Matheus Passos

A escolha da lâmpada correta para substituir aquela que queimou no cômodo de uma residência parece ser uma das mais fáceis a se tomar diante de todo uma vida. Mas é preciso se atentar a pequenos detalhes que, de tão mínimos, se tornam imperceptíveis, mas indispensáveis. A atividade jornalística, mesmo que não tendo nada a ver com lâmpadas, é interpretada, atualmente, a partir desse pressuposto.

Com a não obrigatoriedade do diploma para exercer a prática jornalística e com avanço tecnológico que possibilitou uma “democratização” da informação, qualquer pessoa que dispõe de um aparelho celular em mãos se torna produtor de notícias. Mesmo quando não associado a um veículo de comunicação, é, logo, correlacionado ao Jornalismo devido a facilidade do exercício da profissão.

Na prática, no entanto, como diz a expressão, são outros quinhentos. Diante disso e outras mudanças que impactam o Jornalismo, a atividade e o profissional tendem, no momento, a se reinventar e ir em direção a soluções inovadoras. Isso, por sua vez, representa o primeiro passo após o blackout ou o bloqueio. A partir daí, parte a necessidade de ir em busca do que irá, em meio a esse colapso temporário, clarear o caminho composto pelos pilares que formam a base do Jornalismo. O desejo é reinventar o passado no presente com um olhar para o futuro.

No Jornalismo é preciso se reinventar todos os dias diante das mudanças e ir em direção a soluções inovadoras (Imagem: 3aengenharia)

É preciso considerar que, da mesma forma que existe um processo para comprar e trocar uma lâmpada, existe um caminho a ser seguido diante da criatividade imposta, perante os empecilhos atuais na prática jornalística. Identificar, preparar, organizar, aquecer, clarear, elaborar e verificar são partes deste procedimento que se constrói ao longo de toda uma vida.

Assim, diante das mudanças, a necessidade de um profissional completo, criativo e proativo se faz cada vez mais necessária. No momento, a exemplo da realidade, onde trabalhavam cinco dentro de um veículo de comunicação, hoje, trabalham apenas um ou dois. Mesmo com isso, a demanda não muda e tende, cada vez mais, crescer.

Consequentemente, elementos constitutivos do ofício (medo, ansiedade e insegurança) levam o jornalista, cada vez mais, estar à mercê de um bloqueio criativo que, como parte do caminho, acontece no dia a dia. Apesar do cenário e do que pode sucedê-lo, existe uma luz no fim do túnel. Há espaço para um profissional mais humano e, ao mesmo tempo, ligado diretamente às novas tecnologias que surgem. Além disso, ser criativo nunca foi tão solicitado.

Desse modo, é preciso entender que, mesmo conectado, criativo e ágil, o humano da prática jornalística sempre estará ali. Isso, por sua vez, pode ser considerado a luz no fim do túnel ou o concerto daquela lâmpada que no começo do percurso queimou e, agora, foi trocada, não com o intuito de perder tudo aquilo que já foi iluminado, mas com a finalidade de aprender, ouvir, entender, expor e evoluir por meio do novo. Ser criativo, no Jornalismo, mesmo diante dos avanços, significa ser humano.

>>> Esse texto faz parte de uma série de produções opinativas sobre Jornalismo e Criatividade feitas por estudantes do 8º período de Jornalismo da Faesa Centro Universitário. Tais produções tiveram a orientação do professor Victor Mazzei dentro da disciplina de Criatividade e Processos Criativos.

Publicado por:Valmir Matiazzi

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