Heytor Gonçalves

Os robôs chegaram. Já é possível, por meio de um algoritmo, produzir milhares de textos em segundos, sem um pingo do i colocado por dedos humanos. Essa escrita é tecida atendendo a critérios de personalidade do usuário, feito em uma versão diferente para cada leitor, buscando agradá-lo e mantê-lo em frente a tela. Para quem trabalha com conteúdo, principalmente jornalistas, essa situação é evidentemente uma competição desleal.

Em quantidade, já perdemos. É questão de tempo. Resta a qualidade. É preciso criar, Roberto, criar! Você não pode me trazer um texto sobre o carnaval de congo cinza desse jeito, parece escrito por um robô. Vá além do fato Roberto! Me escuta: Sobre o que é essa festa? Eu sei o que é congo, Roberto. Mas estamos falando de muito mais aqui: É memória, identidade, artes cênicas, moda, resgate, união social. Será que não cabem mil pontos de vista diferentes nessa história? É nossa cultura! Sei lá Roberto, inventa!

Faz o seguinte: Escreve no papel todos os tipos de personagens que possam agregar ao texto: Historiadores, sociólogos, figurinistas, músicos, isso, anota Roberto. Agora, lista possíveis abordagens. Sem medo Roberto, vai. Ahã. Boa. Tem tema pra mais de semana ai.

Quantidade X Qualidade. A difícil missão de conciliar Seres Humanos e Robôs (Imagem: Free Pik)

Pode começar sempre assim, Roberto. Faz o seu toró de ideias, sem medo, e vai selecionando os melhores depois. Agora, sobre o texto, precisa de cor. A gente gosta é dos desenhos que o texto faz no nosso ouvido. Nuance, sabe? Precisa usar um lide clássico ai? Inventa rapaz! O evento é musical, você nunca viu um filme sobre música? Um livro, qualquer coisa? Trace um paralelo entre o evento e a história, enriquecendo as personagens de ambas narrativas, e de quebra, recomenda um filme novo pro leitor.

Tudo bem, é normal ter um bloqueio. Dê-se um tempo nessa hora, assista a um vídeo no Youtube ou saia pra caminhar. O importante é estar com os pensamentos arejados, para as ideias correrem, até você avistar aquela pequenininha, ligeira, subindo na árvore. Vai lá, corre atrás dela! Isso, agora alimenta ela, deixa ela tomar forma, se enturmar com outras ideias e pensamentos, até brincarem na sua mente. A gente não é robô, Roberto. Não da pra escrever história atrás de história e achar que vai estar criativo o tempo todo.

Se for preciso, pode se apropriar de referências, não tem pecado nisso. A gente seria muito prepotente em achar que nossas ideias são totalmente originais. Mas também, tenha respeito ao trabalho dos outros, né? Não vá copiar a escrita de ninguém. A referência serve muito mais como uma das peças do seu quebra-cabeça do que como o quebra-cabeça inteiro.

E não esquece que a gente escreve é pra gente ler, gente humana. E gente gosta de sentimento, de emoção, de memória, e todo esse material está dentro de você também, Roberto. Mesmo que seja um texto objetivo, use seus próprios sentimentos e intuições para compor uma escrita criativa, emocionante e marcante, mas, principalmente, uma escrita de gente pra gente ler.

>>> Esse texto faz parte de uma série de produções opinativas sobre Jornalismo e Criatividade feitas por estudantes do 8º período de Jornalismo da Faesa Centro Universitário. As produções tiveram a orientação do professor Victor Mazzei dentro da disciplina de Criatividade e Processos Criativos.

Publicado por:Valmir Matiazzi

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