Karen Nascimento e Matheus Metzker

Transplantar um órgão em vida pode ir além da concretização de uma última esperança de sobrevivência de um paciente, transformando-se em um ato capaz de formar um elo permanente entre quem doa e quem recebe. No caso da doação de um rim, o receptor, ao deixar a hemodiálise, tem a chance de experimentar uma vida nova e praticamente sem sequelas.

Nessa penúltima matéria da série especial sobre Doação de Órgãos, descubra as histórias por trás de pessoas que decidiram fazer o ato nobre de doar um órgão em vida. Antes, confira as quatro primeiras matérias da série: “Demora e sofrimento: o órgão que não veio”; “Nova chance: a satisfação de receber um transplante”; “Luta pela vida”; e “Empatia e Dedicação”.

De acordo com a auxiliar de consultório médico Ludmilla Alexandre, 35, que recebeu um rim por doação do irmão após ter uma gravidez interrompida pela falta de um órgão, a sensação é inexplicável, como se duas pessoas tivessem passado a habitar um mesmo corpo. “Já amava meu irmão só pelo fato de ser meu irmão, mas depois me peguei pensando que tenho um órgão dele em mim. São dois em um. É um amor muito grande. Pude ter minha vida de volta graças a ele”, afirma.

A vida de Ludmilla foi completamente mudada a partir da doação do rim do irmão. Com isso, ela conseguiu se livrar da máquina de hemodiálise que a fazia sobreviver (Foto: Matheus Metzker)

Foram dez anos lutando para se manter firme no tratamento. Ludmilla conta que, três vezes por semana, ia para a hemodiálise.

Vivia passando mal e me recuperando. Eu ficava muito cansada e já nem conseguia trabalhar. Depois do transplante foi muito diferente. Fiquei pensando que passei tanto tempo naquilo que era como se eu tivesse parado no tempo. Depois da cirurgia, me veio o questionamento: O que eu faço agora? Voltar é muito complicado. Mas, eu consegui

Ludmilla Alexandre

Para o doador e irmão de Ludmilla, o vendedor Leandro Alexandre, 37, ele faria tudo de novo. Isso porque ele explica que o ato de doar um órgão para a irmã que foi diagnosticada com fibrose cística não atrapalhou a vida dele em nada, ao contrário, foi possível continuar jogando futebol e mantendo a vida social. A cicatriz, em suas palavras, não deixou dor, mas a boa lembrança de amor ao próximo e de otimismo.  

De tudo o que ficou dos momentos de sofrimento e superação, Leandro destaca um em especial: o companheirismo do início ao fim do procedimento.

Emoção

Antônio Carlos Barbosa compartilha o sentimento de amor ao próximo por ter doado o rim para o irmão e ajudá-lo a sobreviver (Foto: Karen Benício)

Em caso semelhante de empatia, o técnico em enfermagem do trabalho Antônio Carlos Barbosa, 44, se emociona ao contar a própria história. Ele acompanhou o irmão de perto durante toda a hemodiálise, por cerca de cinco meses, até que o médico trouxe a notícia de que a única chance de sobrevida seria o transplante.

Em uma família de nove irmãos, Antônio Carlos se colocou à dianteira e sente orgulho disso. “Deus é muito bom. O teste de compatibilidade deu 99%. Eu pensei, então, que tinha mesmo que ser eu. A cirurgia foi feita em 2008 e meu irmão está super bem até hoje”, comemora.

Para o profissional da saúde, a mudança física, trazida pela cicatriz, não importa. O ensinamento para ele é o de fazer a diferença na vida de alguém, inclusive se a pessoa for um desconhecido.

A gente muda. Muda certos hábitos e passa a ter receio por ter só um rim. Mas a vida é normal. Deus fez dois para que a gente possa doar um. Sou a favor de doar tudo. Sei a diferença que faz. Por trás de uma vida existe uma família, existe tanta coisa

Antônio Carlos Barbosa

Foto do Destaque: Matheus Metzker

Edição: Matheus Metzker

Posted by:Matheus Metzker

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