingrid Thulin) vê sua irmã com repulsa. Apenas Anna (Karin Sylwan), a empregada profundamente religiosa que perdeu o filho jovem, parece ser capaz de oferecer a Agnes consolo e empatia.

Diferente dos outros filmes de Bergman, que são filmados totalmente em preto e braco ou em cores apagadas, Gritos e Sussurros tem uma fotografia marcada por cores saturadas e fortes, principalmente o vermelho. O longa, inclusive, venceu o Oscar de Melhor Fotografia. Foi indicado também nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Figurino. Gritos e Sussurros ainda foi indicado ao prêmio de Melhor Filme ao invés de Melhor Filme Estrangeiro, como é mais comum entre filmes não estadunidenses.

Sonata de Outono
Höstsonaten, 1978

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Cena do drama familiar Sonata de Outono

Após ter sido uma mãe ausente por anos, Charlotte (Ingrid Bergman), uma renomada pianista, vai até a casa de sua filha Eva (Liv Ullmann) para lhe fazer uma visita. Ela se surpreende ao encontrar sua outra filha, Helena (Lena Nyman), que tem problemas mentais. Eva tirou Helena da instituição que Charlotte a havia internado para cuidar dela em casa. A tensão entre mãe e filha começa a crescer devagar até elas colocarem tudo em panos limpos, dizendo tudo que sempre gostariam de dizer.

A atriz Ingrid Bergman, que apesar do nome não tem nenhum parentesco com o diretor, foi indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar de Melhor Atriz. Dentre os prêmios recebidos, destaca-se o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

Confira abaixo a programação do Cine Metrópolis

Quinta (19)
17h – Persona
19h15 – Morangos Silvestres

Sexta (20)
17h – Sonata de Outono
19h15 – O Sétimo Selo

Sábado (21)
16h45 – Gritos e Sussurros
19h – Persona

Domingo (22)
16h45 – O Sétimo Selo
19h – Sonata de Outono

Segunda (23)
17h – Morangos Silvestres
19h15 – Sonata de Outono

Terça (24)
17h – O Sétimo Selo
19h15 – Sonata de Outono

Quarta (25)
17h – Morangos Silvestres
19h15 – Persona

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