“Contar histórias expressa e corporifica o simbólico, tornando-se a mais pura expressão do ser”. O manifesto do contador de histórias, do livro Contar e Encantar da autora Cléo Busatto.

Contar histórias é uma arte antiga, passada de geração em geração. É muito importante para a cultura, onde mitos e contos antigos são compartilhados com os representantes mais novos de uma sociedade, impedindo, assim, a morte de personagens e crenças do passado nos tempos atuais. Há a preservação do folclore e da tradição oral.

As contadoras de histórias Jânea FioresiZélia Rebuli deram informações legais e comentaram um pouco sobre a arte de contar histórias. Ambas afirmaram que amam realizar tal ofício.

O ato de contar histórias era algo muito comum antigamente –  famílias se reuniam e gastavam o tempo compartilhando lendas, mitos e causos. Era uma forma de entretenimento que, de acordo com Zélia, unia as pessoas.

Criança

A criança é um grande alvo dessa ação e a pedagogia se apossa de tal arte, voltando-a para a aprendizagem. No livro Contar e Encantar: Pequenos segredos da narrativaa autora Cléo Busatto destacou alguns pontos da contação de histórias: ”formação psicológica, intelectual e espiritual do ser humano”; introdução de conceitos éticos; exercício de socialização; ajuda na desenvoltura da criança ao se expressar perto de pessoas.

Além disso, tem-se a contação como uma ajudante na realização de atividades em sala de aula ao mesclar diferentes áreas de conhecimento durante as performances. A cultura de outros povos também pode ser perpassada pelas apresentações dependendo do que é performado:

”Ao trazermos para a sala de aula histórias de outros povos, não estaremos apenas contribuindo para que a diversidade cultural se torne um fato, mas também apresentando à criança a oportunidade de conhecer aquele povo através do olhar poético que ele lança para a sua realidade.” Cléo Busatto

Segundo Zélia, a capacidade cognitiva da criança se desenvolve e a criatividade aflora, ao fazer com que ela se inclua na história, virando o herói ou a mocinha. Os vilões e bandidos, segundo a contadora, não são papéis muito disputados para a interpretação.

Além disso, Rebuli relatou um caso: um grupo de crianças de educação infantil participara de um encontro mensal de contação de histórias durante um ano. A professora dos pequenos comentou com a contadora que, depois das experiências com os encontros, aquele grupo de crianças ficou mais fácil de lidar. ”Eles aprenderam a ouvir para depois falar. Passaram a buscar mais pelos livros. Quando se tem um resultado desse, é fantástico”, afirmou.

O Contador de Histórias

De acordo com o livro A Arte de Ler e Contar Histórias, de Malba Tahan, ”o narrador deve revelar certo entusiasmo na narrativa. Entusiasmo e alegria. Emocionar-se com os próprios episódios por ele narrados. Dar à narrativa (mesmo fantasiosa) um cunho de realidade”. E, ao fazer isso, os contadores ganham o poder de levar seu público para outros mundos e épocas.

”Há vários jeitos de contar histórias, mas o melhor é aquele que sai da alma”  – Jânia Fioresi.

Os contadores fazem o que é possível para trazer a imaginação do público à tona, desde a utilização de música a objetos para ajudar na encenação. Zélia, por exemplo, abraça o artifício dos objetos: usa lampiões, velas acessas e vestimentas que têm a ver com a história por ela contada. Rebuli afirmou que gosta muito da participação da plateia em suas apresentações, então faz cantigas de roda para interagir com os espectadores.

Público

É importante deixar claro que a contação de histórias não possui um grupo alvo e é voltada para todas as faixas etárias. “Quando vamos contar, colocamos histórias apropriadas para cada público. Há uma interação muito grande, tanto com jovens quanto com adultos. A emoção flui”, explicou Jânia.

“A arte de contar histórias traz o contorno, a forma. Reatualiza a memória e nos conecta com algo que se perdeu nas brumas do tempo”. – O manifesto do contador de histórias, do livro Contar e Encantar da autora Cléo Busatto.

Se para os pequenos essa arte encanta fazendo com que eles sejam inspirados pelos personagens apresentados, para os adultos, a magia permanece. As contadoras afirmaram que gente grande também se envolve muito nos encontros, mas em um sentindo diferente: o da nostalgia. Adultos se lembram de histórias antigas e voltam ao passado, na infância. ”Há casos do adulto chorar por resgatar aquela criança dentro dele, trazendo toda a energia e alegria de volta”, disse Zélia.

Na FAESA

Encontros de contação de histórias também acontecem na FAESA e os próximos estão marcados para a 17ª Jornada Científica e Cultural, que será realizado em setembro. Duas oficinas com o contador de histórias José Eugênio Fernandes serão oferecidas, além de uma roda de contação com autores capixabas. As novidades estão por vir, então fique atento!

E como recado final…

Deve-se ficar claro que, para ser um contador de histórias, a pessoa precisa ser criativa e amar o que faz. Precisa amar e encantar.

 

Posted by:Daniela Esperandio

Sou Daniela Esperandio Dias, uma capixaba de 19 anos que tem coluna de uma senhora de 70. Curso jornalismo e estou na luta para aprender francês. Amo ler e escrever, e tenho um caso sério com o chocolate.

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