Muitas pessoas sonham em um dia poder conhecer a Disney e o seu “mundo encantado”. Mas imagina só, trabalhar na maior empresa de entretenimento do mundo e fazer parte de tudo aquilo. Imaginou e acha isso impossível?! Não para os alunos do curso de Publicidade e Propaganda da FAESA Centro Universitário, João Pedro Salaroli e Mila Vieira.

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Mila e João mexendo no celular, entusiasmados com a aprovação no projeto / Foto: Matheus Passos)

Os dois foram selecionados para o programa de intercâmbio Disney Cultural Exchange Program 2018/2019 que acontece durante as férias de verão aqui no Brasil. O programa é uma experiência que permite aos participantes uma completa vivência do lifestyle americano, além do aperfeiçoamento de habilidades pessoais e profissionais.

A Mila estuda Publicidade e Propaganda aqui na FAESA e é estagiária da Agência Integrada. Ela conta que conheceu o programa através de um blog, sendo que com o passar o tempo ela simplesmente esqueceu. E só em 2016 durante a sua primeira graduação que ela tentou participar do programa pela primeira vez, mas acabou não conseguindo por não preencher a um dos pré-requisitos, que era o de está cursando entre o segundo e o último semestre de faculdade.

“Eu conheci há muito tempo o intercâmbio, quando li em um blog chamado Girls With Style+ que a menina tinha ido trabalhar lá. Foi incrível saber disso e eu logo pensei: ‘quando entrar na faculdade e fizer 18 anos, eu preciso fazer esse programa'”, relata.

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Já com o João foi diferente, pois ele conheceu o programa totalmente por acaso há cinco anos estando no segundo ano do ensino médio, ao pesquisar músicas no Youtube e cair de “paraquedas” em um vídeo sobre o assunto.

“Eu estava no Youtube vendo músicas da Disney e achei o vídeo de um youtuber chamado Igor Saringer falando que estava tentando ir. Achei super interessante e fui pesquisar mais sobre isso. Acabei encontrando o programa e me interessei”, conta.

Para participar desse intercâmbio, o João e a Mila precisaram preencher alguns pré-requisitos, como:

  • Ter no mínimo 18 anos até a data de início do processo seletivo;
  • Ter inglês fluente;
  • Ser estudante universitário regularmente matriculado em curso de bacharelado presencial reconhecido pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e com calendário acadêmico regular;
  • Estar cursando, até a data de embarque, entre o segundo e o último semestre de um curso universitário de graduação, bacharel com duração mínima de quatro anos;
  • Ter disponibilidade para iniciar e completar o programa a partir de meados de novembro até o começo de março do ano seguinte;
  • Possuir condições financeiras para custear bilhete aéreo de ida e volta, seguro de saúde internacional exigido pela Disney, as primeiras duas semanas de acomodação, taxa assessement fee (valor revertido para conservação do condomínio, eventos etc) e  despesas de visto;
  • Estar apto a morar com participantes do programa vindos de diferentes países e culturas;
  • Ser extrovertido, alegre e flexível;

Etapas

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Fotos da entrevista com a equipe da Disney, em São Paulo (Foto: Matheus Passos)

O programa basicamente é composto por duas etapas, sendo a primeira o cadastramento online no site do STB (Studant Travel Bureau), que é o responsável oficial pelo recrutamento dos estudantes para trabalhar nos parques e hotéis do complexo Walt Disney World Resort, na Flórida, e o recebimento de um e-mail de confirmação. Logo em seguida, a escolha da data e horário para a participação obrigatória em uma Palestra Informativa do próprio STB, com duração de aproximadamente 2 horas, no qual serão passadas todas as orientações, desde características do programa até procedimentos das etapas seguintes. Ao sair da palestra, a pessoa recebe um papel com o dia e horário de uma entrevista com o pessoal da agência de intercâmbio STB, que normalmente acontece em trio.

“Esse ano aconteceu até uma coisa engraçada. A gente estava aqui na FAESA desesperado quando a inscrição abriu e eu fui pro NAT (laboratório) fazer a minha correndo. Sendo que no final eu acabei fazendo a minha e a da Mila, que estava na sala tentando fazer a dela. Graças a Deus deu tudo certo porque as inscrições acabaram em 13 minutos esse ano”, relata Salaroli.

Já na segunda etapa, o participante passa por uma entrevista com a equipe de recrutamento da Disney que vem ao Brasil para entrevistar os candidatos que foram aprovados na primeira etapa. Sendo que neste ano pela primeira vez, esta etapa recebeu a presença da recrutadora e vice-presidente da The Walt Disney Company, Christine M. McCarthy.

“No meu horário, eu estava sentado em roda e tinha umas salas de vidro separadas. E aí, uma das coordenadoras disse: ‘Tá vendo aquela loira que está sentada naquela sala? Ela é a vice presidente e vai entrevistar vocês. Então se preparem'”, conta Salaroli.

Após essas duas etapas, o participante espera cerca de um mês até um novo e-mail chegar. Normalmente, o envio desses e-mails dura um dia inteiro até à meia-noite, mas esse ano houve um leve delay (atraso)  no sistema da Disney, que acarretou nos aprovados receberem a mensagem até ontem (22). Sendo que, primeiro ele chega para os que não foram aprovados, depois para os aprovados e em seguida para os que ficaram em suplência.

Perfil

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Ícone de um grupo com os aprovados no programa (Foto: Matheus Passos)

Os selecionados não apresentam um perfil exclusivo, então não dá para saber o que os recrutadores estão procurando. Mas uma característica primordial é a flexibilidade do participante, porque o horário de trabalho é pesado (no mínimo 6 horas diárias).

“É importante dizer que é um trabalho operacional. Nós não estamos indo para trabalhar com comunicação, por exemplo. É para trabalhar com loja, limpeza, restaurante, que com certeza vai acrescentar muito. Mas é importante dizer que não vamos estar lá de férias”, ressalta Mila.

Além da flexibilidade, saber lidar e aprender com pessoas diferentes é essencial pelo fato dos parques da Disney receberem diariamente milhares de pessoas de diversas partes do mundo e diversas culturas, além da convivência com participantes do mundo todo que tentam o programa.

Medos

Um dos maiores medos de um aprovado no programa de intercâmbio da Disney é ser terminatedMas você deve tá se perguntando: o que é isso? Terminated é quando um participante tem o seu programa cancelado por violar as regras, como por exemplo, ser pego consumindo bebidas alcoólicas antes dos 21 anos (idade mínima para consumo de álcool nos EUA). Além disso, situações que podem causar o desligamento com o programa são atrasos constantes, vender as horas de trabalho, não cumprir o mínimo de 30 horas semanais e por fim, roubo.

“Lá os alojamentos são divididos por menino, menina e idade. Então, por exemplo, se eu estou com três pessoas na casa e vejo um garoto consumindo bebida alcoólica, eles falam para denunciar na hora. Porque se descobrirem, todos do apartamento vão embora, mesmo se você não souber”, explica Salaroli.

Sendo que, esse rigor todo é essencial para o projeto permanecer e também para não ocorrer nenhum problema com a polícia e nem com o governo americano.

“Na palestra, foi frisado muito para fazer o mínimo de coisa possível para não ser terminated e seguir todas as regras”, conta Salaroli.

Sendo assim, além de estarem ganhando em dólar, que não é para qualquer um, os intercambistas entram de graça nos parques do complexo Disney e têm descontos em  praticamente toda Orlando, nos dias de folga (obrigatório uma folga por semana).

O outro lado da moeda

O processo seletivo, como todo outro, tem suas partes boas e ruins. Sendo mais exaltada as partes boas com toda a certeza. Só que é claro, tem muito estresse, muito cansaço físico e psicológico que mexem com quem tá concorrendo a uma vaga no programa. E, com isso, vem os problemas técnicos com o sistema. Então, a cada bug e atraso de e-mail, um sofrimento diferente nasce.

“Você tem que ter muita cabeça para fazer esse programa. Tem que ser muito centrado e ter muita confiança em você mesmo. E é importante saber que é um processo que mexe muito com o psicológico. Eu vejo muito por aí só as partes boas e que não é nada disso”, comenta Mila.

Por fim, a Mila e o João relatam que há uma falta em mostrar essa outra face do programa. A face que nem tudo são as mil maravilhas que todos pensam, e, sim, que o projeto é tenso e complicado, já sendo uma espécie de preparação para o programa na prática lá no EUA, que vai ser você e seus amigos, sem família por perto.

E falando em amizade, durante todo o bate-papo, os dois ressaltaram muito esse sentimento que é o que fica com o projeto e com as pessoas que eles conheceram durante todas as etapas.

Posted by:Matheus Passos

Sou bolsista do Faesa Digital à algumas horas e aluno do 4º período de Jornalismo. Entrei no curso com o propósito de dar visibilidade às pessoas “invisíveis” do cotidiano e contar suas histórias mostrando o lado humano de cada uma e descobrir a vertente com que mais me identifico no Jornalismo. Antes de fazer a seleção do Faesa Digital participei por 2 semestres do Projeto de Extensão Radiação, onde produzi conteúdo voltado para o formato podcast, que fez crescer em mim uma paixão pelo rádio. Além disso, gosto muito de ler um bom livro, ouvir uma boa música, fotografar e escrever.

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