Bárbara Caldeiras

Diversos programas e projetos, tanto de cunho governamental quanto religioso, ajudam famílias a garantir um futuro melhor para as crianças. Por meio de trabalhos de caridade, as igrejas têm um a papel essencial para a formação dos indivíduos, se caracterizando como um dos principais meios de auxílio das famílias carentes, principalmente para o público infantil.

Há 35 anos nascia no estado de Santa Catarina a Pastoral da Criança, um projeto lançado pela médica pediatra e sanitarista Zilda Arns. O principal objetivo desta ideia era ajudar a salvar a vida das crianças que morriam de doenças de fácil prevenção como, por exemplo, uma desidratação causada pela diarreia. Hoje, a pastoral está presente em 3.277 municípios brasileiros e conta com a ajuda de mais de 147 mil voluntários.

O trabalho da Pastoral da Criança começa o com o cadastramento de crianças até 6 anos de idade e a partir daí faz visitas mensais para acompanhamento. Dependendo da situação da família são feitas mais visitas para o auxílio na criação de hortas caseiras e na produção de xaropes ou distribuição de cestas básicas. Além disso, são organizadas também ações sobre alimentação saudável e palestras sobre a saúde da criança e da família.

A organização não governamental é vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e tem o apoio da igreja Católica. Para a coordenadora da Pastoral da Criança na Paróquia dos Sagrados Corações, em Barcelona, na Serra, Marilda Santos Neves, o entrosamento e a troca de experiências entre as mães ajuda bastante a continuidade do trabalho. “A pastoral não trabalha com crianças desnutridas, graças a Deus, mas com crianças e famílias carentes de afeto, de carinho e de amor”, conta a coordenadora que trabalha há 12 anos na pastoral.

Além da Pastoral da Criança, as igrejas possuem diversos trabalhos de apoio à formação da criança e da família. A caridade é uma virtude bastante lembrada por essas instituições que têm um papel social que vai além das promessas de salvação, podendo influenciar também na diminuição dos índices de criminalidade e de famílias em situações de risco na sociedade.

Caridade

Para o pastor da igreja Assembleia de Deus do Bairro da Penha, em Vitória, Isaías Mario Pereira, a caridade é algo que não deve ser vivido apenas pelo cristão, mas por todo cidadão de bem. É amar o outro sem querer nada em troca. A caridade traz sensação de alegria, paz e tranquilidade na mente e no coração.

A madre responsável pelo trabalho das freiras na Paróquia São José de Anchieta na Serra, Maria Mater Consolatrix, acredita que o trabalho realizado pela igreja em prol dos necessitados é único, pois é feito com amor e do amor é que nasce a caridade.

“A sociedade precisa de amor e a caridade não é nada mais do que o exercício do amor. É o amor colocado em prática”.


Maria Mater Consolatrix

A igreja e os projetos de auxílio à formação da criança servem como portadores de esperança e agem em defesa da vida, principalmente em tempos de crise econômica em que os números do desemprego só aumentam e famílias carentes se multiplicam no Brasil. É por meio desses trabalhos de caridade que tantos jovens deixam de fazer parte dos índices de criminalidade e resolvem direcionar as escolhas para outros caminhos como, por exemplo, o foco nos estudos e na carreira profissional.

Amor

Doar-se para o bem-estar do outro requer mais do que coragem, exige daquele que se entrega uma disposição e persistência que leva em conta o amor pela caridade. Anualmente, centenas de pessoas deixam famílias, amigos, trabalho, estudos e se entregam a esse servir aos mais necessitados, seja por meio de projetos sociais, caridade ou grupos de apoio a crianças e famílias carentes.

São freiras, padres, missionários e voluntários que dia após dia, optam por deixar de lado os privilégios da vida particular para ajudar o outro. Eles seguem em missão de caridade, mas deixam para trás uma vida que muitos desejam, gerando julgamentos, preocupações e dúvidas que podem fazê-los desistir.

A estudante Ludmila Clara Barbosa, 16 anos, passou por momentos de quase desistir do sonho de servir aos mais carentes. Desde o início da adolescência, a menina tinha o desejo de ser freira. No início de 2016, ela pôde realizar este sonho, porém teve de retornar, pois a saudade da família estava atrapalhando o desempenho nos estudos. Mas a jovem ainda não desistiu do servir.


A missionária Alina Magno realizou trabalhos no Chile e na Ucrânia (Foto: Arquivo Pessoal)

Deixar a família e amigos, pelo outro é só uma das renúncias necessárias. Existem grupos específicos que deixam também a cultura, clima e costumes nativos para levar o auxílio para outros países e, às vezes, até em continentes diferentes. De acordo com um estudo feito pelo Centro Mundial de Estudo do Cristianismo (Center for the Study of Global Christianity – CSGC), o Brasil é o segundo país que mais envia missionários para o exterior e o principal destino são os países africanos.

Uma das corajosas brasileiras que ajudam os que mais necessitam é Alina Magno, 20 anos. A missionária já realizou trabalhos no Chile e também em regiões de guerra da Ucrânia. Para a jovem brasileira, a maior dificuldade é a falta de apoio financeiro, pois o grupo não conta com auxílios do governo nem de empresas, mas apenas das doações de familiares e das igrejas da região.

Publicado por:Valmir Matiazzi

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