Bruno Almeida

Fake news e eleições: inovação no combate a informações fraudulentas” foi o tema escolhido pelos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda para uma roda de conversa na 19ª edição da Jornada Científica e Cultural FAESA. Neste ano, a Jornada tem como tema principal a “Inovação e os caminhos para o futuro”.

Os convidados sobre Fake news para o debate foram o jornalista e diretor de negócios da Agência Lupa, Gilberto Scofield; o repórter do jornal Estado de São Paulo, Vinícius Valfré; e o promotor de justiça e dirigente do Centro de Apoio Eleitoral do MP-ES, Cláudio Ribeiro Lemos. Já a mediação das reflexões ficou por conta da professora Mirella Bravo.

A professora Mirella Bravo mediou a roda de conversa sobre Fake news e eleições com os jornalistas Vinícius Valfré e Gilberto Scofield e o promotor do MP-ES Cláudio Lemos (Print: Mirella Bravo)

O promotor Cláudio Ribeiro, sempre apontando para um futuro tecnológico, disse que as eleições de 2020 devem ser as eleições do marketing digital. Ele ainda acrescentou há alguns anos algumas propagandas visuais nas ruas foram proibidas. ‘’Em 2006, foram proibidas propagandas como o outdoor. Hoje, estão proibindo mais propagandas físicas, culminando no aumento da digitalização das campanhas eleitorais’’, finalizou.

Cláudio ainda sintetizou que o problema atual com relação às Fake News não é a falta de punição, mas o consenso definitivo do que seria ou não considerado uma notícia falsa para, assim, serem aplicadas as penas previstas em lei. O promotor complementou dizendo que 7 em cada 10 imagens circuladas no Whatsapp na pandemia da COVID-19 eram falsas e que 20% do debate político na internet era protagonizado por bots.

O jornalista Gilberto Scofield explicou que inicialmente os algoritmos serviam mais comercialmente, identificando os gostos do usuário e dando sugestões de produtos similares. Posteriormente, esses algoritmos aproximaram pessoas com ideias similares e acabaram criando bolhas de ódio e de desinformação. Gilberto ainda comparou eleições passadas com as atuais, dizendo que anos atrás era muito importante para uma campanha ter um cientista político, que interpretava as pesquisas eleitorais e orientava onde fazer campanha. Hoje, o analista de dados é de suma importância, pois localiza pessoas com os ideais similares aos do  candidato e impulsionam publicações direcionadas.

O leitor acaba caindo nas Fake News pela tendência que tem de acreditar nas notícias que confirmam um preconceito ou uma ideia que tem de determinada coisa

Gilberto Scofield, jornalista e diretor da agência Lupa

De acordo Gilberto, o leitor tende também a não ver nenhum contraponto do que leram, pois devido às bolhas, os algoritmos aproximam pensamentos semelhantes e afasta os diferentes, distanciando o usuário de uma outra versão do fato

O jornalista do jornal Estadão Vinícius Valfré destacou a importância do bom jornalismo e da boa apuração e checagem de fatos para a democracia, mas salientou que em várias partes do Brasil há o chamado ‘’deserto de notícias’’, quando uma cidade não tem nenhum veículo de comunicação, o que acaba facilitando propagação de notícias falsas sem nenhuma refutação.

62% ou 3487 municípios brasileiros não tem nenhum veículo jornalístico, a maioria das cidades. E apenas 19% das cidades tem vários veículos

Vinícius Valfré, jornalista do Estadão

Valfré afirma que em eleições municipais, que têm menor abrangência e são mais localizadas, fica mais difícil de se combater a desinformação nessas cidades que não têm meios de comunicação. Para o jornalista, a falta da imprensa dificulta confirmar uma fala de um prefeito, por exemplo, ou até reivindicar transparência do site da prefeitura, das licitações e prestação de contas em geral.

Os 3 convidados ao final da roda de conversa ainda deram dicas comportamentais para não cair em Fake News e aprender a identificá-las. O promotor Cláudio Ribeiro disse que é importante sempre chegar e entrar em sites de checagem antes de compartilhar determinado conteúdo. O repórter Vinícius Valfré recomendou aos presentes a sempre valorizarem o jornalismo profissional, pois é o conteúdo mais apurado e verdadeiro e que não pode ser desvalorizado. Por fim,  o jornalista Gilberto Scofield aconselhou a fugir do apelo emocional, conhecer o contexto, a autoria e o veículo de onde veio a notícia.

As eleições municipais de 2020 acontecem em novembro. O primeiro turno ocorre no dia 15. Nos locais onde ocorrerem segundo turno, a data marcada é para o dia 29 do mesmo mês.

Publicado por:Valmir Matiazzi

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