Matheus Metzker e Sabrina Heilbuth

Idioma, comportamento e personalidade. Esses são alguns dos fatores que inicialmente podem dificultar a criação de laços sociais para um imigrante ao adentrar em um novo país. Isso é o reflexo da pluralidade cultural existente no mundo. Continentes que, além de distantes entre si, se diferenciam nas preferências e nas maneiras de agir, falar e pensar. No Brasil a história não é diferente.

Na penúltima reportagem multimídia da série especial “Imigrantes no ES”, conheça o poder dos laços sociais na vida dos imigrantes Marco e Taiana. Veja também todas as outras matérias que compõem a série: “Um novo lugar para chamar de casa”, “O acolhimento capixaba”, “Cultura capixaba é abraçada e valorizada por imigrantes” e “Adaptações e dificuldades financeiras em outro país”.

O idioma português, das terras brasileiras, é visto, por muitos estrangeiros, como a língua mais difícil de se aprender devido às diferentes regras gramaticais e vocábulos específicos. Sem entender muito bem o idioma, pode-se criar um ciclo: não há uma plena comunicação e, por consequência, adiar o processo de se firmar amizades e criar vínculos com as pessoas para o desenvolvimento pessoal e profissional em um novo lugar.

O professor e sociólogo Aloísio Fritzen, 62 anos, explica que para mudar essa situação depende da força de vontade do imigrante e com atitudes que o façam sair completamente da zona de conforto

Estabelecer novas relações não é um processo fácil. O lugar de origem permanece latente na memória, mesmo diante das dificuldades. Contudo a criação de laços depende muito da disposição do próprio imigrante. É um desafio permanente para a formação de uma nova identidade

Aloísio Fritzen

Apesar de ser um processo contínuo e difícil, o professor explica que para o Brasil, que veio de transições migratórias, é fundamental que a população saiba agregar novas culturas que chegam para somar no convívio da sociedade. “A constituição familiar com essa diversidade de origens tem contribuído para a força cultural que possuímos. As diferenças culturais são a riqueza de um país. Já as diferenças sociais e econômicas se tornam a pobreza”, complementa.

As pessoas, ao terem mais conhecimento e a procurarem um entendimento maior sobre imigrantes, podem ter ganhos pessoais enriquecedores. É o que aborda a psicóloga e Educadora Parental Hely Tavares, 33. “O indivíduo tende a se abrir para o novo, a cultivar a empatia, o espírito de solidariedade e o altruísmo. Há a possibilidade de uma troca cultural e uma possível compreensão da diversidade do ser humano”, argumenta a psicóloga.

Vivências sociais

Taiana Vergara (uma das crianças na foto) e a família em uma das visitas ao Brasil (Foto: Arquivo Pessoal)

No Espírito Santo, é possível encontrar imigrantes que tiveram dificuldades iniciais na troca de experiências com capixabas. Um deles é a mexicana, que se considera quase uma brasileira, Taiana Vergara. Ela veio muito jovem para o País, aos 12 anos. A mudança ocorreu na época de adolescência pelo desejo do pai mexicano em residir no país nativo da mãe.

Hoje, com 40 anos, é graduada em Direito, Pedagogia e Psicologia. Até o ano de 2011, residia com a família em Cascavel, Paraná. Por uma oportunidade de emprego do marido, começou a se fixar em Vitória. Fato que provocou uma comparação.

Eu me senti acolhida no Espírito Santo, mas diferente do acolhimento paranaense e mexicano. Aqui nunca me chamavam para ir para casa de alguém. No começo, eu sofri. Parecia que ninguém queria ter contato. Eu chamava os filhos dos vizinhos do prédio para brincarem com os meus filhos e os pais nunca aceitavam

Taiana Vergara

Ao longo do tempo, a situação mudou para Taiana. Atualmente, ela tem um círculo de amizades feitas por conta da faculdade e também por pessoas ligadas ao espectro autista. Ela “perdeu” uma filha no início de 2019, a Ana Clara. A menina de 11 anos tinha Síndrome de Down e fazia parte desse espectro. Uma fatalidade que a marcou e a fez refletir. 

Taiana acredita que é preciso valorizar as coisas boas, independente do lugar que esteja. Valorização essa que, segundo ela, falta um pouco nos capixabas. “O capixaba tende a falar mal do Espírito Santo. Isso me deixa triste. É preciso defender o lugar que você vive. Se você só fala mal, você acredita que está no pior lugar”, desabafa.

A mexicana Taiana Vergara não pretende mudar tão cedo do Espírito Santo. Ela reside no Estado que a acolheu faz 8 anos (Foto: Matheus Metzker)

Dificuldade para amizades

O italiano Marco Ravelli, 46 anos, vive há três anos com a esposa mineira em Vila Velha, município da região metropolitana de Vitória. Para ele, o capixaba é acostumado com uma maneira que parece não querer mudar, definindo como um povo fechado e não tanto comunicativo, comparando com outros Estados. E essa característica dificultou a formação de laços sociais, juntamente com outros fatores, como tempo dedicado ao trabalho e culturas diferentes. 

Marco é dono de uma gelateria, uma empresa que traz um pouco da cultura italiana para o Brasil. Nela, conseguiu firmar aos poucos algumas amizades.

Tenho poucos amigos aqui, mas são pessoas muito especiais. Conheci todos no trabalho. De clientes, viraram amigos

Marco Ravelli

“IMIGRANTES NO ES”

FOTOGRAFIA DE DESTAQUE

Matheus Metzker

FOTOGRAFIA DA ARTE

Zanete Dadalto

EDIÇÃO DE ARTE E FOTOGRAFIA

Luisa Nassur / LACOS

ORIENTAÇÃO

Valmir Matiazzi

FINALIZAÇÃO

Matheus Metzker


Publicado por:Matheus Metzker

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s