Sabrina Reis Heilbuth

Pouca tolerância aos conflitos, imediatismo, individualismo, investimento excessivo, medo do sofrimento e busca da perfeição são alguns exemplos que caracterizam comportamentos típicos nas relações afetivas da atualidade. Essas novas maneiras de se relacionar proporcionaram queda na durabilidade dos relacionamentos, além de serem fatores primordiais para o aumento do número de divórcios.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, em 2017, foram realizados 28.690 divórcios a mais do que no ano anterior, comprovando o grande crescimento das separações afetivas no País. Além disso, em 10 anos, as uniões conjugais também sofreram queda de 17 para 14 anos de durabilidade.

A perfeição, cada vez mais, é alvo de procura insaciável pelos casais (Foto: Greg Gunn/Giphy)

O imediatismo na comunicação pode ser considerado um fator diferencial para a mudança desses números. A psicóloga Roberta Vallory, 36 anos, afirma que as rápidas informações e a facilidade de encontrar novos parceiros influenciam a tomada de decisões. Para a psicóloga, as pessoas estão cada vez menos tolerantes ao erro do próximo. “Quando o outro não satisfaz, existe um rápido descarte. As relações nunca foram tão efêmeras”, salienta Roberta.

A profissional relata ainda que existe uma busca insaciável pela perfeição. Roberta também declara que os relacionamentos têm se tornado menos duradouros pela falta de paciência, entendimento e comunicação.

Os casais não estão respeitando a individualidade um do outro

Roberta Vallory

Mudança

Com essas novas características no modelo de relações atuais, é normal encontrar mulheres menos interessadas em casar ou construir família. Para a estudante de geografia Brenna Santana, 20 anos, ter um relacionamento é algo bom, mas não essencial. Mesmo não descartando a possibilidade de estar com alguém, a prioridade não está na busca dessas relações afetivas, mas no foco da carreira e atividades pessoais. “Sinto que consigo me dedicar melhor aos meus projetos e vontades quando estou solteira”, declara Brenna.

Nunca foi tão recorrente encontrar mulheres felizes solteiras (Foto: Rebecca Hendin/ Giphy)

Da mesma maneira que Brenna, muitas mulheres na atualidade não planejam ter filhos e não anseiam criar laços familiares ao longo do tempo. Essa independência gera julgamentos e falta de compreensão da parte de algumas pessoas, porém a jovem enxerga essa escolha de maneira decidida. “Tenho consciência de tudo que posso acrescentar ou não dentro de uma relação. E no momento, não é algo que me encaixe”, esclarece a estudante.

Cuidados

A profissional em Design Aliana Pereira, 43 anos, casada há mais de 18, acredita que a tecnologia e o uso das redes sociais influenciaram no aumento das brigas e separações dos casais. Ela conheceu o marido se comunicando por cartas e, hoje, se espanta com o imediatismo nas trocas de comunicação, tornando as pessoas intolerantes e impacientes.  

Aliana deixa a dica para quem está casado e pretende manter uma boa e saudável relação. “É algo simples, mas exige grande entendimento e maturidade. É preciso continuar investindo na independência pessoal de cada um, mas exercendo o diálogo e, principalmente, a paciência”, diz Aliana.

Foto de destaque: Sabrina Heilbuth

Edição: Diogo Cavalcanti

Publicado por:Diogo Cavalcanti

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