Um passeio pelo mundo literário capixaba

Você gosta de ler? Sou apaixonada por livros e percebi uma coisa, até agora não li nada capixaba. Resolvi conhecer mais sobre os escritores do nosso estado e descobri que temos muitos talentos por aqui.

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Escritor de crônicas Rubem Braga

O autor espirito santense Rubem Braga (1913-1990)  nasceu em Cachoeiro de Itapemirim e começou sua carreira no Jornalismo aos 15 anos de idade, criando reportagens e crônicas diárias no jornal Diário da Tarde. Se formou na universidade de Direito em Belo Horizonte e não seguiu carreira na advocacia.

Rubem seguiu a carreira de escritor e jornalista, se tornou um famoso cronista de jornais e revistas de grande circulação no país. Ele se dedicava às crônicas e as reuniu em alguns de seus livros, como o primeiro lançado O Conde e o Passarinho (1936)O Morro do Isolamento (1944)Ai de Ti Copacabana (1960), A Traição das Elegantes (1967), Recado de Primavera (1984), O Verão e as Mulheres (1986), As Boas Coisas da Vida (1988) e Crônicas do Espírito Santo (1984). Ao todo teve 60 anos de jornalismo e 15 mil crônicas escritas.

Podemos citar também Romulo Felippe , escritor e jornalista capixaba, autor do livro “Monge Guerreiro” que foi eleito o melhor livro nacional do ano de 2017 na enquete feita pelo grupo Reino dos Livros/Acervo do Leitor.

 

O livro é uma fantasia medieval que acontece no século XIII. O personagem principal, Bastian Neville, é um monge ortodoxo que já passou por duas cruzadas e blackandwhiteamazingcanary-size_restrictedque não quer mais ter uma vida cheia de morte e sangue, então decide se isolar e viver na paz. Porém, ele aceita a missão de se render e acertar as contas com Deus ao mesmo tempo que tem a tarefa de levar às mãos do Luís IX a Lança de Longinus (uma peça romana que feriu Jesus Cristo no peito quando foi crucificado), e parte nesta empreitada junto com uma guerreira mongol (#girlpower).

No Espírito Santo, a Academia Espírito-Santense de Letras começou como um na década de 1920, sobretudo literário. Tinha 20 cadeiras, ou seja, era composta por vinte escritores. Posteriormente, esse número aumentou e hoje são quarenta os escritores que pertencem à Academia Espírito-Santense de Letras.

Para fazer parte da Academia é preciso: candidatar-se e ser eleito pelos integrantes, e os interessados devem ser escritores com obra publicada e com reputação literária que faça com que o interesse em elegê-lo tome conta dos acadêmicos.

O escritor Pedro J. Nunes nos contou que a academia tem uma reunião mensal, normalmente às 2º segundas-feiras de cada mês. A sua sede fica no centro da cidade, na Cidade Alta, perto do Palácio Anchieta. Ele também contou um pouco sobre suas obras como o romance Aninhanha (1993), seu primeiro livro lançado quando tinha 30 anos, seguido de Vilarejo e outras histórias (1992) e do romance Menino(2000).  O livro Vilarejo e outras histórias foi adotado no vestibular da UFES de 1995 e 1996. Em 2010, ele conseguiu escrever seu primeiro livro voltado para o público infantil,  A pulga e o jesuíta (2014) seguido pelo O tapete de Zezé (2016).

Outro autor que podemos citar é o secretário de Cultura de Vitória, Francisco Grijó. Ele ensina gramática e literatura desde os anos 80 quando começou a escrever contos, romances e crônicas. Ao todo, já publicou oito livros, entre eles Diga Adeus a Lorna Love (1987), que venceu o prêmio Geraldo Costa Alves da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Aqui na FAESA temos o professor, escritor e palestrante, Lourival Antonio Cristofoletti, autor de Comportamento: inquietações & ponderações, um livro cheio de reflexões sobre a vida, conselhos sobre autoconhecimento e dicas do mercado de trabalho (processos seletivos, novos gestores e como ser produtivo em equipe).

Comportamento: Inquietações & Ponderações

Antes de ter interesse em escrever, já colecionava pensamentos de autores famosos e lia os jornais e revistas do vizinho. Além disso, aprendia a fazer palavras cruzadas com uma das suas irmãs que sempre gostou de ler e levava muitos puxões de orelha do pai por ler muito. Começou a escrever aos 16 anos e hoje em seu Facebook gosta de compartilhar textos para sacudir pessoas desanimadas, fazendo com que elas se sintam gratas e compartilhem emoções e desejos.

Lourival questiona que o estado do Espírito Santo não dá muito valor para às artes em geral. Apesar dos festivais de leitura, poucas pessoas aparecem e menos ainda compram livros, sendo que a cultura capixaba está mais interessada em autores paulistas e cariocas, pois há um preconceito de que nada aqui do estado seja bom o bastante. Ainda assim, quando questionado sobre autores capixabas que ele tem como referência, o nome da jornalista e escritora Elisa Lucinda apareceu, pois seus poemas são como se a própria estivesse falando com ele.

Autores Jovens

Pra quem quer saber de escritores jovens, aqui vão algumas dicas.

Aline Prúcoli

Petulâncias: Menina Bruta (2017) é uma obra de Aline Prúcolino qual o seu interesse é transformar memórias (especialmente afetivas) em literatura e ainda denunciar todos os problemas sociais que ela foi vítima ou que acabou testemunhando durante a infância e adolescência. O livro foi escrito em três meses e representa pessoas marginalizadas, que sofreram caladas e foram reprimidas pela sociedade.

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Livro Pustulâncias: menina bruta de Alune Prúcoli

Brunela Brunello

Bárbara (2016) é uma obra de Brunella Brunello, cheio de contos curtos e rápidos sobre um condomínio de dez andares seguido de vários temas, como crise existencial, maternidade e morte. Com um elenco de personagens inesquecíveis, inclusive o próprio prédio antigo que já teve vários residentes diferentes, fazendo as histórias se misturarem e se transformando na história do querido prédio anônimo.

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livro Bárbara , de Brunella Brunello

Eduardo Madeira

E também temos Eduardo Madeira com sua primeira obra Bichos que Habitam as Frestas. O livro tem como protagonista uma mulher que transita na ficção e realidade com temas semelhantes à “Bárbara”, como a força da mulhero questionamento de vida, morte e consequentemente a solidão. Eduardo é mestre em Artes pela Universidades UFES e desenvolve pesquisas na área de cinema.

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livro: Bichos que Habitam as frestas do Eduardo Madeira

WOW!

Se você realmente quiser ler algo capixaba e fica desanimado, relaxa! Respira fundo, dorme, e no dia seguinte você vai encontrar um tanto de coisa legal!

Identificar traços de autores regionais não foi uma tarefa fácil. E, por isso, demandou algum tempo, afinal não é todo dia que ouvimos por aí que tem um autor altamente reconhecido e que por acaso é capixaba; não vemos muita noticiabilidade sobre nosso estado, mal ouvimos a previsão do tempo no Jornal Nacional e, mesmo que isso não seja sobre livros, podemos comparar.

Previsão do Tempo é noticia básica do nosso dia. Precisamos saber qual será o clima no dia seguinte para saber que roupas usar, se vamos precisar de um guarda-chuva ou se temos que fechar a janela do quarto quando saímos de casa. Algumas vezes, essa falta de informação chega a ser trágica. Porém, nada que uma ou outra pesquisa sobre o assunto resolva.

Valorizar nosso estado é o primeiro passo para que a cultura seja cada vez mais valorizada. Então escreva aqui nos comentários livros, autores, músicos que são capixabas e merecem um holofote sobre eles! Comenta também qual desses livros você ficou mais intrigado para ler, assim podemos fazer com que a notícia capixaba seja a noticia básica do nosso dia a dia.

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2 comentários em “Um passeio pelo mundo literário capixaba

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