Lara Mireny

Neste ano comemora-se o décimo sexto aniversário do fim da trilogia de “O Senhor  dos Anéis” nos cinemas com o último filme “O Retorno do Rei”. Baseada nos três volumes escritos publicados entre os anos de 1954 e 1955 pelo linguista britânico J.R.R. Tolkien, o primeiro longa-metragem foi lançado em 2001, dirigido por Peter Jackson. A saga repleta de seres mágicos e incomuns é uma das mais famosas da literatura fantástica e a sequência de filmes transformou a tecnologia cinematográfica com métodos que revolucionaram a história do cinema.

O cinegrafista Rodrigo Kazui, 34 anos, pressupõe que os filmes tenham influenciados outras do mesmo gênero, uma vez que várias obras posteriores se basearam no enredo ao reproduzir histórias fantásticas.

Essa influência aconteceu justamente pelo cuidado com a criação, algo fundamental para que o espectador consiga entrar no universo criado e aproveitar 100% o filme

Rodrigo Kazui

Segundo o site de cinema da Jornalismo Júnior, “O Senhor dos Anéis” é considerado um dos maiores projetos cinematográficos já executados, totalizando oito anos de produção e um orçamento estimado de 280 milhões de dólares. A trilogia que foi sucesso de público e crítica também alcançou um grande valor financeiro, arrecadando mais de 3 bilhões de dólares. O amplo reconhecimento dos filmes deve-se principalmente aos efeitos mágicos imaginados por Peter Jackson e desenvolvidos pela empresa Weta.

A saga do “Senhor dos Anéis” tem como protagonista um hobbit, que é designado a atravessar a Terra Média. Com a ajuda de elfos, magos e anões, ele precisa destruir um anel mágico e impedir que o mal reine (Foto: Divulgação)

Para o estudante de jornalismo Pedro Pimenta, 20, os efeitos especiais da trilogia marcaram a forma de se fazer cinema, sendo uma das razões dos filmes serem tão aclamados. A Weta desenvolveu um software chamado Multiple Agent Simulation System in Virtual Environment (MASSIVE) que possibilitou a formação de personagens totalmente digitais em cenas de grandes batalhas. A empresa tornou-se referência devido a utilização de técnicas inovadoras – como miniaturas, perspectivas e animações – as quais permitiram a criação de cenas próximas da realidade.

Além da qualidade dos efeitos, muitos outros fatores contribuíram para a popularidade da obra cinematográfica. O cineasta Peter Jackson utilizou a elaboração de storyboards, uma etapa comum da pré-produção que define esboços dos planos e ângulos de gravação. Entretanto o diretor neozelandês, com o auxílio da computação gráfica dos anos 90, transformou os storyboards em um curta com o intuito de pré-visualizar determinadas cenas do filme.

O trabalho com o elenco foi feito com antecedência. Os atores fizeram a prática do laboratório, os quais deveriam passar mais tempo juntos devido a trama dos personagens. As filmagens foram feitas na Nova Zelândia e duraram cerca de dois anos. Desse modo, todos que participaram dos filmes tiveram que se dedicar ao projeto longe de casa.

Tanta dedicação fez de “O Senhor dos Anéis” uma das obras mais reconhecidas e premiadas mundialmente. A trilogia venceu 17 Oscar no total. Segundo a revista Bula, o último filme “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” foi o recordista do prêmio. Ele está em terceiro lugar na lista dos mais premiados do Oscar, com 11 troféus de todas as indicações os quais disputava, sendo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Direção de Arte, Melhor Edição, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Mixagem de Som, Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original.

Influência da obra literária

Em 2003, a emissora de televisão britânica British Broadcasting Corporation (BBC) lançou uma enquete para que o maior livro do século XX fosse escolhido. “Senhor dos Anéis” venceu por uma extensa contagem de votos. O graduado em Letras Português e Inglês Raonny Metzker, 27, considera a obra de Tolkien um clássico da literatura fantástica. Com mais de 1.300 páginas e meio milhão de palavras, é surpreendente que um professor, baseado em experiências e no crivo pessoal, tenha criado uma mitologia capaz de fascinar gerações.

Raonny Metzker considera a obra de Tolkien um clássico que inaugurou a fantasia moderna (Foto: Lara Mireny)

Assim como no cinema, Tolkien revolucionou a literatura. Ele tornou-se aquele que inaugurou a fantasia moderna. Raonny informa ainda que obras famosas como “As Crônicas de Gelo e Fogo” e “Harry Potter” surgiram após as histórias de “Senhor dos Anéis”. Com isso, os lugares, personagens e dialetos das narrativas da Terra-Média foram necessárias para influenciar os novos cenários que estavam por vir.

A fonte de fantasia e aspectos fictícios de Tolkien sempre serão fontes de inspiração para futuras escritoras e futuros escritores

Raonny Metzker

O publicitário Flávio Sarcinelli, 43, acredita que as histórias heroicas como as de J.R.R. Tolkien nunca vão perder espaço. “É um exemplo de literatura capa e espada que marca a gente no sentido de querer vivenciar”, explica. Dessa forma, “Senhor dos Anéis” abriu as portas para novos conteúdos da chamada “cultura Nerd”.

Filosofia da obra

A saga do “Senhor dos Anéis” tem como protagonista um hobbit, que é designado a atravessar a Terra Média. Com a ajuda de elfos, magos e anões, ele precisa destruir um anel mágico e impedir que o mal reine. J.R.R. Tolkien escreveu uma história multicultural. Cada leitor ou espectador entende a narrativa conforme a própria cultura, idioma ou crença. O grau de credibilidade do fenômeno criado pelo escritor é tão alto que a filosofia da obra repercute no interior de cada indivíduo.

A filosofia é um campo do conhecimento que estuda a existência humana. O termo ressaltado pelo filósofo Pitágoras, analisa diversas questões sociais relacionadas à natureza, a linguagem, aos valores morais e estéticos, dentre outros. O professor de história e filosofia Bruno Bragança, 29, acredita que a filosofia é uma disciplina de conteúdos extensos e dificilmente um filme consiga ser feito sem trazer alguma reflexão filosófica. “Podemos encontrar a filosofia em diversas obras cinematográficas, mas nem todas as obras se apresentam como uma grande reflexão filosófica”, explica o professor.

O estudante de direito Afonso Carvalho, 22, não considera “O Senhor dos Anéis” um reflexo da realidade, mas uma obra influenciada por elementos da realidade. Tolkien pode ter atribuído experiências pessoais na obra, pois ele foi combatente na Primeira Guerra Mundial e a guerra é algo comum nas histórias. Apesar do enredo fantástico possuir elementos sombrios, há, também, a valorização do amor, da amizade e da bondade. 

Para o estudante Afonso Carvalho, a trilogia “Senhor dos Anéis” valoriza o amor, a amizade e a bondade (Foto: Lara Mireny)

Coragem

Um dos aspectos abordados na obra é a coragem. É essa determinação que impulsiona o pequeno hobbit a enfrentar enormes forças. Trata-se de uma antítese da ficção, o herói que não é dotado de poderes gloriosos. Desse modo, a lição tolkieniana é capaz de aproximar a fantasia da realidade e tornar acessível ao público a identificação da existência humana.

É essa a inspiração que o corretor de seguros Vitor Frazão, 25, busca ao assistir os filmes da trilogia. Segundo ele, todos os indivíduos são heróis da própria história.

Devemos sempre almejar a coragem de Legolas, a lealdade de Gimli, a realeza e humildade de Aragorn. ‘Senhor dos Anéis’ apresenta valiosos ensinamentos de vida

Vitor Frazão

A história, portanto, é atemporal. ” É mostrada tanto a capacidade dos seres vivos de serem bons, éticos e amigáveis quanto a de facilmente serem corruptos, maliciosos e ruins”, relata Afonso Carvalho. Essa é a força da escrita de Tolkien. A história não relata apenas o passado, mas algo que sempre estará em voga. Ela proporciona a missão de uma vida, o valor da amizade, a luta do bem contra o mal e a força da coragem.

Paixão dos fãs

Quase duas décadas após o lançamento, a saga de um jovem hobbit que precisa destruir um anel mágico para salvar o futuro da civilização conquista fãs até os dias de hoje. Desde a estreia do primeiro filme no Brasil, em 01 de janeiro de 2002, a busca por esse épico universo tornou-se inesgotável para os fãs brasileiros.

A figura do herói aventureiro, a honra, a coragem, a esperança, a ação ou a utilização de seres até pouco conhecidos como elfos, anões, feiticeiros e hobbits? Quais seriam os motivos da trilogia ter conquistado tantas pessoas? Para a gestora ambiental Caroline Gonçalves, 24, foi a temática histórica da Terra-Média com uma riqueza de detalhes que a despertou interesse. No mais, a Vila dos Hobbits chamou-lhe muito a atenção. Caroline se identificou com o estilo de vida dos personagens devido a simplicidade, tranquilidade e a preservação da natureza.

Em 2018, Caroline Gonçalves casou-se e provou-se fã.  Com direito a colar da Arwen, convite personalizado, hobbit como porta aliança, Smeagol no bolo e trilha sonora do filme, a recém-casada teve o casamento com a temática de “O Senhor dos Anéis”. “Eu queria mostrar o meu amor pelas histórias nesse dia que seria tão importante para mim. Além disso, me identifico muito com o estilo de vida dos hobbits, entre outras coisas que permeiam as obras de Tolkien”, explica.

Colecionáveis

Com o sucesso da trilogia, uma infinita fonte de criatividade comercial foi despejada para a alegria dos fãs. Livros, camisas, botons, bonecos, canecas, joias, quadros, mapas e até espadas. O estudante de direito, Afonso Carvalho, 22, descobriu a franquia há 11 anos, graças a curiosidade que teve em relação às telas do cinema. Desde então, o estudante acumula vários itens colecionáveis do universo fantástico do “Senhor dos Anéis”.   

Além das peças para colecionadores, surgiram centenas de fóruns, sites, artigos científicos e teses acadêmicas. Para a psicóloga Lara Andrade, 25, o advento da tecnologia possibilitou que as pessoas se aproximassem mais daquilo que elas admiram. Segundo ela, a admiração que um fã sente por um determinado filme, livro ou série atribui-se a uma identificação pessoal.

Posted by:Valmir Matiazzi

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