Matheus Metzker

Segunda-feira. Mais um dia batendo o ponto às 14 horas na redação. Você entra, senta em sua mesa, pega aquele cafezinho e vai cobrir os factuais do dia. Primeiro, faz uma matéria sobre o trânsito caótico da capital e, depois, vai à delegacia apurar duas ocorrências. 

De volta à redação, você escreve as outras matérias e termina tudo duas horas antes da hora de voltar para casa. Dia atípico. Uma raridade isso acontecer, já que o normal é não parar nenhum momento. 

Depois de ter essa surpresa de acabar as pautas antes do fim do expediente, você esperava ficar apenas de plantão, aguardando o próximo factual. Leve engano. O seu editor te dá a missão de começar a pensar em uma série de reportagens especiais sobre aposentadoria. E você topa. Afinal, quem diria não para o chefe?

Apesar de ser um tema comum, você fica com uma tremenda angústia, todo se corroendo por dentro e se põe a refletir: “o que falar de diferente sobre aposentadoria?”. Minutos e mais minutos passam e você não sai do lugar. Tema na mão. Em contrapartida, nenhuma ideia de pauta. 

Pera. Pare! Não precisa ser assim. Não precisa encarar isso como ossos do ofício. Não pela milésima trigésima vez… Vou te explicar o porquê!

Jornalismo e Criatividade
O jornalista sempre costuma cair no dilema: como inovar em uma matéria?

Nos corredores da sociedade, a criatividade é jogada apenas para os publicitários, designers e artistas plásticos, como se fosse inerente e restrito a essas profissões a habilidade de pensar em ideias fora da caixinha. Afinal, é um dom deles mesmo?

A resposta é: não. Criatividade nunca pode ser considerada um dom. O jornalista, assim como qualquer profissão, também pode respirar o ar puro da imaginação e adentrar em campos férteis da mente. Em outras palavras: pode ser criativo, se quiser e estiver disposto a alçar os degraus necessários para isso.

Ah, tais degraus não são como uma receita pronta, que você anota os ingredientes, segue o passo a passo do preparo e que vai dar tudo certo no final. Não! É algo variável e depende único e exclusivamente de você. Eu pareci até coach falando isso, não é?

Brincadeiras à parte, a criatividade do jornalista pode ser ativada, dentre outras maneiras, a partir do próprio repertório cultural. É por meio de tudo aquilo que você leu, presenciou e viveu, seja durante a vida pessoal ou no dia-a-dia da redação. Ao ter esse olhar para trás, sabe o que é possível? Colocar mais e mais ideias em prática. 

Claro, há umas pedras no caminho. Não é tão fácil. Por conta do estresse, ansiedade e julgamento, bloqueios criativos acontecem. Mas, saiba: eles não são definitivos e eternos. 

Então, um conselho valioso e humilde que posso te dar é arrisque, se jogue nas próprias ideias. Faça o seu processo criativo. Pesquise matérias anteriores e a partir delas, lance um novo olhar na temática, indo na contramão do que já saiu. Não precisa seguir o mesmo caminho. Não precisa falar das mesmas coisas. Não precisa entrevistar os mesmos profissionais daquela listinha da redação. 

Buscando novos olhares e perspectivas, você pode até agarrar ferozmente e com mais facilidade a atenção do público. E, finalmente, pode até perceber que realmente não precisa ser tudo igual.

>>> Esse texto faz parte de uma série de produções opinativas sobre Jornalismo e Criatividade feitas por estudantes do 8º período de Jornalismo da Faesa Centro Universitário. As produções tiveram a orientação do professor Victor Mazzei dentro da disciplina de Criatividade e Processos Criativos.

Publicado por:Matheus Metzker

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