Yan Damaceno

Juliano Machado de Almeida, 38 anos, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, Sul do Espírito Santo, terra de Sérgio Sampaio. Toca violão desde os 15 anos e hoje é cantor e compositor.

Juliano Rabujah (Foto Divulgação: Rodrigo Pessotti Maia)

Ele ficou conhecido como Rabujah pelos colegas na Faculdade de Viçosa (MG), onde cursou Administração. Trouxe o apelido para Vitória quando começou a dedicar-se à carreira musical. Depois de formado trabalhou na área do cooperativismo, antes de ingressar no meio artístico.

Na medida que foi se envolvendo mais com a música, decidiu estudá-la também na parte acadêmica. Rabujah é bacharel e licenciado em Música pela UFES, mestrando em Educação na mesma universidade e estuda educação musical diariamente, além de ser professor de yoga e meditação.

Iniciou a carreira de músico no ano de 2008, cantando samba rock na banda Tabacarana com os colegas de faculdade Thiago Vieira e Andrey Junca. Lançaram o disco “Virei no Samba” em 2011 e no mesmo ano viajaram para a Europa em turnê, apresentando-se em países como França, Irlanda, Espanha e Inglaterra.

Andrey Junca, Thiago Vieira e Juliano Rabujah da banda Tabacarana (Foto Divulgação: Luara Monteiro/Gibran Chequer)
Capa do disco “O Que Meu Samba Tem”

Foi nesse mesmo período que Rabujah lançou seu primeiro disco solo “O Que Meu Samba Tem”. Em 2012, buscou novos ares e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se apresentou em diversas casas, como o Studio RJ, Sérgio Porto, Teatro Luara Alvim, Circo Voador, La Esquina e Sala Baden Powell .

Capa do EP “Cozinha Americana”

Em 2013, lançou seu primeiro EP “Quarto e Sala”, que foi coproduzido ao lado de Marcel Dadalto (banda Zé Maria). No ano seguinte, lançou o “Cozinha Americana”, seu segundo EP. A junção dos dois EPs resultou no álbum intitulado “Cozinha Americana, Quarto e Sala”, que conta com 8 faixas. Atualmente, está trabalhando em seu novo disco intitulado “Poemia”, que está previsto para ser lançado na metade de 2019.

Num bate papo pelo whatsapp, Rabujah contou um pouco como é cantar no Festival Sérgio Sampaio e os desafios da vida de um artista.

Qual a importância de cantar Sérgio Sampaio na terra dele?

Cantar Sérgio Sampaio é uma responsabilidade muito grande, pois é uma obra que apesar de não ser tão difundida, a pessoa que gosta tem um profundo apreço. A obra do Sérgio toca a gente naqueles lugares onde normalmente não queremos enaltecer. O Sérgio canta a tristeza, a solidão, a angústia, o arrependimento. O sofrimento é um tema muito recorrente na obra dele e, normalmente, essas coisas são feitas de forma caricata por outros artistas. Ele consegue associar a harmonia, a melodia e a pujança da sua poesia de uma maneira muito primorosa e isso acaba afetando a gente de um jeito muito profundo.

Juliano Rabujah

Quais são os desafios de valorizar a música capixaba?

Valorizar a arte nos dias de hoje é um desafio a todo artista. Arrisco dizer que não só todo artista, mas todo aquele que deseja fruir uma obra de arte. A pessoa que se toca consegue ter a descoberta e a compreender que a arte é um lugar de encontro da gente com a gente mesmo e com a humanidade que existe em nós. É um desafio valorizar a música, seja em que lugar nós estivermos, no tempo que estivermos, mas, principalmente, no agora.

Juliano Rabujah

Suas músicas têm muita crítica social. Por que você considera relevante tratar desses assuntos em suas letras?

Crítica social em música é imprescindível porque é uma responsabilidade de cantar o que nos constitui enquanto seres humanos. É necessário que a arte se preste a esse papel. Então, a gente tem essa responsabilidade de formar as pessoas, não só de informar. Para transformar essa informação em conhecimento é preciso que isso nos toque de alguma forma. É fundamental que a gente se sinta preenchido por essa vontade de mudar e de fazer diferente. Não tem como fazer mudança sem passar também pelo caminho da arte.

Juliano Rabujah

Você já fez turnê na Europa e cantou por um bom tempo no Rio de Janeiro. De que forma essas experiências acrescentaram na carreira musical?

Quando a gente tem experiência fora do nosso lugar de origem, do lugar que a gente chama de casa, nós conseguimos entender a busca por fruir uma obra de arte, por conhecer a arte, por ter esse contato com o que há de mais humano. Toda vez que fazemos isso fora de casa, nós percebemos que somos muito parecidos. Se nos olharmos com mais atenção, perceberemos que somos muito iguais. Passamos pelos mesmos desafios, assim como passamos pelas mesmas celebrações, se tratando de arte, da vida, de política e de desenhar o futuro de sociedade que a gente deseja alcançar.

Juliano Rabujah
Juliano Rabujah (Foto Divulgação: PIX Fotografia)

Você canta samba rock e MPB. Da onde veio a inspiração para seguir esses estilos musicais?

Eu canto MPB. Samba rock só na banda Tabacarana, com a proposta de fazer um samba rock’n’roll, que é uma releitura de clássicos do samba rock e também de algumas composições nossas. A MPB foi a escola que me ensinou a tocar violão. Antes de conhecer o violão, eu tocava guitarra e tinha uma banda de punk. Hoje, minhas músicas flertam com diversos outros estilos, mas, basicamente, passa pela Música Popular Brasileira, que me formou, me ensinou a tocar e me apresentou um repertório que eu julgo ser o repertório mais rico da música mundial.

Juliano Rabujah

Para quem vai acompanhar você no Festival Sérgio Sampaio, o que esperar?

O evento chega renovado a cada ano, por mais que a obra do Sérgio seja finita. Este ano tivemos a felicidade de sermos convidados a partir do espetáculo que já tinha sido montado: a releitura do disco “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10”. Há uma referência da contracultura brasileira sendo formada neste disco muito fortemente no ano de 1971. Então, é um disco que de fato é um marco para nossa música. Não só tocar, mas encenar esse disco, com as vinhetas, as falas, do jeito que ele foi gravado na íntegra, sem dúvida vai ser um presente para quem está acostumado a acompanhar o festival Sérgio Sampaio.

Juliano Rabujah

O Festival Sérgio Sampaio chega em sua 13ª edição e acontece nos dias 12 e 13 de abril no Centro Cultural Sesc Glória a partir das 20 horas, no Centro de Vitória.

Juliano Rabujah está no Spotify, Deezer, Apple Music, Facebook, YouTube, Twitter, Instagram e Soundcloud. Para acompanhar não só seu trabalho como também sua vida pessoal, é só seguir suas redes sociais.

Posted by:Yan Damaceno

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