Isabella Arruda

Muito se engana quem pensa que a atividade jornalística parte de um molde pronto, como receita de bolo, em que se organizam palavras quase que de modo automático para extrair um texto noticioso. Um lead que responda às seis perguntas básicas está longe de ser o suficiente: o que, quem, como, quando, onde, por quê – faz um texto objetivo, porém sem diferenciais.

A arte da comunicação envolve criatividade. E por mais que criatividade pareça inspiração, tal como se fosse um dom, a habilidade vai muito além e exige observação, repertório: está contido no que é lido, assistido, ouvido, visto além das entrelinhas.

O texto jornalístico envolve criatividade, ideias e vai muito além do lead clássico (Imagem: FreePik)

E a atividade jornalística tanto não é atributo que nasce com o indivíduo, como é o dom, como esbarra nos bloqueios derivados das circunstâncias pessoais do sujeito comunicador. Que repórter nunca teve que vencer as barreiras de um dia ruim para entregar uma notícia? Ou mesmo buscar no dicionário de sinônimos uma palavra que não vem de jeito nenhum à cabeça, por mais que a ideia esteja ali?

Para ser um bom jornalista, além de se dedicar a conhecer as normas que norteiam a profissão, é preciso “suar a camisa”, é também trabalho de expiração. Quem muito lê, escreve melhor, disso não há dúvidas. Mas para colocar no papel, o trabalho habilidoso do comunicador criativo envolve destrinchar ideias, escrever e apagar muitas vezes, abdicar do que parecia o melhor porque encontrou incoerências.

Para ajudar na busca do texto ideal, existem métodos valiosos, tais como o brainstorming ou “chuva/nuvem de ideias”, em português. Traçar, mapear, refletir. De fato, jornalismo não é só contar uma história, de qualquer jeito. Mas é prender o leitor até o final, fazer com que ele queira saber mais do que a chave da questão, geralmente entregue de bandeja no primeiro parágrafo.

Como se não bastasse estar atento ao mundo das ideias, o jornalista hoje, imerso em um universo de informações online, precisa estar ligado ao que os portais buscadores norteiam como tendências. Falar em jornalismo online sem “SEO” é escrever para um território de ninguém – é falar sozinho em frente ao espelho. E conhecer as exigências do mercado é também ampliar a bagagem, o repertório: não se trata de recomendação, é o novo normal.

Então, além do desafio de vencer a inércia de um dia pouco produtivo, o jornalista, para engajar o leitor e fazê-lo gostar do que lê, precisa se preocupar em como fazer uma matéria chegar até o público. E é aí que a atividade jornalística se torna criativa em dobro, criativa por excelência. Ela não admite tempo ruim, ela exige que sejam ignorados bloqueios e que sejam incorporados repertórios, sempre mais. Um repórter sem criatividade é como um pintor sem tinta, um musicista sem instrumento, um intérprete que perdeu a voz.

>>> Esse texto faz parte de uma série de produções opinativas sobre Jornalismo e Criatividade feitas por estudantes do 8º período de Jornalismo da Faesa Centro Universitário. As produções tiveram a orientação do professor Victor Mazzei dentro da disciplina de Criatividade e Processos Criativos.

Publicado por:Valmir Matiazzi

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