A crônica do aluno do 8º período do curso de Jornalismo da FAESA Centro Universitário Matheus Metzker para a ONG “Mãe-Creche Shirley Alegria” foi vencedora na categoria Crônica na 10ª edição da Ecos Mostra, um evento da Ecos Jr, que é a empresa de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Em 2020, o evento, que ocorreu de forma virtual no dia 26 de novembro, trouxe para discussão o voluntariado, com o tema:  O individual impacta no coletivo, modifica o meio e transforma o fim.

Confira abaixo a crônica vencedora

Voluntariado: um sinônimo de alegria

Matheus Metzker

A região de Barramares no município de Vila Velha é bem diferente de três anos atrás. Não mudou apenas fisicamente, em estrutura ou afins. Extrapolou tantos os limites palpáveis, que foi uma transformação que trouxe mais amor, vida, solidariedade e alegria. Sim, alegria. São mudanças sentidas e vividas por tantas famílias que ali moram. Adultos e idosos. Jovens e pequenos. Todos.

Afinal, seria um anjo responsável por tantas mudanças em um bairro? Não, não literalmente. Mas, se os anjos fossem materializados em seres humanos arriscaria dizer que eles teriam nomes e sobrenomes específicos. Seriam aquelas pessoas boas por natureza, empáticas e que fazem o bem sem esperar nada mesmo em troca. Justamente como a Shirley Jesus ou melhor Shirley Alegria. Para entender o porquê dessa mulher ser um anjo, é preciso caminhar um percurso no passado. Um passado nem tão distante. Um passado do pretérito perfeito.

Em 2017, Shirley carregava em si um grande sonho. De ser professora, uma profissão que reparte aquilo que temos de mais valioso na vida: o conhecimento. Com isso em mente e indo na contramão de qualquer tipo de dificuldade, seja econômica ou social, ela começou a colocar esse objetivo em prática por meio de um projeto que unia educação e lazer para crianças e adolescentes. E o mais importante: de forma gratuita. É o nascimento do Mãe-creche Shirley Alegria.

No início, claro, nada era fácil. Um barraquinho de madeira bem simples e com uma estrutura precária era o lugar que Shirley tomava conta de cinco pequenos. Cinco apenas no primeiro mês. Uma pessoa comentando com a outra em Barramares, o famoso boca-boca, fez com que mais pais tivessem interesse em deixar os filhos no contraturno – momento oposto do horário da escola – nessa creche, que apesar de simplória, nunca deixou de ser acolhedora. O cuidado era presente. O ato voluntário na mais pura essência estava presente. E, por isso, em apenas 30 dias, 5 viraram 70. Ou seja, 14 vezes a mais de pessoas dependiam dessa mulher em forma de anjo.

Semelhante ao coração de mãe que sempre cabe mais um, Shirley, ao longo do tempo, foi recebendo mais e mais jovens que, ancorados na educação, conseguem um aproveitamento do tempo livre muito melhor do que se ficassem em casa ou na rua. Inclusive, com a ajuda de outras almas caridosas, o sonho foi tomando um contorno tão realista que ela nem imaginava. É que, em 2019, a creche mudou para um local maior, com escritório, berçário, sala de aula e refeitório. O que tornou possível, por consequência, fornecer uma assistência mais completa em todos os sentidos. E assistência é o que não pode faltar para a vida de uma criança. Elas precisam de um olhar atento. Sempre.

Hoje, inclusive, são cerca de 200 pequenos de Barramares que passam uma parte do dia na Mãe-creche Shirley Alegria. Os de 2 a 5 anos participam de brincadeiras diversas. Já os que têm entre 6 e 14 anos possuem reforço escolar e, ainda, aulas de música, inglês e espanhol. Sem contar que todos contam com oficinas, momentos de lazer e recebem alimentação. Lá, sem dúvidas, ocorre um desenvolvimento sadio e sobretudo, responsável.

Hoje, inclusive, são cerca de 200 pequenos de Barramares que passam uma parte do dia na Mãe-creche Shirley Alegria. Os de 2 a 5 anos participam de brincadeiras diversas. Já os que têm entre 6 e 14 anos possuem reforço escolar e, ainda, aulas de música, inglês e espanhol. Sem contar que todos contam com oficinas, momentos de lazer e recebem alimentação. Lá, sem dúvidas, ocorre um desenvolvimento sadio e sobretudo, responsável.

Afinal, ajudar ou participar de alguma Organização Não Governamental (ONG) é, ao mesmo tempo, lançar um olhar nas desigualdades existentes, principalmente no Brasil, país que está em uma posição desfavorável quando o assunto é igualdade social. Além disso, ser voluntário está ligado a plena capacidade de humanidade, ver o mundo de frente, sem diferenciação. É saber que com nosso pouco conseguimos sim fazer a diferença em tantos e tantas por aí.

A Shirley mostra isso desde o início com seu projeto. Lembra do barraquinho? Então, ela não tinha condições financeiras e, mesmo assim, não hesitou em dar início ao seu sonho. Um exemplo de empatia para com crianças que precisam de um apoio, um auxílio e de retoques de amor para um bom crescimento.

Mas, se você pensa que Shirley já está realizada, se engana. Essa mulher-anjo deseja no futuro atender todas as 500 crianças de Barramares. Objetivo ousado? Nada. Isso não é impossível.

Com mais e mais pessoas se conscientizando da importância de projetos sem fins lucrativos, mais investimentos se torna possível. Mais seres humanos são impactados positivamente. Mais Shirleys renascem e fazem a diferença no mundo. No seu mundo. No nosso mundo.

Foto de Destaque: Freepik


Publicado por:Matheus Metzker

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