Cordel: um gênero literário importante para o Nordeste

O cordel faz parte da cultura popular brasileira, sendo que foi trazido para o Brasil através de influência portuguesa durante o período da colonização. A região de Salvador foi a primeira receptora dessa arte, que logo em seguida foi se espalhando para as outras regiões do Nordeste.

Arte desenhada, bastante utilizada para ilustrar os folhetos de cordel. / Foto: Conhecimento Literatura

Com as novas tecnologias o cordel foi perdendo espaço, porém, ele ainda é exercido de forma intensa. Antes, era vendido em feiras tradicionais, diferentemente de agora, que é mais visado para a venda em feiras literárias.

O cordelista é quem escreve os cordéis, pensando principalmente no povo que irá atingir. Durante as vendas das obras, que eram costumeiramente nas feiras, o cordelista encenava a sua arte para chamar a atenção. Muitas pessoas analfabetas acabavam sendo atraídas pelo discurso e aguçadas a comprar o conteúdo do vendedor devido a curiosidade.

Ilustração de cordel / Foto: Instituto Água Viva

De acordo com o livro Autores de Cordel – Literatura Comentada com estudo crítico de Marlyse Meyer, a literatura de cordel, também conhecida como folhas volantes, era a versão escrita de histórias que foram contadas oralmente ao cordelista, as quais foram registradas no papel podendo ganhar mais trechos inventados:

“Às vezes, porém, o contador pegava lápis e papel e se punha a escrever  — ou a ditar — o que já estava, havia tempo, em sua memória, ou o que de novo inventava, ampliando um pouco o seu público.”

— Autores de Cordel – Literatura Comentada (pág. 3)

Quando a máquina de escrever foi inventada, o número de leitores se estendeu devido a grande multiplicação de cópias. Tinham-se obras escritas em prosa e em versos. Estas eram predominantes devido ao público analfabeto, e segundo Marlyse Meyer, também pela facilidade com que eram decorados por serem simples versos.

O cordel, em prosa e em verso, também pode ser cantado.

“Os poetas populares dizem, em versos, suas mágoas, alegrias, esperanças e desesperos do dia-a-dia.”   — Autores de Cordel – Literatura Comentada (pág. 3).

Página do livro Autores de Cordel
Primeira página do livro Autores de Cordel / Foto: Daniela Esperandio

Atualmente tal arte continua sendo bastante importante, principalmente para a cultura nordestina. Um fato legal de ser estabelecido é o de que por meio dos folhetos de cordel, muitas pessoas aprenderam a ler e a escrever.

 

Algumas questões

  • O folheto de cordel é um livro que possui um número de páginas múltiplo de quatro. Existem os noticiosos, que contam os fatos ocorridos, e os romances, os quais narram histórias ficcionais.
  • A escrita é informal e simplória, narrando um conteúdo que aborda diversos temas: religião, folclore, política, realidade da sociedade e eteceteras.
  • Nos cordéis originais não há a presença de ilustrações nas partes internas dos folhetos, porém, tem-se as xilogravuras nas capas.

De acordo com o professor de Antropologia Antônio Alves, o cordel é um gênero da literatura que  sofre preconceito por ser da cultura popular, mas que é um ensinador:

“A literatura de cordel é uma fonte de incentivo no ensino de literatura tradicional e letrada, dominante nas universidades e escolas. Ele tem muitas potencialidades, e  quando nós o conhecemos, permite que a gente valorize e respeite esse multiculturalismo que é inerente ao Brasil, e também a ideia e significado do coletivo, de muita experiencia olhares e saberes.”, afirmou o professor.

Um cordelista que tem bastante notoriedade atualmente é Bráulio Bessa. Ele participa de vários programas de televisão divulgando a cultura do Cordel. É um participante frequente do Encontro com Fátima Bernardes da Rede Globo e emociona por diversas vezes os presentes na plateia, convidados e o público telespectador. Confira este vídeo e conheça um pouco do trabalho desse artista incrível:

 

 

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