Matheus Metzker

Uma dor inexplicável. Física e emocional. Muito difícil de superar, mas nunca impossível. Com a família, com os amigos e, sobretudo, com a fé, pacientes com câncer conseguem caminhar e encontrar forças rumo à cura e vencer cada obstáculo como se fosse o primeiro. Para esses, o dia de hoje é bem mais importante que o de amanhã. O futuro? Apenas uma luz no fim do túnel que ainda pretendem alcançar.

O câncer é uma doença caracterizada pelo aumento contínuo de células que invadem tecidos e órgãos, resultando na presença de um nódulo (um caroço). Essas células tendem a ser muito agressivas e crescem, o que determina na formação de tumores malignos, que podem se espalhar para outras regiões do corpo. Ação chamada de metástase.

Essa doença cresce numerosamente a cada ano. Segundo dados estimativos do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 600 mil novos casos de câncer durante todo o ano 2019, sendo que, no caso dos homens, há o predomínio do câncer de próstata. E nas mulheres, do câncer de mama.

O oncologista Loureno Cezana declara que as causas dessa doença são variadas. Ele afirma que vários fatores de risco podem levar ao câncer e dentre eles estão as causas hereditárias e comportamentais como, por exemplo: sedentarismo, tabagismo, etilismo, relações sexuais desprotegidas com diferentes parceiros (vírus que pode levar ao HPV) e outros fatores ligados ao comportamento alimentar: uma alimentação rica em gordura, pobre em verduras e alimentos ricos em conservantes químicos.

Dura jornada

Silvia Alves contemplando a vida após passar por seis cânceres (Foto: Arquivo Pessoal)

Em alguns casos, as pessoas que são diagnosticadas com câncer conseguem curar a doença em poucos meses ou anos. Mas existem outros que o enfrentamento perdura por décadas. É o caso da aposentada Silvia Alves, 57 anos, e desses, 16 são dedicados a lutas diárias e maçantes.

Silvia já passou por seis cânceres em diversos lugares pelo corpo. No útero, nas duas mamas, no pulmão, no mediastino (cavidade torácica), na região próxima das axilas e atualmente enfrenta o sétimo nos ossos.

É uma tortura mental. A primeira sensação foi de uma sentença de morte. Chorei muito. Quando você pega o primeiro resultado, o único pensamento é que você vai morrer e está com uma doença que não tem cura. O chão some. Desesperado é pouco. É um sofrimento. Você morre em vida

Silvia Alves

Ao longo da jornada com o surgimento rotineiro de mais um grande desafio, a aposentada soube se levantar e seguir em frente. Segundo ela, só há duas opções: levantar ou cair. E ela se recusou a cair, pois tinha filha para criar, além de querer estudar e trabalhar. “É não se entregar e aprender a sobreviver com esse sofrimento do dia a dia. Sorrio para todos que aparecem na minha frente, pois hoje quem olha para mim não vê o que eu carrego. Vencendo o câncer a cada dia, você aprende a ter um controle da alma e da mente”,

Para lidar com a doença, a psicóloga e professora de Administração, Contábeis e Direito da FAESA, Fernanda de Freitas, 34, diz que é necessário que o paciente se preocupe com a própria saúde mental e receba a ajuda devida da sociedade. “É extremamente importante que ela tenha um espaço de religiosidade ou um espaço de expressão de sentimentos. E a sociedade deve enxergar quem recebeu o diagnóstico como uma pessoa no ser integral, não reduzi-la a uma doença e nem se deve exigir que a outra pessoa seja forte o tempo inteiro”, aconselha.

A psicóloga Fernanda de Freitas reafirma a importância da ajuda da sociedade para enfrentar a doença (Foto: Matheus Metzker)

Cura

O tratamento do tumor varia conforme o local de incidência, mas no geral a cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia fazem parte do processo de recuperação do paciente. Esses tratamentos, principalmente a quimio, possuem efeitos colaterais muito nocivos para as pessoas, que vão desde enjoos, diarreia e até a queda do pelo do corpo.

Os tratamentos tradicionais, principalmente as quimioterapias, consistem no uso de drogas que atrapalham o crescimento de células. Então, elas atuam nas que estão em divisão celular frequente, como as tumorais. Contudo, outras células do nosso corpo estão em divisão e por isso tantos efeitos colaterais

Loureno Cezana

Apesar de duros tratamentos, a cura existe e é possível. A empresária Creuzinete Alcântara, 50, é um exemplo de quem conseguiu vencer um câncer bilateral nas mamas e, hoje, só faz acompanhamento padrão. Há quatro anos, vendo uma reportagem na televisão, decidiu fazer a mamografia que não acusou nenhum tumor, mas continuou investigando com outros exames e descobriu o estágio inicial da doença.

Ela conta que perdeu as mamas, mas, apesar disso, hoje é uma pessoa diferente. Após passar por nove cirurgias, ela está mais positiva e mais determinada. “Se eu não estiver bem não tem como eu ajudar ninguém. Antigamente, eu deixava as coisas para depois, hoje não. Eu nasci de novo duas vezes e faço aniversário três vezes”, conta.

Creuzinete Alcântara comemora aniversário três vezes por causa da luta contra o câncer (Foto: Matheus Metzker)

A dona de casa Ivaldete Coelho, 59, superou também um câncer de mama há 10 anos, após enfrentar seis sessões de quimioterapia. Nessa época, relatou que tinha mais medo devido aos poucos avanços da medicina e um menor número de informações. Ivaldete afirma ainda que o mundo caiu quando recebeu a notícia, pois o assunto era menos discutido. “A médica me falou na época que a recuperação viria logo após a cirurgia. Eu fui à luta e tudo deu certo”, revela.

Um câncer de mama não foi suficiente para derrubar Ivaldete Coelho (Foto: Matheus Metzker)

O adiamento da quimioterapia foi algo que a autônoma Luciene Cardoso, 60, fez quando iniciou um tratamento contra um tumor na mama em 2007. Um nódulo foi descoberto enquanto tomava um banho e, a partir desse momento, lutou diariamente, inclusive com a mãe de 90 anos que ao mesmo tempo também estava passando por um câncer na boca. Mais de uma década depois do sofrimento, se vê outra mulher. Ela celebra, feliz, a chance de estar viva. “Eu renasci, floresci, me transformei”, comemora.

Luciene Cardoso, juntamente com a mãe de 90 anos, enfrentou o câncer (Foto: Matheus Metzker)

Recomeço e comportamentos

O recomeço é facilitado pelo diagnóstico logo cedo. A zeladora Ozileia Pereira, 51, se livrou e curou de um câncer de mama há 10 anos e fica feliz por ter identificado a doença o mais rápido possível. Hoje, só sabe comemorar. “Que bom que tudo ficou para trás. É como se eu tivesse em uma longa rua e todos os obstáculos, até aqui, eu consegui passar”, declara.

Ozileia Pereira celebra a luta contra o câncer como um grande obstáculo superado (Foto: Matheus Metzker)

Para se distanciar de um possível diagnóstico de um câncer, é preciso seguir alguns comportamentos que evitem o aparecimento de tumores malignos. O oncologista Loureno Cezana explica que é importante a mudança de medidas comportamentais para reduzir a incidência de câncer .

Atividade física, alimentação saudável, controle de peso, evitar o tabagismo e etilismo, fazer sexo seguro com preservativo e vacinar as crianças contra o HPV são medidas que reduzem a incidência de câncer. Existem ainda uma série de exames de rastreamento para alguns tumores. Eles não impedem o câncer, mas levam a um diagnóstico precoce

Loureno Cezana

Edição: Isabela Wilvock

Foto de Destaque: Matheus Metzker

Posted by:Isabela Wilvock

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